Exercício internacional Orion envolve 2200 militares e 346 viaturas em território português. Foto: Exército

“Treinar a interoperabilidade entre militares de vários países em operações táticas ofensivas, defensivas, e em operações de retardamento e de reconhecimento, no âmbito do planeamento, coordenação e execução” para missões da NATO, foram alguns dos objetivos que o diretor do Exercício Orion 22, Brigadeiro-General Nuno Farinha, hoje destacou à Lusa no final do exercício multinacional conjunto com fogos reais, que decorreu no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância.

O último dia da fase de execução do Orion 22 foi dedicado à execução de fogos reais, cuja finalidade era a sincronização do fogo, o movimento e manobra tática das forças terrestres, num exercício caracterizado pela sua matriz combinada e onde as múltiplas capacidades e valências do Exército português treinaram de forma conjunta com militares de Exércitos de países aliados, nomeadamente de Espanha, França e Roménia.

Exercício internacional Orion envolve 2200 militares e 346 viaturas em território português. Foto: Exército

O responsável destacou ainda no final do exercício, que fecha amanhã com a desmobilização dos meios militares envolvidos, que o Orion 22 “cumpriu os objetivos a que se propunha”, no âmbito do artigo 5º do compromisso com os países membros da NATO, e que permitiu treinar os militares e testar algum novo equipamento individual, assim como o emprego de modo integrado de viaturas ligeiras, médias e pesadas, como as viaturas táticas ligeiras blindadas VAMTAC ST5, as viaturas blindadas de rodas PANDUR II 8×8, ou os carros de combate LEOPARD, e ainda meios aéreos de asa fixa e de asa rotativa da Força Aérea Portuguesa, drones (veículos aéreos não tripulados), transmissões e comunicações, equipamento sanitário e NBQ (Nuclear, Biológico e Químico), entre outros.

[O exercício] “Correu bastante bem em termos de segurança e em termos do planeado, iremos elaborar o relatório e haverá aspetos a avaliar e a melhorar, como é normal, sendo certo que os militares saem deste Orion com mais moral e mais preparados para qualquer ação para que venham a ser destacados no âmbito do artigo 5º da Aliança Atlântica”, disse o Brigadeiro-General Nuno Farinha, tendo feito notar a “alta intensidade” do mesmo.

“Este é um exercício de artigo 5º da NATO, de alta intensidade, que executou um conjunto de operações em cenário fictício dentro dos cenários possíveis de intervenção, com ações de planeamento, coordenação, execução, e interoperabilidade tática de envolvimento internacional”, vincou.

No Artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte, que vincula as partes envolvidas, pode ler-se que “um ataque armado contra uma ou várias delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque a todas, e, consequentemente, concordam em que, se um tal ataque armado se verificar, cada uma, no exercício do direito de legítima defesa, individual ou colectiva, reconhecido pelo artigo 51.° da Carta das Nações Unidas, prestará assistência à Parte ou Partes assim atacadas, praticando sem demora, individualmente e de acordo com as restantes Partes, a acção que considerar necessária, inclusive o emprego da força armada, para restaurar e garantir a segurança na região do Atlântico Norte”.

Presente no exercício, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General José Nunes da Fonseca, dirigiu-se no final aos militares participantes, a quem agradeceu o “esforço para o sucesso do exercício”, tendo realçado o que foi bem executado, o que deve ser melhorado e o que constituiu inovação, e salientado ainda o “contributo do Orion 22 para o reforço da interoperabilidade e da integração de capacidades militares terrestres no seio dos países da Aliança Atlântica”.

Neste exercício, as Forças participantes treinaram, em cenários de conflito de alta intensidade, orientados para o treino integrado e sincronizado das funções de combate, designadamente o Comando-missão, Movimento e Manobra, Informações, Fogos, Proteção e o Apoio de Serviços.

O Exercício ORION 22 visa treinar as forças do Exército português para “aumentar a proficiência e a interoperabilidade tática no planeamento e execução de operações de combate num contexto multinacional, no âmbito da Defesa Coletiva”, bem como “certificar a Brigada de Reação Rápida para operar em ambiente multinacional”, as típicas missões da Aliança Atlântica, de que Portugal é país fundador.

Além dos militares do Exército português, participam militares de Espanha (da Brigada Extremadura XI), de França (126.º Regimento de Infantaria, da 9.ª Brigada de Infantaria de Marinha), da Roménia (do 22.º Batalhão de Infantaria, da Brigada Multinacional Sudeste) e da Força Aérea Portuguesa.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

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