A vida de Sam Abercromby dava um livro – e deu mesmo. “O Destino Português de Sam”, terceiro romance de Evelina Gaspar, foi apresentado no sábado, 6 de setembro, na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, contando com a apresentação do escritor Nuno Garcia Lopes e a presença do pintor australiano que inspirou a escrita desta obra, e que reside há quase 40 anos na nossa região.

Pretexto para uma breve entrevista com a escritora que nasceu em Paris mas cresceu e estudou em Tomar, residindo há largos anos em Vila Nova da Barquinha, e que em 2018 venceu a primeira edição do Prémio Literário do Médio Tejo, com o romance “Na Massa do Sangue”, publicado pela Médio Tejo Edições.

Dois anos depois, Evelina Gaspar venceu o Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal com “Os Dentes do Tejo“, publicado pela Guerra & Paz, editora que aposta agora no seu terceiro livro, “O Destino Português de Sam“.

O romance inspira-se na vida do pintor Sam Abercromby, nascido na Austrália, na sequência de um escândalo que expulsou os seus pais da boa sociedade local. Condenados ao exílio no deserto, Sam vive até aos dez anos como proscrito, sendo mais tarde aceite, aos treze, numa escola de arte, onde é reconhecido como prodígio”, lê-se na sinopse da obra. “A sua vida, repleta de aventuras, leva-o a percorrer vários países até chegar a Portugal, guiado por uma série de sonhos vívidos. É aqui que Sam conhece o lendário D. Sebastião, que se torna a sua grande inspiração artística.”

Este terceiro romance mantém “um pé” na região, apesar de levar os leitores a viajar por outras paragens, e também parte da realidade local para construir um enredo ficcionado. Podemos assumir que é um caminho que irá continuar ou que, de alguma forma, poderá identificar o universo da Evelina como escritora?
Como residente na região do Médio Tejo, que é onde estão as minhas raízes, tenho dado voz a personagens que são locais e que reflectem a nossa cultura específica, mas não posso garantir que será assim sempre, porque não conheço o futuro. Em termos de geografias, o romance leva o leitor a visitar vários países, embora se centre muito particularmente na Austrália e em Portugal. No que toca ao nosso país, a narrativa insere-se no contexto cultural do Médio Tejo. O Sam reside em Portugal há 39 anos, pelo que podemos sem hesitações afirmar que estamos diante de um pintor que é nosso, português, e do Médio Tejo, facto que nos deve orgulhar.

Sendo o Sam Abercromby uma personagem de carne e osso, que é quase seu vizinho, e com uma vida de facto digna de um romance, porque não quis escrever uma biografia? 
À medida que fui conhecendo a história do Sam fui percebendo que esta era uma história que merecia ser contada e, mais do que isso, que era uma história que precisava mesmo ser contada. Privilegiei a biografia romanceada à biografia propriamente dita, porque a primeira permite o rasgo criativo que deriva da liberdade que tanto prezo enquanto escritora. Não escrevo com guiões nem roteiros, pelo que, sendo a vida de Sam marcada por muitos episódios extraordinários, encontrei ainda assim espaço, ao partilhar a sua história de vida, para estabelecer sentidos por sobre os factos, sentidos que cabe ao leitor aceitar ou não.

Como foi o processo de escrita deste livro, em comparação com os anteriores? E já iniciou a escrita do quarto livro?
“O Destino Português de Sam”, ao contrário de “Na Massa do Sangue” e “Os Dentes do Tejo”, resulta da cumplicidade que se estabeleceu entre um pintor e uma escritora. De resto, o processo de escrita foi semelhante. Tendo a escrever sempre da mesma forma, ou seja, sem saber muito bem para onde vou, mas indo de qualquer forma (risos). Estou neste momento a tomar coragem para me lançar a escrever o quarto.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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2 Comments

  1. Uma Excelente Escritora, a par de uma Autora de grande intuição e criatividade. Um misto raro que se confirma nesta terceira Obra. Uma Escritora/Autora a seguir. Parabéns, Evelina Gaspar, pelo teu poder evocativo e pela tua escrita apurada e depurada. Excelente! Vou querer ler esse quarto livro, enquanto prossigo a leitura deste terceiro. Que recomendo!

  2. Sam Abercromby, meu professor de “English Conversation” at Linda ‘ s School, do you remember it Sam?
    You change my world -without internet- i’ m 57 years old now, and you give me english words to undestand all the world, to work with people around the word (you give to me the moust precious words, people coud do beautifull things, with so few, it’ s just feel the other, just get out the sensitive human being living inside …in myself) I feel special because you teatch me so, you teatch me to acept people of every contry, of every language of every culture.
    Thank you Mr. Sam.
    The best important person i new in my life. I now it at that time but i recognize and apreciate it all days of my simple life.
    Best Regards

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