Houve já uma primeira fase deste processo, concluída até 31 de março (que marca o fim do ano fiscal no Japão), com a saída de 15 trabalhadores. Tratam-se, em todos os casos, de rescisões por mútuo acordo, incidindo sobretudo em funcionários com mais de 60 anos, alguns dos quais ficaram a aguardar a reforma recebendo subsídio de desemprego.
Em Abrantes há uma quebra acentuada na produção, associada não só a dificuldades na economia global, mas também à redução da procura do principal produto fabricado pela empresa: o travão de tambor, cuja utilização tem vindo a diminuir.
A administração da empresa tem dialogado com os trabalhadores, dizendo-se empenhada na captação de novos produtos para a unidade portuguesa, nomeadamente no desenvolvimento de novas gerações de travões elétricos, embora, até ao momento, essa diversificação ainda não se tenha concretizado.
Do ponto de vista sindical, o processo não tem gerado grandes conflitos, sendo descrito pelos delegados sindicais contactados pelo mediotejo.net como “relativamente pacífico”, precisamente por envolver trabalhadores em fim de carreira. “Os que já negociaram a rescisão saíram contentes, porque receberam uma boa indeminização, alguns vão ainda receber subsídio de desemprego durante dois ou três anos e depois ficam reformados.”
No entanto, sobre os restantes trabalhadores paira um clima de apreensão quanto ao futuro da empresa, caso não exista uma rápida adaptação às necessidades do mercado e não sejam introduzidos novos produtos que substituam o atual foco produtivo.
Criada em 1982, em 2009 chegou a temer-se o encerramento da fábrica de travões em Alferrarede, no âmbito da reestruturação da Bosch a nível global, mas na altura, em declarações ao Jornal de Negócios, o administrador alemão, Rudolf Colm, salientou que “Abrantes é uma das melhores fábricas” da Bosch na Europa, “e isso será uma grande vantagem”.
Pouco depois a unidade da Bosch foi integrada no grupo holandês Chassis Brakes International (CBI), um dos maiores produtores mundiais do setor, que manteve em Abrantes a produção de travões e submontagens. Em 2019, a CBI foi comprada pela japonesa Hitachi e a fábrica passou a denominar-se Astemo Abrantes, S.A..
