O centro da vila de Ferreira do Zêzere ganhou uma animação diferente neste domingo, 5 de fevereiro, graças à 18.º edição da Feira de São Brás, um evento que pretende fazer uma recriação das feiras dos anos 30, com os participantes trajados à época e onde se mostram alguns objetos e tradições do antigamente. O tempo ensolarado ajudou à festa e a moldura humana que invadiu o recinto agradou à Junta de freguesia de Ferreira do Zêzere que organiza o evento há 8 anos consecutivos.

Margarida Alberto e Ana Maria Garcês, monitoras do CRIFZ, trajaram a rigor Foto: mediotejo.net

O chapéu de rede, o casaco debruado e os óculos redondos sem lentes dão nas vistas a quem passa na barraquinha do CRIFZ – Centro Recuperação Infantil de Ferreira do Zêzere, toda ela decorada à época. Margarida Alberto e Ana Maria Garcês, monitoras da instituição que dá apoio a 50 pessoas, são as protagonistas. “Estas roupas são todas elas emprestadas por particulares. Alguma tinha em casa do meu pai, dentro dos baús. Abrimo-los e encontramos coisas engraçadas que emprestamos umas às outras”, contam. Mas nem toda a indumentária se encontra e há que improvisar. As saias, por exemplo, foram feitas no tear do CRIFZ. O fato de estarem vestidas com trajes de época ajudam-nas a entrar no espírito da festa. “Sentimo-nos mal é se não nos vestirmos assim”, atestam.

Figurantes na barraquinha da Junta de Freguesia de Ferreira do Zêzere Foto: mediotejo.net

Um pouco mais adiante, com a música do folclore em fundo, voltamos a cruzar-nos com mais figurantes da Feira de São Brás. Na barraquinha da Junta de Freguesia, onde mais podia ser, encontramos um grupo de cinco pessoas vestidas a rigor. Nos anos 30, o estilo formal dominava entre os homens. Pobre ou rico, utilizavam-se roupas sociais, sendo que a forma para diferenciá-los era baseada na qualidade dos tecidos. Um outro acessório muito utilizado eram chapéus para homens, a cara da moda masculina antiga.

“Fizemos uma pesquisa e tentamos recriar o vestuário da época. Uns haviam lá por casa, outros fatos foram adaptados, outros confecionados de propósito para esta ocasião”, atesta Sofia Marques, secretária da junta. Os chapéus também são uma relíquia. “Esta é uma feira que tem vindo a crescer de ano para ano e tentamos que exista cada vez mais rigor e que as barracas estejam decoradas à época. Só assim é que faz sentido esta feira. As pessoas gostam muito e os participante também”, refere.

Pedro Alberto (2.º à direita), presidente da junta de Ferreira do Zêzere, faz questão de trajar a rigor Foto:mediotejo.net

A cartola de Pedro Alberto, presidente da junta de Ferreira do Zêzere, dá nas vistas no meio dos convivas. O autarca faz questão de vestir a rigor a cada Feira de São Brás. “Fizemos uma pesquisa dos trajes daquela época, que tentámos arranjar entre familiares e amigos. Não é tudo meu, alguns foram emprestados com o objetivo de os mostrarmos a quem nos visita”, disse, acrescentando que o que tem vestido é mesmo um  traje antigo que foi resgatado do baú, no meio de pó e teias de aranhas. O autarca refere que este ano as associações foram sensibilizadas a aprimorarem a decoração do seu stand e os trajes dos participantes, atribuindo-se um prémio à melhor barraquinha.

 

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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