A Paulus Editora reuniu diversos trabalhos jornalísticos em torno da vida e obra de D. António Marto, o bispo da diocese de Leiria-Fátima recentemente elevado a Cardeal, para trazer às bancas em “tempo recorde” o livro “D. António Marto – O Cardeal de Fátima”. Na quinta-feira, 12 de julho, a obra foi apresentada em Fátima, com o novo Cardeal a afastar-se de qualquer sonho de papado, mas a admitir que partilha da visão de reforma da Igreja proposta pelo Papa Francisco.
A perspetiva de que o “Cardeal de Fátima” possa vir a ser Papa tem estado na mente da comunicação social, mas D.António Marto afasta a ideia com humor, reafirmando que tal ambição “não entra no meu horizonte, nem em sonho nem em realidade”. Em declarações aos jornalistas após a apresentação do livro, salientou que um Cardeal não é “uma espécie de super Bispo, que manda nos outros Bispos”, apenas um “colaborador próximo do Papa”.
Não obstante, António Marto reconhece que as suas palavras passaram a ser mais mediáticas, “o que não quer dizer que outro Bispo possa dizer mais e até melhor”. Sendo que terá acesso a círculos que anteriormente lhe estavam vedados, afirmou que a sua presença na sociedade irá manter-se igual.

O livro é uma “compilação em tempo recorde” de trabalhos jornalísticos promovida pela Paulus Editora, com coordenação de Ricardo Pena (Família Cristã) e os contributos de Otávio Carmo (Ecclesia) e João Francisco Gomes (Observador), todos presentes na sessão que decorreu na Livraria Paulus, em Fátima. A apresentação ficou a cargo do jornalista Paulo Rocha (Ecclesia), que descreveu o Cardeal como um “pregador de misericórdia e de ternura de Deus”.
Salientando a boa relação que D.António Marto mantém com os jornalistas, referiu que o livro dá contributos para interpretar a sua personalidade, dando a conhecer a sua vida e o seu trabalho e a facilidade com que se integra nos meios em que interage.
“Fica visível nestas páginas o que pode ser o Cardeal António Marto”, afirmou por seu lado Ricardo Pena. Já Otávio Carmo e João Francisco Gomes relataram as suas experiências com o Cardeal.
D. António Marto narrou brevemente ao público presente a sua breve conversa com o Papa Francisco aquando o consistório, comentando que este lhe dissera que o cardinalado fora uma “carícia de Nossa Senhora”. “Não imaginava uma resposta tão carinhosa”, confessou.
O Cardeal afirmou que está em sintonia com o pensamento do Papa. “Estou em plena sintonia, para além da comunhão eclesial, com o Papa Francisco neste empreendimento de reforma da Igreja, que começa na renovação dos corações e das mentalidades de um ponto de vista mais evangélico”, explicou. Procura-se assim por uma Igreja mais virada para o mundo e não fechada sobre si mesma.
Admitindo que Fátima “é uma palavra mágica, carregada de simbolismo”, afirmou que esta subida na carreira “nada conta. Aceito como um serviço à Igreja que me é pedido pelo Papa”.
“O que espero deste livro é que seja lido como um testemunho de um homem de fé”, referiu.
