Santuário de Fátima recebeu cerca de 80 hoteleiros, apelando-se à honestidade nos preços. FOTO: mediotejo.net

O tradicional Encontro com os Hoteleiros de Fátima promovido pelo Santuário de Fátima decorreu esta quinta-feira, 9 de fevereiro, na Casa Nossa Senhora das Dores. A par das estatísticas sobre as peregrinações divulgadas sempre nesta ocasião, o Bispo de Leiria-Fátima, D.António Marto, apelou a que “haja honestidade nesta questão dos preços, em relação à procura dos peregrinos”, lembrando assim alguma especulação na hotelaria. Apesar das estatísticas gerais terem registado, em relação a 2015, uma diminuição de 1,4 milhão de peregrinos, a perspetiva geral é de um aumento significativo de visitantes devido ao centenário das Aparições e à visita do Papa Francisco. Espera-se 1 milhão de peregrinos a 12 e 13 de maio. 

D. António Marto falou aos jornalistas à margem do Encontro com os Hoteleiros. “Um aspeto que fica salientado pela comunicação social é o de que tem havido, porventura, uma exploração de preços. Nem todos têm praticado esta exploração, mas o meu apelo é que haja honestidade nesta questão dos preços, em relação à procura dos peregrinos”, sublinhou o clérigo. Apesar de não ser “um polícia para poder andar a averiguar”, o Bispo fez questão de alertar para as práticas de preços por parte de alguns empresários, durante o evento, onde estiveram mais de 80 hoteleiros e 11 entidades ligadas à hotelaria.

A inflação de preços na hotelaria local foi lembrada pelos jornalistas ao vice-presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO), Alexandre Marto Pereira, com quartos a serem vendidos no booking bem acima dos mil euros. O também hoteleiro salientou porém que essa prática não é geral e que o 13 de maio de 2017 será, em termos de hotelaria, igual a outros anos. “Os hotéis estão a vender ao mesmo preço que vendem todos os 13 de maio”, preço que não ultrapassa o praticado no verão, “por exemplo no Algarve”, notou, admitindo que poderá haver um ou outro caso pontual de venda de quartos a preços excessivos.

Fátima “continua a ser, porventura, o destino mais barato de todo o país, com o preço médio mais baixo de todo o país”, salientou, referindo que o preço médio para a noite de 12 para 13 de maio estará abaixo “dos 250 euros por quarto”.

O responsável notou ainda que a particularidade deste ano é que a hotelaria já está a ficar cheia num raio de 100 quilómetros de Fátima. Além disso, “muitos milhares de peregrinos internacionais, por não verem alojamento para essa noite [12 para 13 de maio], vêm noutras datas”, sublinhou. Para lá “do simbolismo” da visita do Papa a 13 de Maio a Fátima, “há o simbolismo todo o ano”, que é a celebração do centenário das aparições, fazendo com que 13 de agosto e 13 de outubro sejam dias em que “a maior parte da unidade hoteleira também está completa”, realçou.

Apesar da expetativa de uma grande enchente em Fátima este 2017, os dados divulgados esta quinta-feira pelo Santuário de Fátima revelam uma quebra de cerca de 1,4 milhão de peregrinos. Se em 2015, ano em que se assinalou um ponto alto na afluência de visitantes, se registaram 6,7 milhões de participantes nas 9.948 celebrações da instituição, em 2016 esse número cingiu-se a 5,3 milhões de participantes em 9.890 celebrações. Há também um ligeiro decréscimo nas peregrinações estrangeiras, de 2.799 em 2015 para 2.710 em 2016.
Os meses de setembro e outubro, a par de maio, mantêm-se ainda como os meses de maior afluência. “As pessoas fogem cada vez mais de maio e de outubro”, havendo um “aumento de peregrinações organizadas em abril e em setembro”, notou Carmo Rodeia, assessora de imprensa do Santuário. Setembro foi o mês com mais peregrinos portugueses em peregrinações organizadas (cerca de 120 mil), seguido de outubro (105 mil), junho (82 mil), abril (67 mil) e maio (56 mil). Em 2016, foram “apoiados” 157 investigadores ou projetos de investigação sobre Fátima e foram acreditados 400 jornalistas pelo Santuário, enumerou. Cerca de 400 mil peregrinos foram atendidos nos postos de informação do Santuário.
As peregrinações de Espanha continuam a encabeçar os visitantes estrangeiros, não esquecendo Itália, Polónia, mas também EUA, Ucrânia ou a presença que continua a surpreender: a Coreia do Sul.
Só há 1 milhão de euros previsto para obras em Fátima
No seu discurso, D. António Marto frisou também que “o país deve muito a Fátima”, chegando a sítios onde nem “o Cristiano Ronaldo chega”,  sendo esta uma “publicidade gratuita” da instituição, de cariz universal, à sua terra. Aos jornalistas, o Bispo salientaria que o Estado pode “dedicar muito mais” atenção a Fátima, reivindicando uma “descriminação positiva” à cidade.
“Não peço nada para o Santuário, que os peregrinos não têm deixado faltar nada ao Santuário. Peço para a cidade, para as infraestruturas, para as estruturas”, explicou António Marto, afirmando que deveria haver um investimento para facilitar os acessos a Fátima e o trânsito na própria cidade, bem como os seus passeios. Já relativamente a questões fiscais, o bispo considerou que “o que dá lucro, tem de pagar o seu imposto. É de justiça”.
Concordando com a “descriminação positiva” de Fátima, o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, adiantou porém aos jornalistas que do plano de 5 milhões para obras apresentado ao Governo, só tem a garantia da aprovação de 1 milhão. “Nós apresentámos uma candidatura de 5 milhões de euros ao Governo para que pudéssemos apoiar-nos. Ainda não há nenhuma candidatura aprovada, ao contrário do que já vi escrito em muitos sítios. Dizem-me agora verbalmente, e já esta semana, que essa candidatura está aprovada em 1 milhão de euros. Portanto o município vai fazer um esforço adicional com os seus próprios meios e com base num plano de intervenções que está esperado”.
Ou seja, ainda sem confirmação certa, o município avança com os seus próprios meios com um conjunto de obras, sobretudo de melhoramento de vias de acesso.
“Acho que durante toda a vida Fátima teve uma discriminação negativa do Estado Português”, comentara já Paulo Fonseca. “O país durante muito tempo não compreendeu a importância de Fátima e aquilo que tinha a ganhar com a projeção mundial de Fátima”. Mas “nos últimos anos a situação tem vindo a mudar ligeiramente”, comentou.
c/LUSA

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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