O Exército Português e o Município de Vila Nova da Barquinha formalizaram na quinta-feira uma adenda ao protocolo de cooperação para o Centro Interativo das Tropas Paraquedistas, projeto destinado a preservar e divulgar a história dos paraquedistas portugueses através de um novo espaço museológico a instalar no Regimento de Paraquedistas, no Polígono Militar de Tancos.
A cerimónia decorreu nos Paços do Concelho e contou com a presença do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, que considerou o projeto um exemplo da cooperação entre instituições em prol da valorização do património histórico-militar nacional.
O novo documento formaliza um reforço financeiro de 50 mil euros por parte do Exército Português, destinado a suportar os encargos do novo concurso público da empreitada, permitindo avançar para a fase de execução da obra, adjudicada esta semana pelo Município de Vila Nova da Barquinha.
“Esta adenda assume particular relevância por reforçar a participação financeira do Exército Português, criando condições necessárias para avançarmos com a empreitada”, afirmou o presidente da Câmara Municipal, Manuel Mourato.

Segundo o autarca, o contrato da obra deverá ser assinado nos próximos dias, iniciando-se depois o prazo de execução de 180 dias.
O investimento global situa-se entre os 620 mil e os 700 mil euros e beneficia de financiamento através da linha +Interior Turismo, do Turismo de Portugal.




O projeto prevê a transformação da atual Coleção Visitável das Tropas Paraquedistas num centro interpretativo moderno e tecnologicamente evoluído, integrando conteúdos multimédia, realidade virtual, experiências imersivas, audioguias, recursos digitais e soluções de acessibilidade para diferentes públicos.
A intervenção contempla ainda a requalificação do edifício existente, a modernização das infraestruturas técnicas e a criação de um novo percurso museológico dedicado à história das Tropas Paraquedistas, desde a sua criação até às missões desenvolvidas em diferentes teatros de operações.

Durante a apresentação do projeto foi sublinhado que o futuro equipamento pretende afirmar-se não apenas como espaço museológico, mas também como polo de conhecimento, investigação, educação e atração turística, contribuindo para a valorização do património militar português e para a dinamização cultural e económica do concelho.
O Centro Interativo das Tropas Paraquedistas resulta de uma parceria estabelecida em maio de 2024 entre o Exército Português, o Município de Vila Nova da Barquinha, o Pára-Clube Nacional “Os Boinas Verdes” e a União Portuguesa de Paraquedistas.
Para Eduardo Mendes Ferrão, o projeto permitirá dar maior visibilidade à história e ao legado das Tropas Paraquedistas, criando um espaço à altura da importância que estas forças tiveram e continuam a ter nas Forças Armadas portuguesas.
“O que vai nascer aqui é uma coisa lindíssima”, afirmou o CEME, defendendo que o novo centro contribuirá para preservar a memória dos paraquedistas e para atrair visitantes no âmbito do turismo militar.

Questionado pelos jornalistas sobre a data de inauguração, o general admitiu que a data simbólica desejada para a abertura oficial do equipamento é 23 de maio de 2027, dia em que se assinalam as comemorações dos 71 anos das Tropas Paraquedistas.

O responsável revelou ainda que o projeto desenvolvido em Vila Nova da Barquinha está a servir de referência para iniciativas semelhantes noutros pontos do país, no âmbito da estratégia do Exército para valorização e divulgação do património histórico-militar.
Segundo Eduardo Mendes Ferrão, já existem protocolos assinados ou em preparação com municípios como Viseu, Tomar, Caldas da Rainha, Bragança e Chaves, numa aposta que pretende tornar mais acessível ao público a história militar portuguesa e reforçar a ligação entre as Forças Armadas e as comunidades locais.
O Chefe do Estado-Maior do Exército apontou ainda a intenção de avançar com novos projetos museológicos na Barquinha, nomeadamente um espaço dedicado à Engenharia Militar e ao Corpo Expedicionário Português, com o Centro de Interpretação da Cidade de Pau e Lona, evocando a ligação histórica da unidade ao território do Médio Tejo.

Como exemplo dessa presença militar e com episódios ainda pouco conhecidos, referiu a antiga Estação Elevatória de água em Constância, ainda existente, lembrando que o abastecimento da vila era assegurado pelo Exército, sublinhando a importância de dar maior visibilidade a esse património histórico-militar.
