Um mural sobre as gentes de Fátima foi inaugurado no domingo, 31 de dezembro, como forma de encerrar o ano do centenário das aparições de Fátima pela sociedade civil. A iniciativa, da junta de freguesia de Fátima, enquadrou uma requalificação do exterior do cemitério. O memorial é da autoria do artista plástico fatimense Martinho Costa.
Ano recheado de eventos relacionados com os 100 anos das visões/aparições (consoante a interpretação) aos três pastorinhos de Fátima, incluindo a visita do Papa Francisco e a canonização de Jacinta e Francisco Marto, 2017 encerrou no domingo com uma derradeira iniciativa da sociedade civil para marcar a efeméride.
A junta de freguesia de Fátima aproveitou a requalificação do exterior do cemitério para a concretização de um mural em memória das gentes de Fátima. Nele não há referências ao fenómeno religioso, mas ao passado etnográfico local.

“Para nós era importante deixar um marco a nível civil”, afirmou o presidente da junta, Humberto Silva, à comunicação social. “Um memorial em forma de mural às pessoas que contribuíram para Fátima”, cuja paróquia, recordou, foi fundada no século XVI. “Era importante honrar os nossos antepassados”, frisou.
A pedra onde foi desenhado o mural veio de uma pedreira de Fátima, a FILESTONE, que também patrocinou o projeto, adiantou Humberto Silva. O autarca preferiu não mencionar os valores em causa, salientando apenas que o mural se enquadrou na requalificação do cemitério. Além deste painel, foi construído um passeio, substituído o portão e requalificada a parede frontal.

Martinho Costa foi o artista convidado para concretizar a obra artística. “Quando me apercebi que (o tema) eram as gentes de Fátima fiquei entusiasmado”, admitiu aquando a inauguração, salientando o trabalho de diálogo com a junta de freguesia. “O espaço é especial. Temos de ter cuidado, há que respeitar o espaço, o espetador”, frisou, explicando que se optou por tons simples, a cor terra, sobre pedra. “Houve uma intensidade poética em pintar com cor terra a própria terra em pedra”, cuja extração é uma atividade típica na freguesia.
“Está representada Fátima de um ponto de vista que não é convencional”, destacou posteriormente aos jornalistas. “Não são as mensagens que associamos a Fátima, é uma mudança de foco. Esquece-se que Fátima é mais que o fenómeno religioso”, constatou.
A inauguração do mural foi marcado por um forte temporal, que conduziu a que os discursos fossem realizados dentro da Igreja Paroquial. Presente na ocasião, o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, referiu que 2017 foi um ano que ficará na memória de todos os que puderam estar envolvidos. “Encerra com chave de ouro”, sublinhou, elogiando a iniciativa da junta de freguesia.
Lembrando os trabalhos de reabilitação realizados pelo município na autarquia, admitiu que “fez-se o que se pôde”. “Estamos bem cientes da problemática de Fátima e anseios da população”, sublinhou. Afirmou assim que a estratégia montada pelo município com a ACISO – Associação Empresarial Ourém Fátima para promover a cidade religiosa a nível internacional vai continuar. “Podem continuar com o município para continuar a divulgar a mensagem de Fátima”, terminou.
