O seu falecimento repentino causou consternação junto da comunidade académica e científica, com o IPT a vestir-se de luto pela Técnica, Professora e Arqueóloga Ana Rosa Cruz. Nascida a 12 de Agosto de 1959, em Lisboa, foi casada com o arqueólogo, docente e investigador do IPT, Luiz Oosterbeek, tendo dois filhos em comum.

Participou em escavações e investigações importantes para a região do Médio Tejo, colaborou em diversos projetos com as autarquias da região, mas a título pessoal foi mantendo voz ativa pela defesa do património histórico local, tendo nos últimos anos entrado na defesa pela Anta do Vale da Laje, na aldeia de Vale da Laje, em Tomar, devido à construção de um empreendimento turístico construído a paredes-meias com aquele monumento megalítico. Na década de 90, no início da carreira, foi ali responsável por escavações naquele sítio arqueológico juntamente com Luiz Oosterbeek.

Muitas têm sido as manifestações de pesar e palavras de reconhecimento por alunos, colegas e amigos perante a partida da arqueóloga Ana Cruz. O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, manifestou o seu pesar na rede social Facebook. “Faleceu a professora Ana Rosa Cruz, coordenadora da nossa carta arqueológica de Vila Nova da Barquinha (http://www.cta.ipt.pt/…/carta-arqueologica_VNB-versao…) responsável pelos trabalhos realizados na Igreja de Tancos e colaboradora inexcedível do Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo – CIAAR – de Vila Nova da Barquinha. Ficámos mais pobres. Paz à sua alma!”.

Também a Unidade de Arqueologia do Departamento de Geologia da UTAD apresentou as suas condolências à comunidade do IPT, colegas, familiares e amigos. “A UTAD teve a honra de a ter como aluna de doutoramento e durante anos colaborou com a nossa instituição como professora do Mestrado Erasmus Mundus IPT UTAD. Perdemos uma grande profissional, uma professora que deixa saudades nos alunos mas acima de tudo uma grande amiga. Fica o trabalho publicado e as memórias dos bons tempos passados juntos”, pode ler-se.

Foto: DR

Do vasto currículo e repositório de trabalhos publicados, refira-se que Ana Rosa Gomes Pinto da Cruz concluiu a Licenciatura em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa em Julho de 1982. Frequentou cursos de especialização em Topografia Aplicada (Tomar/University College
London, 1989), Zooarqueologia (Tomar/University College London, 1991 e 1993) e Arqueobotânica (Tomar/University College London, 1993). Frequentou também o Mestrado de Arqueologia, Opção Paisagem e Planeamento, na Universidade do Minho com início em 1994.

Em 2011 finalizou o curso de Doutoramento “Quaternário, Materiais e Culturas” na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que iniciou em 2006, com a discussão pública de dissertação a decorrer no dia 05.04.2011, tendo tido aprovação com classificação de “Distinção e Louvor”.

Preparava agora a dissertação de Pós-Doutoramento na área da Arqueologia da Morte.

Ingressou no Ensino Superior Politécnico como Encarregada de Trabalhos na Escola Superior de Tecnologia de Tomar do Instituto Politécnico de Santarém a 1 de Abril de 1987. Integrou a carreira Técnica Superior em 27 de Julho de 1988.

No âmbito da carreira Técnica Superior coordenou a implementação do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da ESTT, o Laboratório de Pré-História da ESTGT, Centro de Pré- História do IPT, tendo sido nomeada em 1999 Directora do Centro de Pré-História do Instituto Politécnico de Tomar.

Coordenava e organizava as diferentes vertentes de atuação do Centro de Pré-História do IPT no âmbito do Ensino, Investigação, Minimização de Impactos, Gestão de Colecções Arqueológicas, Divulgação Didáctica, Interacção com os municípios do Médio Tejo.

Foto: mediotejo.net

Entre 1983 e 2014 dirigiu e co-dirigiu trabalhos de campo no Médio Tejo e na Estremadura, desenvolvidos com apoios de entidades nacionais (IPPC/IPPAR/IPA, Fundação C. Gulbenkian, Autarquias, ESTT, ESTGT, IPT) e internacionais (União Europeia – Direcções Gerais de Educação e Cultura, de Ambiente e de Investigação e Desenvolvimento – Universidade de Londres, Universidade de Gotland, União Internacional das Ciências Pré- e Proto-Históricas).

Entre 1987 e 2000 foi co-responsável por ações de formação e associativismo, em estreita
colaboração com o Instituto Português da Juventude.

Do seu currículo consta ainda docência do Curso Diploma de Estudos Superiores Especializados em Arte, Arqueologia e Restauro, do Curso de Estudos Superiores Especializados em Arte, Arqueologia e Restauro, no Curso de Bacharelato em Arte, Arqueologia e Restauro, no Curso de Tecnologia em Conservação e Restauro, no Curso de Gestão do Território e do Património Cultural, no Mestrado em Aplicações Informáticas à Arqueologia e ao Património Cultural, no Mestrado em Arqueologia Pré-Histórica e Arte Rupestre.

Colaborou na docência no Mestrado de Arqueologia Pré-Histórica e Arte Rupestre, integrando a Comissão de coordenação disciplinar do Mestrado em Arqueologia Pré-Histórica e Arte Rupestre, por nomeação do Conselho Científico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, sob proposta do Instituto Politécnico de Tomar.

Autora e co-autora de diversas publicações e artigos científicos, foi membro de diversas sociedades e associações científicas, foi co-editora das revistas anuais Techne e Arkeos, e também co-editora da Monografia BAR International Series 4648, 2014. Também dirigiu as revistas Ângulo – Repositório Didáctico, Antrope e O Ideário Patrimonial.

Vai a sepultar no cemitério de Marmelais, em Tomar, esta quarta-feira à tarde, dia 31 de agosto.

Aos familiares, amigos e comunidade académica do IPT o mediotejo.net endereça as mais sentidas condolências.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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