Foto: mediotejo.net

Patente no Complexo Cultural da Levada, em Tomar, até dia 2 de outubro, a exposição “A Festa dos Tabuleiros, o Património Cultural e a Comunidade”, pretende contribuir para a salvaguarda e divulgação desta manifestação patrimonial e possibilitar aos visitantes saber mais sobre os diferentes ciclos históricos da Festa dos Tabuleiros.

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Com cerca de um dezena de pessoas a integrar uma visita orientada no dia 26 de agosto, André Camponês, investigador que coordena cientificamente a candidatura e integra o Gabinete de Museologia e Património Cultural da Divisão de Turismo e Cultura do Município de Tomar. foi explicando os principais ciclos e acontecimentos da Festa dos Tabuleiros, desde o seu início até aos dias de hoje, fazendo menção às principais datas, nomes e registos que foram marcando a história e o percurso da festa maior de Tomar.

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Ao longo da sua exposição, notoriamente de grande conhecimento e profundidade, o investigador enalteceu a Festa dos Tabuleiros como uma festividade “resiliente”, bem como a importância dos diferentes “saber fazer” para a manutenção e sustentabilidade desta festa, nomeadamente entre os saberes de oleiros, latoeiros, cesteiros, entre outros, que dão a imagem à festa que todos nós lhe reconhecemos.

Daí que André Camponês refiras as medidas de salvaguarda que o município tem levado a cabo e que fazem parte de um projeto conjunto com o Instituto Politécnico de Tomar, o Techn&Art, sendo que o município “já promoveu uma iniciativa de salvaguarda às artes tradicionais, que tem produzido efeitos, através de uma linha de financiamento que é o programa EDP Tradições que nos tem permitido revitalizar e salvaguardar as artes que estão relacionadas com a festa, cestaria, olaria e latoaria, principalmente essas, que carecem de uma salvaguarda”, disse André Camponês ao nosso jornal.

O responsável pela investigação e recolha documental da candidatura, explicou-nos depois que esta se encontra a decorrer desde 2019, altura em que o município de Tomar encetou diligências no sentido de lançar a candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património Nacional, visando posteriormente candidatar a festividade também a Património Imaterial da Humanidade da Unesco, sendo que “neste momento estamos a aguardar por ordens da DGPC, no fundo para utilizar um canal, o software, onde é debitada a informação para podermos nós também colocarmos a informação do pedido de aperfeiçoamento que a DGPC nos endereçou”, explicou.

“Portanto julgo que as coisas estão bem encaminhadas e que em breve teremos notícias relativamente à candidatura a património nacional, e depois pensaremos posteriormente sobre a candidatura a património imaterial da Unesco”, disse ainda André Camponês.

André Camponês, antropólogo e responsável pela investigação e recolha documental que integram a candidatura da Festa do Tabuleiros a Património Imaterial da Humanidade da Unesco. Foto: mediotejo.net

Mas o investigador não esquece quem faz esta que é uma das festas de maior envergadura do país, a comunidade, pelo que considera “justo” referir a importância que esta desempenha na sua participação.

Esta candidatura é assim também “importante para os tomarenses verem reconhecido o esforço de vários anos na dinamização da Festa dos Tabuleiros”, a qual é uma festa “imponente” onde “uma maioria significativa da comunidade está envolvida e embebida nas dinâmicas preparatórias da festa”, que começam um ano e meio antes com a eleição do mordomo.

Nesse sentido, notou, “a elevação da festa a património nacional e porventura a património imaterial da humanidade é um prémio justo para a comunidade”.

“É um reconhecimento importante, para a comunidade principalmente, e trará também para Tomar um facto importante: é que já existe o Convento de Cristo classificado como património da humanidade na categoria de património cultural imóvel, e ter mais uma manifestação, neste caso na categoria de património imaterial, seria um valor acrescentado para a cidade, turística e culturalmente”, notou.

A exposição, além de contemplar as principais etapas ou ciclos históricos da festa, permite ainda aos visitantes visualizarem vídeos com mais de 60/70 anos e entrar em contacto com todo o património que está associado ao evento, desde as artes tradicionais aos trajes, passando pelo património imaterial, pelo que “existe aqui um conjunto de elementos que permitem que o visitante adquira vários conhecimentos sobre a festa dos tabuleiros. Esse é o alvitro que deixo, quem quiser conhecer a festa dos tabuleiros, esta é uma exposição ou uma oportunidade para conhecê-la”, referiu ainda André Camponês ao nosso jornal.

A exposição, que conta com a informação traduzida para inglês, é visitável até dia 2 de outubro, de terça-feira a sexta-feira (14h00-18h00) e aos sábados e domingos entre as 10h00 e as 13h00 e das 14h00 às 18h00. Vai ainda decorrer uma nova visita orientada no dia 30 de setembro, uma sexta-feira, às 17h00.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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