Finalmente as autoridades decidiram fazer uma campanha para explicar aos senhores condutores e às senhoras condutoras que não se circula na faixa do meio da autoestrada quando não há carros na faixa da direita.
Caso para dizer: Aluleia!
Talvez não seja caso para tanto, mas a verdade é que já se notam grandes diferenças. Quem circula todas as semanas na A1 já percebe que há menos condutores a fazer dezenas de quilómetros no meio da autoestrada sem irem a ultrapassar.
Isso é altamente irritante!
Verdade! Mas olhando para as pessoas que o fazem, percebia-se que são sobretudo gente com pouco experiência de condução.
Como é que vês isso em frações de segundo?
Basta olhar para as caras e para a posição dos corpos em relação aos volantes. Percebe-se tão bem. Como também se percebe que são pessoas que devem ter medo das mudanças de faixa, então vão sempre ali, direitinhos.
Quem conduz no meio alega que a faixa da direita é para os pesados.
Isso é em Espanha! Aqui não há distinções entre ligeiros e pesados. Há velocidades. Quem vai devagar tem que ir na direita. Cá por mim, quando os vejo ao longe, continuo pela faixa da direita mesmo que vá mais depressa.
Tens tido sorte! Sempre te disse que não o devias fazer. Se é gente sem experiência de condução, ou que simplesmente vai distraída, facilmente se pode assustar. Podem dar uma guinada para a direita. E aí as coisas podem correr mal para o teu lado.
Sei bem disso, mas também me parece que, tecnicamente, não se trata de uma ultrapassagem. Portanto, se isso acontecesse, defenderia até ao fim que quem muda de faixa é que é culpado. Porque nesse caso eu vou na autoestrada cumprindo a lei, seguindo na faixa mais à direita. Se me aproximo de um carro que vai mais devagar, mas na faixa do meio, eu limito-me a continuar na faixa da direita, acabando por ficar à frente do outro. Para mim, não é uma ultrapassagem. Simplesmente dou continuidade à minha marcha.
Parece que não é isso que tens que fazer. Tens que ir para a faixa da esquerda, passando pela do meio e voltando para a da direita.
Às vezes faço isso, mas nessas alturas não resisto a passar uma tangente ao carro que vai no meio e a empurrá-lo para a direita. Quase todos percebem e vão mesmo para a direita. Mas não me parece que tenha que ser uns condutores a ensinar os outros, daí ter ficado muito satisfeita quando soube que a GNR estava a fazer esta campanha. Como a mensagem se dispersou nos Média, chegou a muita gente.
Mas parece-me que só ouviste uma parte das notícias… É que, se continuares a ultrapassar pela direita, a multa e a penalização são muito maiores do que se fosses no meio.
Essa é mais uma daquelas coisas incompreensíveis. Quem é mais perigoso: um inexperiente ou distraído na faixa do meio ou alguém atento e consciente na faixa da direita?
Visto assim, é o da faixa do meio. A questão é tentar perceber se quem o faz se considera perigoso ou perigosa. Provavelmente acham é que pessoas como tu não deviam ter carta de condução.
Pois com esses posso eu bem! Como posso bem com quem acha que tem sempre razão, com quem se recusa a ver outras perspetivas, com quem não consegue ver para além da sua zona de conforto, com quem não consegue admitir que os outros podem estar certos.
Mas tu própria disseste que já se notam muitas diferenças na condução.
Pois disse, mas não acredito que tenha sido por darem razão à autoridade. O mais certo é que esta mudança de comportamentos tenha a ver com o medo das multas.
Isso é pior, é uma cedência em função da penalização e não da razão…
E isso só revela que ainda somos muito pequeninos… Nestas e noutras coisas!
