Raul Schmidt foi detido este sábado, em Sardoal, graças à denúncia de Pedro Martins, um agente da PSP residente na vila. Ele reconheceu o empresário luso-brasileiro, que tinha um mandado de captura internacional, e comunicou as suas suspeitas à Polícia Judiciária.
O empresário luso-brasileiro Raul Schmidt, arguido do processo Lava Jato, apresentou ao tribunal um pedido de libertação, depois de ter sido detido no sábado em Sardoal para extradição, que terá de ser decidido pelo Supremo Tribunal no prazo de oito dias. De acordo com informação enviada pelo Tribunal de Relação à agência lusa, Raul Schmidt interpôs na segunda-feira um pedido de ‘habeas corpus’, cuja decisão terá de ser tomada pelo Supremo Tribunal da Justiça no prazo de oito dias.
Até lá, refere o presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Orlando Santos Nascimento, o tribunal mantém “a detenção do arguido, devido a novo perigo de fuga e aguarda a decisão do ‘habeas corpus”.
Foi graças ao “olho” de Pedro Martins, o agente da PSP que identificou o empresário luso-brasileiro, que Raul Schmidt alvo de um mandado de detenção internacional para ser extraditado para o Brasil no âmbito do processo Lava Jato, foi detido no sábado, por volta das 12h30, na casa de uma amiga, na zona do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal, tal como mediotejo.net noticiou.
“Há umas semanas que via o senhor Raul” na vila de Sardoal, contou o agente Pedro Martins ao mediotejo.net. “Consegui reconhecê-lo porque frequentava alguns estabelecimentos comerciais, mas sempre recatado, não dava muito nas vistas.”
Pedro Martins, residente na vila de Sardoal e integrado na direção nacional da PSP, após reconhecer Raul Schmidt comunicou as suas suspeitas aos seus superiores e entrou em contacto com a Polícia Judiciária. “Expliquei onde o empresário se escondera. A PJ não sabia onde ele estava, encontrava-se em parte incerta”, referiu.
O agente adiantou ao mediotejo.net que Raul Schmidt vivia no número 3 da Avenida D. João III, “numa casa paredes meias” com a do pai de Pedro Martins. “Observava-o pela janela e fui controlando a situação. A PJ pediu-me apoio na operação de detenção.”

Assim, após o reconhecimento do local onde o empresário luso-brasileiro se refugiara, o agente sardoalense Pedro Martins e elementos da PJ realizaram a operação de detenção sem problemas, uma vez que Raul Schmidt não ofereceu qualquer resistência. “Tocámos à campainha. A porta foi aberta pela senhora que estava com ele, que nos mandou entrar… e fizemos a detenção.”

Raul Schmidt encontra-se agora detido nos calabouços da Polícia Judiciária em Lisboa para ser presente ao juiz do Tribunal da Relação esta segunda-feira, 5 de fevereiro, devendo depois ser extraditado para o Brasil.
No âmbito do processo Lava Jato, Raul Schmidt é investigado pelo pagamento de luvas aos ex-diretores da Petrobras Renato de Souza Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada – todos envolvidos no esquema de corrupção, branqueamento de capitais e organização criminosa relacionado com a petrolífera estatal brasileira Petrobras.
Segundo a imprensa brasileira, além de atuar como operador financeiro no pagamento de subornos aos agentes públicos da Petrobras, o empresário luso-brasileiro também seria intermediário de empresas internacionais na obtenção de contratos de exploração de plataformas da Petrobras.
Na 13.ª Vara Federal da Justiça Federal, em Curitiba, há dois processos contra Schmidt por corrupção, organização criminosa e branqueamento de capitais. As duas ações penais aguardavam o resultado do processo de extradição, uma vez que o empresário interpôs vários recursos, buscando fazer valer a sua condição de luso-brasileiro. Ele obteve a nacionalidade em 2011 e os seus avós também eram portugueses o que, à luz da nova legislação nacional, lhe poderia dar o direito de não ser extraditado, como sucederia com qualquer cidadão português.
O juiz titular do processo de extradição de Raul Schmidt no Tribunal da Relação de Lisboa considerou recentemente que o empresário teria de responder no Brasil pelas acusações anteriores a 2011 e que estavam esgotados os recursos do arguido. Emitiu por isso um mandado de detenção internacional em nome do empresário luso-brasileiro, quando a polícia não o conseguiu localizar na casa onde vivia em Lisboa.
