Centro de Saúde em Constância. Créditos: Ricardo Escada

A Extensão de Saúde de Montalvo, em Constância, está sem médico de família. A única médica que dá consultas naquela Extensão “encontra-se em baixa médica por tempo indeterminado”, confirmou ao nosso jornal o presidente da Câmara Municipal, Sérgio Oliveira (PS). Mas a Extensão de Saúde não fechou completamente, porque continua a garantir consultas de enfermagem, assegurou ao autarca a Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo.

São três os médicos de Medicina Geral e Familiar a prestar cuidados médicos no concelho de Constância; um em Santa Margarida da Coutada, outro em Constância e outro em Montalvo.

Embora para Sérgio Oliveira essa contabilidade não possa ser feita de forma negativa, uma vez que Constância “não tem sido dos concelhos com situações mais gritantes” no que toca à permanência de médicos de família, o autarca deu conta que “as interrupções” existentes no Centro de Saúde da vila e das respetivas Extensões nas freguesias “não têm sido muito longas”.

No entanto, o edil afirmou desconhecer quanto tempo Montalvo estará sem médico de Medicina Geral e Familiar, sendo que a ULS do Médio Tejo indicou, ontem [quarta-feira] que a médica estará ausente “uns meses”, porque “os médicos também ficam doentes e tiram férias”, admitindo a complexidade da situação mas apelando à “compreensão das pessoas. Todos sabem as enormes dificuldades que existem no País em conseguir médicos”, nota.

A Extensão de Saúde de Montalvo conta então com uma médica, que dá consultas naquele equipamento “duas vezes por semana” e a solução passa, para já, pela deslocação dos utentes ao Centro de Saúde de Constância. O autarca reconhece que “uma única médica na sede de concelho não conseguirá dar resposta” também aos utentes de Montalvo, situação que tenderá a agravar se a inexistência de médico naquela freguesia se prolongar.

Portanto, admitindo que a médica de Montalvo “não vai ser fácil de substituir”, a autarquia “apesar da competência não ser da Câmara Municipal” procura neste momento, “através dos contactos que tem”, saber “se existem médicos disponíveis para assegurar pelo menos um dia por semana em Montalvo” isto porque, diz Sérgio Oliveira, “as pessoas estão primeiro”.

“Hoje, amanhã é sexta-feira, para a semana… estamos a tentar resolver o problema”, garantiu.

Sérgio Oliveira esclareceu ainda que a Câmara Municipal “não contratou nenhum médico para Santa Margarida. O clínico foi contratado pelo Governo, pois é a este que compete fazê-lo. A Câmara Municipal apenas lhe está a dar um incentivo mensal”, como atrativo para a fixação do clínico naquela freguesia.

Em Portugal mais de 1,7 milhões de pessoas não têm médico de família, as autarquias têm tentado solucionar a falta de médicos oferecendo incentivos a estes profissionais de saúde com o objetivo de os fixar, nos centros de saúde dos concelhos.

O projeto ‘Bata Branca’ também tem garantido consultas a muitos utentes dos concelhos do Médio Tejo, como aconteceu em Abrantes, Torres Novas ou em Ourém onde, neste último caso, e desde junho do ano passado, o projeto garantiu 12.500 consultas a utentes sem médico de família.

No ano passado, o então ACES Médio Tejo abriu concurso com 37 vagas para médicos de família mas só três vagas foram preenchidas.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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