O exercício CELULEX, conduzido a partir do Regimento de Engenharia n.º 1, em Tancos, decorreu entre os dias 29 de setembro e 3 de outubro, tendo envolvido cenários de treino em Castelo de Bode, Entroncamento, Aeródromo Militar de Tancos e Escola D. Maria II, em Vila Nova da Barquinha, onde decorreu a fase final, com demonstrações abertas à comunidade escolar.
Organizado anualmente desde 2012, o CELULEX “tem gerado uma crescente atratividade junto de países aliados”, segundo o Exército, e contou este ano com a participação de mais de 20 entidades nacionais, entre as quais a ANEPC, GNR, PSP, Polícia Judiciária, ULS Médio Tejo, APA, Instituto Superior Técnico e Instituto Nacional de Medicina Legal, além da Brigada de Extremadura do Exército espanhol e de observadores franceses.
“Treinar para uma ameaça que continua real”
O Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, sublinhou a relevância estratégica do exercício, afirmando que “esta ameaça continua real, em ambiente militar e também civil”, e que “o Exército tem a responsabilidade de garantir que os seus militares estão devidamente treinados, protegidos e equipados”.




“O CELULEX é essencial para assegurar o treino da nossa capacidade e garantir que os militares sabem operar os equipamentos e reagir a uma ameaça NBQ”, afirmou o general.
O responsável destacou ainda a importância da cooperação interinstitucional: “Este é o maior exercício nacional neste domínio. É o único que reúne todas estas agências sob um mesmo comando para responder a uma ameaça NBQ. Isso é uma mais-valia enorme para o país e contribui para que todos nós, cidadãos, nos sintamos mais seguros.”

ÁUDIO | EDUARDO FERRÃO, CHEFE ESTADO MAIOR DO EXÉRCITO:
Questionado sobre a necessidade de reforço de meios nesta área, o CEME destacou a qualificação técnica e científica das equipas do Exército. “Temos cerca de 80% do nosso pessoal nesta área com doutoramentos ou doutoramentos em curso. São reconhecidos internacionalmente, lideram formação nas Nações Unidas e na União Europeia e participam em múltiplos projetos de investigação e desenvolvimento. A interoperabilidade com aliados e a atualização constante são fundamentais.”
Cenários realistas para testar a interoperabilidade
O coordenador do exercício, coronel de Engenharia Artur Caracho, explicou que a seleção dos locais teve em conta a relevância estratégica e securitária do Médio Tejo, uma região “com densidade populacional considerável, importantes vias de comunicação e proximidade à central nuclear de Almaraz”.




“Procurámos recriar situações possíveis de acontecer. São cenários de baixa probabilidade, mas de elevada severidade, caso se verifiquem”, referiu o coronel, destacando a “importância ambiental e económica” da região.
Entre os incidentes simulados estiveram a contaminação biológica na barragem de Castelo de Bode, a libertação de um agente nervoso num comboio no Entroncamento e a queda de uma aeronave com material radiológico em Tancos.

ÁUDIO | ARTUR CARACHO, COORDENADOR DO EXERCÍCIO CELULEX:
O coordenador acrescentou que o principal objetivo é o treino conjunto e a interoperabilidade entre forças: “Cada entidade identifica as suas lições e atualiza os seus planos. Há sempre aspetos a melhorar e o exercício permite ajustar procedimentos e reforçar a cooperação interagências.”
Laboratório militar testa inovação e formação internacional
A Unidade Militar Laboratorial de Defesa Biológica e Química (UMLDBQ) teve papel central no exercício, com funções de treino, condução e avaliação, segundo o seu comandante, tenente-coronel Júlio Carvalho.
“A unidade congrega as componentes laboratorial, operacional e de investigação e desenvolvimento. No CELULEX testamos não só os procedimentos, mas também equipamentos que estão a ser desenvolvidos em projetos de inovação”, explicou.







O responsável sublinhou ainda o reconhecimento internacional da UMLDBQ e o contributo português para a formação especializada no âmbito da ONU e da NATO.
“Portugal é o país responsável pelo treino avançado em descontaminação dos peritos das Nações Unidas. Também lideramos formação em biossegurança e bioproteção na CPLP e participamos em exercícios da NATO como o Vigorous Warrior e o Clean Care”, declarou.

ÁUDIO | JÚLIO CARVALHO, UNIDADE MILITAR LABORATORIAL NBQ:
Segundo o tenente-coronel Júlio Carvalho, estas participações internacionais “mantêm o aprontamento e a prontidão das equipas” e permitem “posicionar Portugal como referência no domínio da descontaminação e resposta a ameaças NBQR”.
Segurança e conhecimento partilhado
A edição de 2025 do CELULEX encerrou na Escola D. Maria II, com uma demonstração de capacidades destinada a sensibilizar jovens para a importância da proteção civil e da defesa NBQR, reforçando a ligação entre o Exército e a comunidade civil.
“Trata-se de um exercício que alia segurança, ciência e cooperação”, resumiu o general Mendes Ferrão. “O que aqui se treina é a capacidade do país responder, com eficácia e em tempo útil, a uma ameaça real.”





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