Apesar da concentração de pessoas fora do recinto do Santuário de Fátima, que atingiu o limite de 7.500 pessoas um pouco antes das 09h00, as celebrações do 13 de maio foram marcadas pela ordem e respeito pelas normas de segurança sanitária. Na sua homilia de quinta-feira, o Cardeal D. José Tolentino Mendonça, que presidiu às celebrações, deixou um apelo a um “relançamento espiritual” após a pandemia, um desconfinamento do “nosso coração”, para que o mundo se possa tornar um lugar melhor.
Recordando o evangelho, que narrou o episódio de Cristo crucificado falando para a Mãe, o Cardeal referiu que “Jesus não se conforma ao fatalismo”. Pelo contrário, “na hora suprema de crise, Ele continua a empurrar a história para a frente, continua a ativar futuros, a inscrever o futuro de Deus no atribulado presente histórico dos homens, a devolver a esperança a quantos se sentem cansados e oprimidos, a tomar sobre Si – com que compaixão! – todas as feridas, a buscar e reintegrar o que estava declarado como perdido”, refletiu.
“Olhando para a cruz poderíamos pensar que Jesus estava brutalmente confinado. E estava. Mas o verdadeiro desconfinamento é aquele que o amor opera em nós”, continuou.
Apelaria assim a um “relançamento espiritual” depois da pandemia, considerando que “não basta voltarmos exatamente ao que éramos antes: é preciso que nos tornemos melhores. É preciso que desconfinemos o nosso coração.”
FOTOGALERIA
“O mundo fatigado por esta travessia pandémica que ainda dura, e que pede a cada um de nós vigilância e responsabilidade, não tem apenas fome e sede de normalidade: precisa de novas visões, de outras gramáticas, precisa que arrisquemos ter sonhos”, referiu. Em particular aos jovens, deixou o apelo: “em vez de ter medo, tenham sonhos. Sintam que o futuro depende da qualidade e da consistência dos vossos sonhos.”
As cerimónias de quinta-feira foram ainda marcadas pela transmissão de uma mensagem do Papa Francisco aos peregrinos de Fátima. “Este é o momento de pedir à Mãe pelo mundo inteiro (…) e por cada um de nós, pelas vossas famílias, pela vossa terra natal, por Portugal”, disse Francisco.
Depois de saudar os fiéis “de uma maneira especial” e agradecer a sua presença no Santuário, o Papa estendeu o apelo a “todos os que estão a sofrer com esta pandemia de covid-19, por tantos os que perderam o seu trabalho, os seus entes queridos”, alertando para “tanta pobreza e miséria que esta pandemia está a gerar”.
“Este é o momento para a oração”, salientou, e exortou os fiéis a nunca se esquecerem da Virgem de Fátima.
Apesar de se verificar alguma concentração de fiéis fora do recinto do Santuário, que atingiu a lotação de 7.500 pessoas permitida, as autoridades não reportaram problemas, afirmando que as indicações sanitárias estavam a ser compridas, nomeadamente o distanciamento social e uso de máscara.
c/LUSA
