O Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, vai ser transformado num campo de experimentação tecnológica entre 17 de junho e 05 de julho, com o exercício ARTEX a envolver 32 projetos de 18 empresas, públicas e privadas, anunciou o Exército.
O objetivo é a “modernização” das Forças Armadas, com o Exército a testar em três semanas, nos 67 hectares do campo militar de Santa Margarida, 32 soluções tecnológicas consideradas como “militarmente relevantes” em diversos sistemas, sendo de destacar 12 experimentações com sistemas aéreos não tripulados (drones), três com sistemas anti-drone, cinco sistemas terrestres não tripulados, cinco sistemas de comando e controlo, seis no âmbito de sistemas de proteção, explosivos e energia, e um no âmbito do treino.
Em declarações à Lusa, o Chefe de Estado Maior do Exército (CEME) disse que o evento é “relevante para identificar soluções para colmatar lacunas nas capacidades da força terrestre e dar continuidade ao processo de modernização” do Exército, bem como para “potenciar as atividades de investigação e desenvolvimento de entidades públicas e privadas” do Sistema Científico e Tecnológico Nacional e da Base Tecnológica e Industrial de Defesa.
“O ARTEX (Army Technological Experimentation), já na sua segunda edição, é fundamental para a modernização e eficácia do Exército, promovendo avanços tecnológicos, fortalecendo parcerias e garantindo a preparação para os desafios do futuro”, disse o general Mendes Ferrão, para quem este exercício “constitui um fórum singular” numa parceria com várias entidades.

Por um lado, salientou, “permite à Academia e às empresas testarem equipamentos e protótipos, em ambiente militar, e fazer evoluir ideias, conceitos e protótipos, fruto da experiência e conhecimento também residente no Exército”, e por outro lado, acrescentou, “é uma excelente oportunidade para fomentar a inovação ao criar um ambiente propício para o desenvolvimento tecnológico, assegurando uma plataforma para que novas ideias e tecnologias sejam experimentadas e refinadas, antes da produção em larga escala”.
O ARTEX, segundo o general CEME, “facilita, ainda, a colaboração entre o Exército e as entidades da base tecnológica e industrial de defesa, bem como a colaboração com as universidades e os centros de investigação, parcerias estratégicas e vitais para o avanço tecnológico e a implementação de soluções de ponta” de âmbito militar.

“De facto, através do teste e avaliação de novos equipamentos, o Exército pode melhorar as suas capacidades operacionais, nomeadamente a sua eficiência e eficácia em combate, proporcionando, em paralelo, uma oportunidade para que os militares se familiarizem com novas tecnologias e equipamentos, melhorando a sua preparação e capacitação para o uso desses recursos em situações reais”, destacou Mendes Ferrão, tendo apontado a um “ciclo de desenvolvimento contínuo e alinhado com as necessidades do Exército”.
Para o efeito, o Exército coloca ao dispor a sua área de treino em Santa Margarida, com um total de 67 quilómetros quadrados (km2), para a testagem das soluções tecnológicas dos participantes, bem como “unidades terrestres que simulam operações militares, através de um cenário, de forma a testar a utilidade e a maturidade das soluções tecnológicas”.
A condução do ARTEX 24 está a cargo do Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército, apoiado pelo Comando das Forças Terrestres, através do Centro de Capacitação Tática, Simulação e Certificação (CCTSC) e da Brigada Mecanizada.

O Exército anunciou à Lusa em abril um investimento de 4,3 milhões de euros (ME) na construção de um Centro de Capacitação Tática, Simulação e Certificação (CCTSC) no Campo Militar de Santa Margarida, no âmbito da estratégia de modernização.
“Nós temos previsto, no âmbito do programa e da estratégia de inovação no Exército (…) e, relativamente aqui a Santa Margarida, edificar o seu Centro de Capacitação Tática e de Simulação, um projeto de fundo que pretendemos ver implementado com financiamento da Lei de Programação Militar (LPM) num valor de cerca de 04 ME”, disse à Lusa o chefe de Estado-Maior do Exército (CENE), à margem do Dia da Brigada, assinalado em abril último.
Segundo o general Mendes Ferrão, o CCTSC constitui-se num “catalisador” da “modernização e transformação da Força Terrestre, contribuindo para a introdução de meios e tecnologias no Exército”, e para o “desenvolvimento das suas capacidades e para a preparação, aprontamento e certificação” a partir de Santa Margarida.
“Vamos requalificar infraestruturas que aqui temos e pretendemos com isso ter aqui sistemas de simulação do mais avançado que existe no mundo, numa parceria, quer com a Academia, quer com a indústria, que pretendemos também seja internacionalizado, isto é, tirando partido de toda esta infraestrutura que aqui temos, disponibilizar também para os nossos aliados”, declarou.
Congregando em si a coordenação da simulação no Exército, o CCTSC “assumirá a responsabilidade de desenvolver a área vocacionada para o treino com recurso a meios de simulação”, com o objetivo de “incrementar a eficácia operacional de forças, através da conjugação de áreas vocacionadas para a simulação virtual, construtiva e real”, indicou à Lusa fonte do Exército.
O CCTSC, acrescenta, irá ainda “constituir-se como um elo da cadeia de desenvolvimento de protótipos, sistemas e equipamentos”, projeto entendido como “fundamental” para, “com base na experiência de militares e forças do Exército, contribuir com informação adequada para o desenvolvimento final de tecnologias passíveis de aplicação militar” terrestre.
“Pretendemos com isso (CCTSC) não só adquirir uma capacidade de simulação que nos confere mais realismo ao treino, mas também mais economia e segurança, com ganhos de eficiência, na gestão dos recursos, e na eficácia, na qualidade das tropas que queremos ter preparadas”, vincou o CEME.
Por outro lado, notou o general Mendes Ferrão, o objetivo é que o futuro Centro de Capacitação Tática, Simulação e Certificação “sirva não só as forças do Exército português mas sirva também como mecanismo de atração para treinar forças de outros países”.

O ARTEX, a decorrer entre 17 de junho e 05 de julho, está organizado em três fases. Na fase I (19 a 24 de junho), o Exército disponibilizará o espaço terrestre, aéreo, bem como o espectro eletromagnético para o efeito, onde os participantes irão realizar as experimentações de forma individual.
Na fase II (25 a 28 de junho), as soluções tecnológicas dos participantes irão ser integradas num cenário tático de teste, no qual contribuirão para a execução de operações militares.
Na fase III (01 a 04 de julho), algumas entidades irão realizar experimentações que envolvem fogos reais, com testes à integridade de proteção balística, testes com explosivos, testes de loitering munitions e testes com granadas de artilharia inertes, com o Exército a disponibilizar as carreiras de tiro e diversas forças de cenário.
No dia 05 de julho serão apresentadas as atividades realizadas e as conclusões do exercício, sendo ainda realizada uma exposição e efetuada a entrega dos certificados de participação.

c/LUSA
