Irmã Lúcia nos últimos anos da sua vida. Arquivo do Carmelo de Santa Teresa - Coimbra

O processo de beatificação da Irmã Lúcia, a vidente de Fátima que faleceu em 2005, já se encontra na competência da Santa Sé e do Papa. A informação foi avançada pela Diocese de Coimbra esta sexta-feira, 13 de janeiro, referindo que a fase diocesana do processo chegou ao fim.

Este processo teve início em 2008, três anos após a morte de Lúcia dos Santos, depois do Papa emérito Bento XVI ter concedido uma dispensa em relação ao período de espera estipulado pelo Direito Canónico (cinco anos). Após confirmada a beatificação, será necessário mais um milagre para que a vidente de Fátima possa ser considerada efetivamente “santa”.

A nota da Diocese de Coimbra informa que a sessão solene de clausura do Inquérito Diocesano se realiza a 13 de fevereiro, no Carmelo de Santa Teresa de Coimbra. Este inquérito reúne todos os escritos da Irmã Lúcia, os depoimentos das 60 testemunhas ouvidas acerca da “fama de santidade e das virtudes heroícas” da religiosa. Após a sessão de clausura, todo o material será entregue à Congregação das Causas dos Santos, em Roma, que lhe dá o seu seguimento.

Em comunicado de imprensa do Santuário de Fátima, o reitor Padre Carlos Cabecinhas afirma ter recebido a notícia com “muita alegria” e que esta alegria “responsabiliza o Santuário e os seus peregrinos naquela que é a sua tarefa primordial, a oração”.

No mesmo texto, a vice-postuladora da causa de canonização da Irmã Lúcia, Irmã Ângela Coelho, explica que o processo demorou todos estes anos devido à “quantidade de documentos deixados e a necessidade de os trabalhar bem”. “Cada página que a Irmã Lúcia escreveu teve de ser minuciosamente analisada e estamos a falar de um universo de 10 mil cartas que conseguimos recolher e de um diário com 2000 páginas para além de outros textos mais pessoais”, esclarece.

Além disso, a vidente foi “uma mulher que viveu quase 98 anos, que se correspondeu com Papas, desde Pio XII até João Paulo II, com cardeais, bispos” e com muitas outras pessoas. “Analisar tudo isto demora o seu tempo para se poder tratar com o rigor que é necessário nestas causas”, salienta, sublinhando também o conjunto de testemunhas que foram ouvidas.

Nesta fase diocesana  trabalharam a tempo inteiro cerca de três dezenas de pessoas, 18 delas teólogos e oito elementos na comissão histórica. Será agora elaborada a ‘positio’, um compêndio dos relatos e estudos realizados pela comissão jurídica, por um relator nomeado pela Congregação para a Causa dos Santos (Santa Sé).

 

A segunda etapa do processo consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do “venerável”; se um destes milagres é considerado autêntico, o “venerável” é considerado “beato”. Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, o beato é proclamado “santo”. A canonização, ato reservado ao Papa, é a confirmação por parte da Igreja de que um fiel católico é digno de culto público universal.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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