Foto: Dieter, Pixabay

Confesso as minhas mais profundas dúvidas sobre o tema. Tenho refletido, afastando-me das minhas crenças e das minhas convicções para não influenciar o meu pensamento e tenho lido bastante, tendo a preocupação de “ouvir” os dois lados. Mesmo assim, neste momento, tenho que voltar a confessar que são mais as dúvidas que as certezas.

Há argumentos válidos dos dois lados. Desde logo, a banalização que é um risco que pode levar a uma desistência precoce e sem retorno da vida, mas também é verdade que o sofrimento desumano devia ser erradicado e não faz sentido ser prolongado.

Parece-me que o erro está na origem e na forma com que se coloca o tema à discussão. A sua complexidade não pode ser respondida simplesmente com “sim” ou “não”.

Politizar um dos temas mais fraturantes da nossa sociedade parece-me ser outro erro que vai ajudar a criar ruído que provocará mais dúvidas e se afastará do esclarecimento necessário. Até porque uma decisão individual não devia ser decidida por terceiros “dentro de casa” em discussões parlamentares.

Devia alargar-se a discussão, dar voz “a quem sabe”, partilhar resultados de quem já passou por este processo e, assim, com elevação e maturidade social, permitir que todos aumentássemos o conhecimento sobre o tema e fossemos envolvidos na tomada de decisão… mesmo que continuássemos a ouvir, de um lado a defesa da liberdade ao mesmo tempo que do outro se ataca um atraso civilizacional.

Apesar de todas as dúvidas, acho que a eutanásia é uma decisão individual. É uma decisão individual mesmo que seja necessário ajuda ou assistência de outros. E uma decisão individual e acima de tudo uma questão de liberdade, nunca esquecendo que esta liberdade rimará sempre com responsabilidade.

A grafia mostra-nos que a palavra começa por “eu” e este é apenas mais um indicador que mostra que não faz sentido que outros decidam por mim em matérias onde apenas “eu” devo ter essa liberdade e essa responsabilidade.

E não devemos esquecer que liberdade e responsabilidade também rimam com dignidade.

É muito por tudo isto que, sem deixar de ter as minhas dúvidas, eu quero ter a liberdade de decidir com responsabilidade sem perder a minha dignidade.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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