Há um assunto que me suscita grande preocupação enquanto cidadão, deputado da Nação e consumidor de informação: as denominadas “fake news” (notícias falsas) que muitas vezes contaminam a opinião pública. Uma mentira propagada muitas vezes transforma-se numa verdade e há um rastilho que se propaga e gera um sentimento de injustiça e de julgamentos inusitados em praça pública. As redes sociais incendeiam-se com questões cuja veracidade nem sequer é apurada. O leitor lê, assume que é verdade e julga.

As “fake news” colocam em causa a democracia. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem vindo a manifestar-se recorrentemente contra os media, chamando aos jornalistas o “inimigo do povo” mesmo quando estes reclamam mais liberdade de imprensa. As redes sociais vieram potenciar este fenómeno.

Hoje, um boato é facilmente disseminado através de partilhas por toda a aldeia global. Há um fenómeno de desinformação crescente porque quem lê também não tem muito tempo para apurar a veracidade dos factos. Lê, aceita a notícia como verdadeira e partilha-a, aumentando essa torrente de desinformação e gerando aquilo que chamo de populismos fáceis.

A maneira de combatermos este fenómeno das “fake news”, enquanto leitores, é usarmos o filtro do bom senso e questionarmos cada vez mais a informação que nos chega, antes de a partilharmos com alguém. Os agentes políticos e os jornalistas, têm aqui um papel fundamental pois tudo começa com a atitude de quem escreve. E quem escreve, tem sempre o direito e o dever de o fazer com verdade para o bem de todos nós.

Hugo Costa, 42 anos. Economista, deputado e presidente da distrital de Santarém do PS.

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