Uma exposição temporária inaugurada em dezembro no Museu de Arte Pré-Histórica de Mação assinala os 25 anos da descoberta do “cavalo do Ocreza”, a primeira gravura paleolítica identificada no concelho e marco que abriu caminho à revelação de dezenas de novos registos rupestres ao ar livre no vale do Tejo.
A mostra abriu num momento em que Mação acolheu também o workshop europeu TupART e a Assembleia Geral da Associação Caminhos da Arte Rupestre Pré-Histórica (CARP), reunindo mais de meia centena de investigadores e gestores de sítios rupestres de vários países no Centro Cultural Elvino Pereira.
Na sessão inaugural, o presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, sublinhou que a descoberta de 2000 representou “um ponto de viragem na valorização da identidade arqueológica do concelho”, lembrando que a arte rupestre local “resistiu ao tempo” e continua a convocar “reflexão e conhecimento”.
O autarca destacou ainda a necessidade de complementar o investimento científico e museológico com uma “política de retorno”, atraindo mais alojamento e restauração para reforçar o impacto económico do turismo cultural.





Luiz Oosterbeek, responsável pelo Instituto Terra e Memória e pelo Museu de Mação, recordou que as primeiras prospeções no vale do Ocreza remontam a 1972, aquando da construção da barragem do Fratel.
Mas foi em 2000, durante obras do IP6 (hoje A23), que surgiu a gravura paleolítica do cavalo sem cabeça, a primeira identificada abaixo do Douro e o achado que abriu a porta ao reconhecimento da arte rupestre ao ar livre na bacia do Tejo.
Sara Garcês, arqueóloga e investigadora do Politécnico de Tomar, sublinhou que o Ocreza é hoje apontado como “provavelmente o maior sítio de gravuras paleolíticas ao ar livre da Península Ibérica”.
Desde 2000 foram registadas mais de uma centena de gravuras, de diferentes épocas, quatro delas do Paleolítico Superior — incluindo dois auroques (2021 e 2023) e um novo cavalo identificado em 2024.

As descobertas impulsionaram também a renovação do Museu de Mação, que, após um processo participado por mais de 800 habitantes, adotou a designação de Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo.
O trabalho realizado desde então, pelo Centro Europeu de Investigação da Pré-História do Alto Ribatejo, definiu três prioridades: proteção das gravuras, divulgação e identificação de novos conjuntos rupestres.







A mostra “A Arte Rupestre do Vale do Ocreza – 25 Anos da Descoberta” estará patente no Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo de Mação até final de maio de 2026.
A exposição reúne imagens, materiais de investigação e novas leituras sobre este património excecional, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar o passado e compreender porque este vale continua a ser uma referência para investigadores de toda a Europa.
Esta mostra celebra um quarto de século desde que os primeiros gravados paleolíticos do Ocreza vieram à luz, um achado que transformou o conhecimento sobre a pré-história da região e colocou Mação no mapa europeu da arte rupestre.

Com o alojamento totalmente esgotado no concelho durante os três dias do encontro, Mação acolheu não só a inauguração da exposição como também o workshop europeu TupART, dedicado à gestão, conservação e valorização de arte rupestre, e a Assembleia Geral da Associação Caminhos da Arte Rupestre Pré-Histórica (CARP), que reuniu investigadores e responsáveis por sítios rupestres de vários países europeus.
Estes dois eventos internacionais reforçaram o papel de Mação como referência europeia no estudo e proteção da arte pré-histórica ao ar livre, tendo sido anunciada uma cátedra dedicada à arte rupestre. O Instituto Politécnico de Tomar (IPT) lançou em Mação a primeira Cátedra de Arqueologia Rupestre da Europa, iniciativa pioneira que visa consolidar a disciplina, desenvolver infraestruturas de investigação de excelência e criar programas académicos inovadores com projeção internacional.
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Entretanto nas proximidades da aldeia do Caratao existem os sítios de Cobraganca e Castelo Velho que votados ao mais completo abandono que quase nem acessos têm.