Os tons verdes da idílica paisagem do Lago Azul contrastaram com o vermelho vivo das dezenas de viaturas de emergência que se encontravam estacionadas junto à albufeira do Castelo do Bode, em Ferreira do Zêzere, na chuvosa manhã deste sábado, 3 de dezembro. Foi neste local que cerca de 250 operacionais participaram num simulacro de um incêndio numa embarcação turística do grupo José Cristóvão.
Apesar de se tratar de um exercício, tudo foi preparado para parecer muito real. Desde os meios que atuavam na água, até às comunicações feitas via rádio, ao resgate das “vítimas” – neste caso, um grupo composto por cerca de 40 escuteiros de Ferreira do Zêzere – não faltando ainda a criação de um Comando de Operações, de um serviço de apoio psicossocial para os familiares das vítimas e até de um serviço de imprensa para dar conta do evoluir da situação.

Mário Silvestre, comandante distrital dos Bombeiros de Santarém, disse ao mediotejo.net que o exercício visou testar o plano de emergência interno e as reacções próprias da tripulação do São Cristóvão que, não sendo capazes de controlar a ocorrência que tiveram têm que acionar os meios de socorros externos. “O que estamos a simular é um cenário complexo. Temos 40 pessoas a bordo que vamos evacuar, pessoas que se atiraram à água e, simuladamente, dois afogados”, referiu, acrescentando que também vai ser testada toda a resposta do dispositivo de proteção e socorro que ocorrerá, em situação normal, numa operação destas.
De acordo com Mário Silvestre, foi a primeira vez que se fez um simulacro com o Barco São Cristóvão. “Como todos os simulacros que se fazem, os desafios que são colocados são sempre um pouco acima do que seria normal. Um exercício passa por à prova as nossas capacidades intrínsecas e iniciar um processo de melhoria contínua”, referiu.

Presente no “Posto de Comando”, erguido no ponto mais alto daquele local, Paulo Alcobia das Neves, vice-presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, representava a Proteção Civil de Ferreira do Zêzere, o concelho escolhido para a realização deste grande exercício.
“Ferreira está sempre disponível para exercitar e treinar, através de simulacros, aquilo que a Proteção Civil entende como necessário. Este é mais um que nós abraçámos, a nível distrital, e que penso que nunca tinha sido feito em Ferreira do Zêzere, numa embarcação no rio, com vítimas”, referiu. O autarca conta que a autarquia de Ferreira do Zêzere ajudou a preparar o exercício, nomeadamente no reconhecimento das condições existentes para a sua execução.

De acordo com o mesmo, os escuteiros de Ferreira do Zêzere mostraram-se desde logo disponíveis para participar voluntariamente neste simulacro. “Felizmente, quando é dado o grito de chamada, as pessoas respondem. Os escuteiros tem estado sempre presentes em muitos eventos que fazemos e mais uma vez aqui estão”, complementa.
No exercício foram colocadas em ação várias valências de diferentes serviços e forças, tais como mergulhadores, operacionais da emergência pré-hospitalar ou a evacuação de passageiros com recurso a embarcações de socorro.
