A sexta edição do European Rocketry Challenge (EuRoC), que decorreu em Constância, confirma “a maturidade e a ambição crescentes” das equipas universitárias e reforça “a centralidade de Portugal no panorama aeroespacial europeu”, defendeu a gestora do evento, Marta Gonçalves.
“Há mais equipas, mais complexidade técnica e mais vontade de se superarem”, afirmou a responsável da Portugal Space – Agência Espacial Portuguesa, organizadora do evento de lançamento de foguetões criados por universitários que decorre desde 10 de outubro em Constância, envolvendo cerca de 700 estudantes universitários de 16 países, e que terminou a competição de lançamentos no Campo Militar de Santa Margarida, com a cerimónia final a decorrer na quarta-feira, dia 15, no Pavilhão Municipal.
“Este ano aceitámos 28 equipas — o maior número de sempre — e notamos que os projetos estão mais exigentes, com foguetes híbridos e [de combustíveis] líquidos, o que representa um salto notável de maturidade. Mesmo quando não conseguem lançar, aprendem e voltam no ano seguinte mais fortes”, acrescentou Marta Gonçalves.
Na terça-feira, entre as tendas e a azáfama da montagem final dos últimos foguetes a serem lançados, a coordenadora do evento sublinhou que o EuRoC “é muito mais do que uma competição” aeroespacial.




“Promove o encontro entre universidades, empresas e instituições. Aqui formam-se redes, futuros engenheiros e empreendedores. É também um espaço de segurança e de confiança, onde os estudantes aprendem a trabalhar em ambiente real de missão”, declarou.
“Tivemos nove foguetes líquidos, sete híbridos e nove sólidos. Isso traduz-se em mais inovação, maior complexidade e, inevitavelmente, também em mais falhas, mas que fazem parte do processo de aprendizagem”, referiu a responsável.

ÁUDIO | MARTA GONÇALVES, COORDENADORA EUROC:
A competição, que decorreu entre o Pavilhão Municipal de Constância, onde esteve instalado o paddock de afinação e montagem, e o Campo Militar de Santa Margarida, para os lançamentos, juntou 700 estudantes de 16 países em torno do desafio de construir e lançar foguetes a altitudes entre três e nove mil metros.


Este ano marcaram presença quatro equipas portuguesas — Fénix Rocket Team, North Space, Porto Space Team e Rocketry Experiment Division (RED), do Instituto Superior Técnico —, o número mais elevado desde a criação do evento em 2020.

Durante a tarde de terça-feira, no terreno, o entusiasmo misturava-se com o nervosismo técnico.
“Acreditamos mesmo que o Fénix vai ser o primeiro foguete lançado por nós”, disse Rui Quitério, de 23 anos, chefe da Fénix Rocket Team, duas horas antes de o tempo útil de lançamento se esgotar.
“Trabalhámos o ano inteiro. É o nosso primeiro projeto, tudo foi feito por nós — estrutura, motor, fibra de carbono, alumínio. Mostramos que Portugal tem talento e engenheiros capazes de competir com os melhores”, afirmou, visivelmente orgulhoso apesar da frustração pelo lançamento acabar por não ter ocorrido.

ÁUDIO | RUI QUITÉRIO, EQUIPA FÉNIX ROCKET TEAM:
Ana Beatriz Quelhas, de 23 anos, é portuguesa mas representa a Universidade de Bristol, onde está a tirar o doutoramento em engenharia aeroespacial. Foi a primeira vez que a equipa britância concorreu no EuRoC e, apesar de não terem conseguido lançar no último dia de competição, elogiaram o desafio e aprendizagem.

ÁUDIO | ANA BEATRIZ QUELHAS, UNIVERSIDADE DE BRISTOL:
Já Tomás Raposo, da North Space, que viu o seu foguete SPATI-II explodir durante a subida, realçou a dimensão formativa do desafio.
“Em dois anos, a equipa evoluiu imenso em engenharia e gestão. O resultado não foi o esperado, mas o crescimento foi brutal. O EuRoC dá-nos a oportunidade única de lançar em Portugal e de aprender com os erros. É algo que nunca esquecemos”, disse.

ÁUDIO | TOMÁS RAPOSO, EQUIPA NORTH SPACE:
Para Marta Gonçalves, este é precisamente o espírito do evento.
“Mesmo com dificuldades, as equipas voltam porque gostam, porque aprendem e porque sabem que aqui encontram uma comunidade. É isso que constrói o futuro do setor espacial”, declarou.




Na sessão de abertura, em declarações à Lusa, o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, destacou o papel de Portugal como anfitrião e protagonista da nova economia do espaço.
“O EuRoC é um exemplo notável de como o espaço pode unir ciência, defesa e território. Portugal acolhe as melhores equipas europeias de engenharia aeroespacial, afirmando-se como um lugar de excelência para testar, aprender e inovar”, afirmou.
Para Ricardo Conde, a competição “é já incontornável no panorama tecnológico europeu”.
“Estamos a formar a matéria-prima humana que o setor precisa. Portugal quer ser uma nação de acesso ao espaço, com lançadores, um porto espacial nos Açores e uma resposta concreta à Europa. É isso que estamos a construir”, destacou.

ÁUDIO | RICARDO CONDE, PRESIDENTE AGÊNCIA ESPACIAL PORTUGUESA:
Equipa Aerospace Team Graz vence 6.ª edição do EuRoC e revalida título europeu
A equipa austríaca Aerospace Team Graz (ASTG) foi a vencedora da 6.ª edição do European Rocketry Challenge (EuRoC), competição universitária promovida pela Agência Espacial Portuguesa (AEP), revalidando o título conquistado em 2023.
A formação austríaca arrecadou ainda o prémio de melhor voo na categoria de motor híbrido com apogeu de 9 mil metros.
A edição deste ano decorreu em Constância, entre os dias 09 e 15 de outubro, reunindo cerca de 700 estudantes universitários de toda a Europa. A iniciativa, única no continente europeu, desafia as equipas a conceber, desenvolver e lançar os seus próprios foguetes, promovendo o avanço tecnológico e o talento jovem na área aeroespacial.
A italiana Skyward, vencedora das edições de 2022 e 2024, recebeu o Design Award, enquanto o Technical Report & Team Award foi atribuído à BME Suborbitals, da Hungria. A ASPiRE, da Grécia, conquistou o Payload Award, e a HyEnD (Alemanha) e a Faraday Rocketry (Espanha) foram distinguidas com os prémios de melhor voo nas categorias de motor líquido e sólido, respetivamente.




Portugal contou com quatro equipas universitárias na competição, igualando a presença alemã.
A NorthSpace foi a única equipa nacional a realizar o lançamento do seu foguete. A Fénix Rocket Team concluiu a revisão técnica, mas não conseguiu lançar dentro da janela disponível, enquanto a Porto Space Team e os RED (Instituto Superior Técnico) não ultrapassaram a fase de revisão técnica.
A edição deste ano marcou também a estreia de novas equipas, como a ASPiRE (Grécia), vencedora do prémio Payload, e a UM Rocketry (Malta), que assinalou a primeira participação do país na competição. A VP Systems (Ucrânia) participou como convidada, realizando um voo fora de competição.
Os vencedores do EuRoC 2025 foram a Aerospace Team Graz (Áustria), que conquistou o EuRoC Award e o Flight Award Híbrido 9K; a Skyward (Itália), distinguida com o Design Award; a BME Suborbitals (Hungria), vencedora do Technical Report & Team Award; a ASPiRE (Grécia), que recebeu o Payload Award; a HyEnD (Alemanha), galardoada com o Flight Award Líquido 3K; e a Faraday Rocketry (Espanha), premiada com o Flight Award Sólido 3K.




O EuRoC 2025 contou com o apoio do Exército Português, que disponibilizou o campo militar de Santa Margarida para os lançamentos, e da Câmara Municipal de Constância, que acolheu as equipas. Entre os patrocinadores estiveram a ESA, Cambridge Aerospace, Tekever, Omnidea, Atlantic Spaceport Consortium, Meteomatics, Sumol+Compal e Delta.
Criado em 2020, o European Rocketry Challenge é organizado pela Agência Espacial Portuguesa e tem-se afirmado como uma das principais competições europeias na área da engenharia aeroespacial, fomentando o desenvolvimento tecnológico e o espírito de cooperação entre jovens engenheiros e cientistas.
C/LUSA
