Em comunicado, o conselho de administração do CHMT, presidido por Casimiro Ramos, refere que a decisão de destituição “é sustentada pela incapacidade de o diretor de serviço demitido adotar medidas para garantir um nível satisfatório nas escalas de Cardiologia de apoio à Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes”, que serve toda a população da região do Médio Tejo.
Na nota, a administração indica que David Durão “evidenciou um total desalinhamento com os objetivos da Instituição, designadamente a necessidade de atender às especificidades regionais de uma Instituição com as características que tem o CHMT”, como seja a existência de serviço de Cardiologia em Abrantes, com apoio presencial ao Serviço de Urgência, tendo realçado os “graves problemas de gestão” do serviço.
“Não obstante as condições de atratividade que foram criadas por este conselho de administração, nomeadamente ao nível de avultados investimentos em equipamentos e meios de diagnóstico, o Dr. David Durão também não conseguiu tomar medidas para evitar a saída de profissionais para outras instituições”, é acrescentado no comunicado.
A decisão, ao que omediotejo.net apurou, foi tomada na sequência de “posições reiteradas” de David Durão “contrárias à estratégia assistencial prosseguida pelo CA, de acordo com as determinações da tutela relativamente à existência de serviço de Cardiologia em Abrantes”, com apoio presencial ao Serviço de Urgência.
O CA defende, e mantém, que essa deve ser a estratégia assistencial aos doentes Cardiológicos e tem essa posição sustentada por parecer técnico do Diretor do Departamento de Urgência e Medicina Intensiva no qual plasma que “a transferência do Serviço de Cardiologia para a Unidade de Torres Novas e a existência de uma Unidade de Cardiologia nesse mesmo local, induzirá alterações profundas no circuito dos doentes, não só da Cardiologia, perdendo-se o racional de ter as especialidades e as áreas de competência técnica reunidas e em complementaridade”.
Assim, e contrariamente aos fundamentos técnicos – que em 2016, foram a justificação para que a Unidade de Abrantes tivesse um serviço de Cardiologia fortalecido – “as posições e intenções do ex-Diretor de Serviço eram de esvaziar esse serviço, eliminando inclusivamente o internamento”, tendo o CA do CHMT, a 13 de junho do corrente ano, “solicitado um protocolo claro de procedimentos para o apoio em modo limitado ao Serviço de Urgência” o que o CHMT afirma que “nunca aconteceu”.
No comunicado, o CHMT salienta que ficaram assim “evidentes graves problemas de gestão do serviço, para os quais o conselho de administração não teve outra solução que não a destituição do diretor do Serviço de Cardiologia”.
O conselho de administração adianta igualmente que David Durão “mantém-se em funções, nos quadros do CHMT”, já que a destituição “apenas tem implicações ao nível do seu cargo de diretor do Serviço””.
No comunicado, a administração indica também que a decisão de destituir David Durão do cargo de diretor do Serviço de Cardiologia foi tomada por maioria.
“A destituição e/ou a nomeação de um diretor de Serviço Hospitalar é um ato de gestão que se insere nas responsabilidades inerentes às funções de conselho de administração hospitalar, que é um órgão colegial que delibera por maioria”, lê-se ainda na nota.
David Durão considerou “inédito” o motivo apresentado para a sua demissão pelo conselho de administração. “O inédito disto é destituírem-me porque supostamente não consigo recrutar médicos, prestadores externos, para realizarem urgência na Unidade de Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes”, disse à Lusa o clínico, tendo recusado o argumento utilizado e lembrando que a sua nomeação, em 2021, “resultou de um concurso público e de um projeto de gestão avalizado” pela administração do CHMT.
Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 266 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, a par da Golegã, da Lezíria do Tejo, também do distrito de Santarém, Vila de Rei, de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.
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