A Fabrióleo negou hoje qualquer responsabilidade por alegadas descargas ilegais na ribeira da Boa Água, em Torres Novas, assegurando ter investido 3,5 milhões de euros em estações de tratamento e requalificação ambiental.

“Exigimos que as autoridades verifiquem, de forma isenta e eficaz, os responsáveis pelas diversas formas de poluição no concelho”, refere a Fabrióleo – Fábrica de Óleos Vegetais, num comunicado em que nega “veementemente responsabilidade por alegadas descargas ilegais” em Torres Novas (distrito de Santarém).

A empresa diz ter sido “surpreendida” com a notícia de um mandado emitido pela Inspeção-Geral do Ambiente ordenando a “cessação imediata de descarga de águas residuais não titulada”, do qual afirma não ter sido notificada.

Fonte do gabinete do ministro João Matos Fernandes referiu na quarta-feira à Lusa que o mandado, cujo cumprimento está em fase de verificação, resultou de uma ação inspetiva realizada nos passados dias 07 e 08 de setembro.

Dessa ação inspetiva e de uma outra realizada a 27 de julho “resultaram dois relatórios de inspeção já homologados pelo ministro do Ambiente”, adiantou ao gabinete do governante, avançando que “foram igualmente realizadas diligências complementares, junto de 11 operadores económicos”.

A Fabrióleo esclarece ter sido “alvo de inúmeras inspeções durante os últimos anos, das quais resultaram três autos, que estão a ser contestados pelos meios adequados”, dado a administração considerar que “não existe matéria para qualquer procedimento”.

A empresa indica ter investido “3,5 milhões de euros em requalificação ambiental, apenas em equipamentos, sem ter em conta os custos da operação”.

A fábrica, acrescenta, está equipada “com uma ETAR [estação de tratamento de águas residuais] por sistema de evaporação de duplo estágio, em operação desde 1998, complementada por uma ETAR físico-química, a funcionar desde 2004”, a que acresceu, recentemente, uma ETAR biológica.

“Estes equipamentos fazem da Fabrióleo um dos maiores investidores privados em proteção no concelho de Torres Novas”, refere a administração, que decidiu “pedir a uma instituição científica credenciada uma auditoria ambiental à empresa e à zona envolvente”.

Além disso, sublinhou, está “a investir num sistema avançado de monitorização, passível de escrutínio público”.

Afirmando-se disponível para que a forma como são tratados os efluentes seja verificada, a Fabrióleo considera-se “objetivamente prejudicada nos processos de licenciamento e acusada publicamente como prevaricadora, sem que essa acusação seja confirmada pelas inúmeras investigações de que foi alvo”.

O conselho de administração da empresa diz ainda recusar “ser um bode expiatório num processo de claro aproveitamento político, em preparação de campanhas eleitorais que se avizinham, numa zona que, infelizmente, é conhecida por ser altamente problemática ao nível de descargas de efluentes ilegais, onde não existe rede de esgotos e onde estão implantadas diversas empresas e residências sem que exista uma fiscalização suficiente dos cursos de água”.


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Agência de Notícias de Portugal

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