O estabelecimento situado na rua Serpa Pinto, também designada de “Corredoura” e que conta já com 145 anos de história, acolheu na manhã de quarta-feira, dia 4 de outubro, o arranque oficial da campanha de vacinação contra a gripe e a covid-19 do Sistema Nacional de Saúde (SNS).
O secretário de Estado da Saúde marcou presença na cerimónia que pretendeu frisar uma perspetiva de parceria entre as diversas entidades que pretendem responder a um único objetivo e que, para Ricardo Mestre, é muito claro: “responder às pessoas e garantir que elas têm a cobertura vacinal, seja para a gripe ou covid-19, que lhes permita encarar este outono-inverno com mais segurança”.
Durante a sua intervenção, o secretário de Estado realçou um trabalho que “deve ser realizado em parceria”, tendo-se dirigido às entidades e representantes presentes que têm colaborado com o Ministério da Saúde no âmbito da campanha de vacinação, entre eles autarcas, farmacêuticos e representantes do ACES Médio Tejo e CHMT, entre outros.
Aos presentes dirigiu agradecimentos e reconheceu a pertinência do trabalho realizado lado a lado com a rede de farmácias portuguesas, com a Ordem dos Farmacêuticos, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), os Serviços de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), Infarmed, o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), a ARS de Lisboa e Vale do Tejo e o ACES do Médio Tejo.
“Eu resolvi investir aqui algum tempo nestes cumprimentos porque eu acho que é a riqueza deste processo. É, de facto, a capacidade que nós temos de trabalhar em parceria, cada um com a sua especificidade, cada um com a mais-valia e conhecimento que tem da sua atividade, mas essencialmente colocando-se ao serviço das pessoas”.

São já cerca de 2500 os estabelecimentos farmacêuticos que aderiram ao processo de vacinação, o que para Ricardo Mestre vai permitir que os cidadãos “fiquem nos seus territórios, nos seus locais de vida e que sejam os serviços que vão ao encontro delas, valorizando a palavra que é relativamente fácil de pronunciar mas que por vezes é difícil de concretizar e aqui conseguimos concretizar: a proximidade”.
“Nós começámos esta campanha no dia 29 de setembro, na sexta-feira passada. Passaram poucos dias úteis, mas os últimos dados que temos dizem-nos que já foram administradas 155 mil vacinas entre a covid-19 e a gripe, sendo a grande maioria delas em farmácias comunitárias, como seria de esperar, até porque neste momentos as pessoas têm esta capacidade de agendar a sua vacina, de programar a sua vida em conjunto com as farmácias”, destacou.
Os centros de saúde estão também a fazer esta vacinação, mais dirigidos para pessoas que vivem com doença, mas estando também abertos a vacinar todos aqueles que têm mais de 60 anos.


Para além das farmácias, os centros de saúde estão também a administrar vacinas, procurando atingir o objetivo de “vacinar 2,5 milhões de pessoas e criar condições para que estejam protegidas este outono-inverno, garantindo uma taxa de cobertura vacinal que tanto nos orgulha a nível internacional”, concluiu o secretário de Estado.
ÁUDIO | Ricardo Mestre, secretário de Estado da Saúde
A presidente da Associação de Farmácias de Portugal (AFP), Isabel Cortez, sublinhou a “satisfação” com que as farmácias portuguesas integraram a campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19, do Sistema Nacional de Saúde (SNS).

“Para nós acho que é uma oportunidade de prestarmos um serviço de proximidade e de excelência ao cidadão, completando as estruturas do SNS. A colaboração e o empenho de todas as entidades já demonstradas e aqui presentes também irá permitir o sucesso desta campanha”, concluiu.
ÁUDIO | Isabel Cortez, presidente da Associação de Farmácias de Portugal
Durante a iniciativa, o Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Helder Mota Filipe, vincou a importância da cerimónia que marca “o início de uma campanha (…) muito importante, com o envolvimento das farmácias comunitárias e dos farmacêuticos”.
“Através desta rede de farmácias comunitárias são já cerca de 2.500 farmácias e 6.000 farmacêuticos preparados e dispostos a colaborar com a campanha de vacinação”, destacou.

Para o Bastonário da OF, em complementaridade com o SNS e os Centros de Saúde, a administração das vacinas também nas farmácias vai permitir criar condições para que as vacinas estejam mais acessíveis aos cidadãos, permitindo que estes tomem a decisão sobre o local onde desejam que as mesmas sejam administradas.
“Penso que é importante que os cidadãos, querendo ser vacinados, tenham soluções cómodas e seguras para serem vacinados. Todos nós estamos interessados em que a quantidade de pessoas vacinadas seja a maior possível e o envolvimento dos farmacêuticos comunitários ajuda à acessibilidade e a que as pessoas possam ser vacinadas em segurança”, destaca o Bastonário.
ÁUDIO | Helder Filipe, Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos
Durante a sua intervenção, Helder Filipe esclareceu as dúvidas colocadas em relação à segurança da administração das vacinas por farmacêuticos comunitários, tendo garantido “a todos” a segurança do serviço prestado pelas farmácias.
“A Ordem dos Farmacêuticos garante, através de uma certificação, que os farmacêuticos tiveram formação específica. Não é que eles não estivessem preparados para vacinar, o que nós queremos é garantir à sociedade, às autoridades e, principalmente, aos utentes que os farmacêuticos têm proativamente conhecimento adquirido (…) A vacina foi aprovada pela Comissão Europeia cerca de uma semana antes de começar a ser administrada e o que nós fizemos foi preparar a informação relevante para que os nossos colegas não tivessem acesso a ela de forma documentada e, hoje, o Infarmed sabe quem são os colegas disponíveis e preparados para vacinar”, esclareceu.
Embora os dados divulgados pelo Infarmed apontem uma taxa de 0,03% de incidência de reações adversas graves até ao final do ano de 2022, o que representa cerca de 8.500 reações graves em quase 28 milhões de vacinas administradas, Helder Filipe garante que as farmácias capacitadas para a administração das vacinas reúnem as condições de segurança para gerir eventuais reações adversas agudas.
“Os farmacêuticos têm preparação para gerir estas reações adversas agudas e as farmácias têm de ter as condições adequadas e os fármacos adequados para esta gestão. Portanto, todo este processo é feito em segurança e agora o que nós temos de fazer é convencer todos os nossos cidadãos da importância da vacinação”, realçou.
De acordo com o Bastonário da OF, a proximidade e o contacto que os farmacêuticos estabelecem com os milhares de pessoas que diariamente entram nas farmácias de todo o país, torna-os num “veículo de informação sobre a importância da vacinação”, permitindo a “desconstrução de mitos cada vez mais associados às vacinas”, concluiu.

O presidente da Câmara de Tomar, Hugo Cristóvão, congratulou-se com a escolha da cidade e deste espaço simbólico para o lançamento da campanha, sublinhando a disponibilidade do município tomarense para continuar, tanto a exigir, como a colaborar com o Ministério da Saúde, com vista a dar as melhores condições aos cidadãos.
ÁUDIO | Hugo Cristóvão, presidente da CM de Tomar
Após uma visita guiada pelo edifício da Farmácia Pinheiro Torres, no centro histórico da cidade templária, os presentes testemunharam ainda, no final da sessão, a vacinação de uma utente.




Em declarações ao nosso jornal, a diretora técnica do estabelecimento, Sandra Ribeiro, falou numa “honra” por acolher a cerimónia de arranque da campanha nacional de vacinação.
“Estamos cá para o povo de Tomar, os que nos visitam e precisam de nós. A altura do covid-19 foi uma altura muito complicada, tivemos de ir a casa das pessoas fazer as entregas da medicação, porque os nossos clientes maioritariamente são todos de idade e tinham muita dificuldade e medo. Ninguém sabia muito bem como era, portanto há uma grande proximidade entre nós e os nossos clientes. É uma farmácia da aldeia numa cidade”, destacou.
ÁUDIO | Sandra Ribeiro, diretora técnica da Farmácia Pinheiro Torres
Relativamente ao processo de vacinação, a responsável conta que são já muitas as vacinas agendadas e que “todos os dias há procura”.
“Nós guardamos sempre uma ou outra para aquelas pessoas que não fizeram agendamento, para que possam ser vacinadas”, indicou a responsável, tendo dado conta de alguma limitação no número de vacinas.
“Gostaríamos de ter muitas mais, porque assim administraríamos mais, uma vez que as pessoas estão a ter uma boa adesão, tanto à da gripe como à da covid-19”, notou.

Para aqueles que ainda não realizaram o agendamento e que reúnam os critérios para o fazer, a farmacêutica explica que devem dirigir-se ao balcão ou agendar através de contacto telefónico. Depois de realizado um breve questionário, e caso o utente seja elegível para a administração da vacina, a mesma é de imediato agendada.
“Até agora correu tudo bem. A primeira pessoa que nós vacinámos na sexta-feira foi uma cliente nossa já muito antiga, uma senhora com 100 anos e fez questão de ser vacinada, tanto para a covid-19 como para a gripe”, fez saber Sandra Ribeiro.
Cerca de 300 mil vacinas contra covid-19 e gripe administradas na primeira semana
Cerca de 300 mil vacinas contra a covid-19 e a gripe foram administradas na primeira semana da campanha de vacinação, que abrange maiores de 60 anos, pessoas com doenças de risco, profissionais de saúde e trabalhares em lares.
De acordo com o balanço efetuado pelo Ministério da Saúde, desde o início da campanha, a 29 de setembro, foram administradas 316.339 vacinas contra a covid-19 e a gripe, a maioria em farmácias comunitárias (255.839), mas também em instituições do Serviço Nacional de Saúde (60.500).
A campanha de vacinação contra a covid-19 e a gripe arrancou no dia 29 de setembro e vai decorrer ao longo de mais de 10 semanas, em cerca de 2.500 semanas comunitárias e em cerca de mil pontos de vacinação das diferentes unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O objetivo, de acordo com o Sistema Nacional de Saúde, passa por vacinar 2,5 milhões de pessoas.











