Na sequência da passagem da tempestade Kristin, vários estabelecimentos de ensino do Médio Tejo registaram alterações ao seu funcionamento, devido a constrangimentos causados pela falha no fornecimento de energia elétrica e no abastecimento de água.
Em Abrantes, a ausência de condições levou ao encerramento, esta manhã, de várias escolas, enquanto noutros concelhos, como Alcanena e Sardoal, foram também adotadas medidas preventivas, com encerramentos temporários e reaberturas condicionadas à reposição dos serviços essenciais.
No concelho de Abrantes, contudo, depois de ontem as escolas terem funcionado normalmente, centenas de pais foram esta manhã surpreendidos com a informação de que os filhos não teriam aulas. Várias escolas do Agrupamento de Escolas n.º 1 encerraram esta manhã, na sequência dos constrangimentos provocados pela falha no fornecimento de energia elétrica e no abastecimento de água. Também a sede do Agrupamento de Escolas n.º 2 de Abrantes e a Escola Básica da Chainça encerraram, por não estarem reunidas as condições necessárias ao normal funcionamento.
Em declarações ao mediotejo.net, a diretora do agrupamento, Ana Rico, explicou que “a falha de fornecimento de energia elétrica gera também constrangimentos ao nível do fornecimento e do abastecimento da água”, situação que inviabiliza o normal funcionamento dos estabelecimentos de ensino. “Não estando reunidas as condições de salubridade para as escolas e de utilização das casas de banho, decidimos encerrar algumas escolas”, afirmou.
Assim, foram encerradas a Escola Dr. Solano de Abreu, a Escola D. Miguel de Almeida, a Escola Básica Rossio ao Sul do Tejo e a Escola Básica Maria de Lourdes Pintasilgo. Segundo Ana Rico, “todas as restantes tinham condições para estarem abertas e a funcionar”.
A decisão foi tomada durante a manhã, após uma avaliação contínua da situação. “Foi decidido esta manhã. Nós não podemos decidir isto no dia anterior, porque não temos conseguido fazer uma previsão do dia seguinte. Isto foi às 7 da manhã e depois, com o decorrer da manhã, fomos avaliando também com as informações das entidades competentes, em articulação com a Câmara Municipal”, explicou.
De acordo com a diretora, até ao momento, “ainda não temos água na Escola Dr. Solano de Abreu, tal como na Maria de Lourdes Pintasilgo”, sublinhando que a situação está a ser constantemente reavaliada. “Estamos sempre a avaliar, de acordo com aquilo que nos vão transmitindo e com as condições que estamos a ter na escola. Não conseguimos prever se continuará até amanhã”, referiu.

Ana Rico salientou ainda que, apesar da instabilidade no fornecimento de eletricidade, tem sido possível manter o funcionamento de algumas escolas. “A instabilidade da eletricidade já foi sentida ontem e hoje também em alguns períodos, mas permite-nos funcionar. Agora, realmente, o facto de não termos o fornecimento da água é logo uma condição”, frisou.
A ausência de água, explicou, compromete serviços essenciais. “É um constrangimento para o refeitório, para a abertura do bar e, nomeadamente, para a utilização das casas de banho. Isso inviabiliza logo o normal funcionamento das escolas e daí termos decidido hoje encerrar estas”.
Quanto ao dia de amanhã, a responsável adianta que será necessária nova avaliação. “Hoje até ao final da tarde vamos fazer um ponto da situação e, principalmente, aguardar pelo dia de amanhã, porque só amanhã conseguiremos avaliar tudo isso.”
A falta de fornecimento de eletricidade e de água levou também ao encerramento de duas escolas do Agrupamento de Escolas n.º 2 de Abrantes. Em declarações ao nosso jornal, a diretora do agrupamento, Isabel Alves, explicou que, das sete escolas que integram o agrupamento, apenas duas se encontram encerradas. “No nosso agrupamento temos sete escolas, mas apenas duas estão encerradas, que é a Escola Dr. Manuel Fernandes e a Escola Básica de Chainça”, afirmou.
Segundo a responsável, o encerramento deve-se à ausência de condições básicas de funcionamento. “Neste momento estão encerradas porque não temos nem eletricidade nem água. Portanto, por essa razão, como não podemos confecionar refeições nem utilizar as instalações sanitárias, tivemos que encerrar estas duas escolas”, explicou, acrescentando que “as restantes escolas do agrupamento estão todas a funcionar”.

Isabel Alves sublinhou que, no dia anterior, a situação era diferente. “Ontem a escola funcionou normalmente, portanto tínhamos luz e gás para fazer as refeições, conseguimos gerir tudo isso e aceitar os alunos e dar aulas todo o dia, de forma normal”, referiu.
A alteração ocorreu logo nas primeiras horas da manhã. “Hoje, pelas 7 e pouco da manhã, quando chegou a responsável dos assistentes operacionais à escola, começámos a perceber que não tínhamos nem eletricidade, portanto nem gás, nem água”, relatou.
Perante este cenário, foi feito um contacto com a autarquia. “Entrei em contacto com o senhor presidente da Câmara, fizemos um ponto de situação e decidimos que não tínhamos mesmo condições para funcionar, porque não tínhamos como dar assistência aos nossos alunos”, explicou.
Até ao momento, a situação mantém-se inalterada. “Continuamos exatamente com a mesma situação, sem eletricidade e sem água, e, portanto, não temos qualquer previsão ainda para o dia de amanhã”, afirmou a diretora.
Apesar da incerteza, o agrupamento está a preparar-se para uma eventual reabertura. “Estamos a fazer as encomendas acreditando que amanhã poderemos abrir a escola, mas até ao momento ainda não temos qualquer informação”, concluiu.

No concelho de Alcanena, “atendendo às limitações no fornecimento de energia e a outros constrangimentos”, os estabelecimentos de ensino encerraram na quarta-feira, permanecendo encerrados ao dia de hoje.
Já no concelho de Sardoal, a Creche Municipal e o Agrupamento de Escolas estiveram encerrados durante o dia de ontem, tendo reaberto esta manhã, após o restabelecimento da energia elétrica na vila de Sardoal.
“No entanto, importa referir que por eventual agravamento de alguma das condições críticas, tanto de circulação como de fornecimento de energia ou água potável, poderá vir a ser tomada outra decisão. Deste modo, agradecemos que se mantenham atentos às informações das Entidades oficiais”, refere o Gabinete Proteção Civil, Florestal e Bombeiros de Sardoal em nota divulgada.
Em Ourém e Ferreira do Zêzere, duas das zonas da região mais afetadas pela tempestade, as escolas também estão fechadas, mas devido a uma interrupção letiva já prevista.
*NOTÍCIA EM ATUALIZAÇÃO
