Estratégia de captação de investimento acelera ocupação industrial em Alcanena. Foto: CMA

A estratégia de captação de investimento empresarial desenvolvida pelo município de Alcanena está a acelerar a ocupação das áreas industriais do concelho. A mais recente operação aprovada pela Câmara Municipal prevê a alienação de 12 lotes na Zona Industrial de Minde para um investimento empresarial na área alimentar, com esta a passar de apenas 3 lotes alienados no final de 2021 para 36 atualmente.

Existem ainda 2 lotes em fase de negociação, restando cerca de 10 disponíveis. Enquanto isso, o futuro Parque Empresarial de Alcanena, cuja primeira fase representa um investimento global de cerca de 12 milhões de euros, deverá começar a disponibilizar os primeiros lotes para venda ainda este ano.

“Quando chegámos aqui ao executivo, no final de 2021, havia apenas três lotes alienados em Minde e hoje esta diferença é significativa”, afirmou o vice-presidente Nuno Silva, destacando o trabalho de promoção do território realizado nos últimos anos junto de empresários e investidores.

Segundo o autarca, a procura empresarial por Minde resulta de vários fatores, entre os quais o preço competitivo dos terrenos, a existência de infraestruturas já instaladas e a aposta do município na simplificação administrativa dos processos de investimento.

“Uma das alternativas que damos sempre às empresas que nos procuram é a Zona Industrial de Minde, porque já tem infraestruturas criadas e porque o preço dos lotes é bastante atrativo. Estamos a falar de dois euros por metro quadrado (m2), o que aqui à nossa volta não é muito normal”, referiu.

O responsável municipal admite que os investimentos em curso em Minde representarão a criação de dezenas de postos de trabalho e a aplicação de centenas de milhares de euros por parte das empresas envolvidas, embora muitos dos projetos estejam em fases distintas de desenvolvimento e expansão.

As empresas que se estão a instalar em Minde provêm quer do próprio concelho, quer de outros territórios da região. “A maioria virá da zona de Leiria e do Oeste para aqui, para o nosso território”, indicou Nuno Silva.

Além da ocupação dos lotes disponíveis, o município tem vindo a promover a reconversão de antigas áreas industriais e edifícios devolutos, procurando atrair novos projetos empresariais para espaços anteriormente abandonados.

“Temos vindo a identificar áreas onde é possível instalar empresas e a contactar proprietários. Ainda na semana passada estive numa antiga unidade industrial que estava em ruínas e que está agora a ser recuperada para acolher uma empresa na área da logística”, exemplificou.

Novo parque empresarial de Alcanena deverá começar a vender lotes este ano

Perante a crescente ocupação da Zona Industrial de Minde, o município prepara agora a entrada em funcionamento do futuro Parque Empresarial de Alcanena, localizado junto aos principais eixos rodoviários e ferroviários do país.

O projeto contempla uma área total de cerca de 140 hectares, encontrando-se atualmente em fase de infraestruturação uma primeira área de 40 hectares, correspondente a cerca de uma dúzia de lotes empresariais.

O investimento global associado a esta primeira fase ronda os 12 milhões de euros, incluindo aquisição de terrenos, estudos, licenciamentos e infraestruturas e demais intervenções necessárias à criação do parque.

Apesar de aguardar ainda a decisão sobre uma candidatura a financiamento comunitário que poderá influenciar o preço final dos terrenos a alienar, o município espera avançar com a venda dos primeiros lotes ainda este ano.

“Nós perspetivamos que ainda este ano tenhamos condições para começar o processo de alienação dos lotes”, afirmou o vereador.

Alcanena aposta em regeneração urbana e internacionalização do parque empresarial

Segundo explicou, a definição do preço final depende da resposta a uma candidatura apresentada ao Programa Regional do Centro, uma vez que o eventual apoio financeiro terá impacto nos valores a praticar.

As primeiras empresas poderão começar a instalar-se no local durante o segundo semestre de 2027.

Interesse nacional e internacional

Mesmo antes da abertura formal do processo de venda, a autarquia afirma já ter recebido manifestações de interesse de empresas nacionais e internacionais.

“Temos manifestações escritas de interesse para vários lotes”, revelou Nuno Silva, acrescentando que existem contactos em diferentes áreas de atividade, desde a indústria aos serviços e à logística.

O município pretende, contudo, privilegiar projetos com maior valor acrescentado e capacidade de criação de emprego qualificado.

“O nosso interesse primordial é que não seja dada primazia à logística. Gostaríamos de atrair investimentos na área tecnológica e vamos dar muita importância à criação de postos de trabalho qualificados”, sublinhou.

O futuro parque empresarial prevê igualmente um lote destinado à instalação de uma unidade hoteleira, existindo já contactos exploratórios com operadores nacionais e internacionais.

Alcanena inicia construção de 40 hectares do parque empresarial com investimento de 12 ME. Foto: CMA

Estratégia articulada com empreendedorismo e habitação

A ocupação das zonas empresariais integra uma estratégia mais ampla de desenvolvimento económico definida pelo município, assente em várias frentes de atuação.

Entre as medidas implementadas encontram-se a criação de incubadoras de empresas, o Espaço Empresa, a Via Verde do Investimento para agilização de processos de licenciamento e diversos incentivos destinados à fixação de empresas e famílias.

“Se queremos mais famílias, temos de ter emprego, habitação e qualidade de vida. Tudo isto faz parte daquilo que chamamos um ecossistema empresarial”, afirmou o vereador.

A autarquia considera que a captação de investimento, associada às políticas de habitação e à melhoria dos serviços públicos, poderá contribuir para contrariar a perda populacional que afeta muitos territórios do interior, entre os quais Alcanena.

“Queremos que os jovens deixem de sair, que outros regressem e que novas pessoas escolham viver aqui. Isso poderá ajudar a inverter a tendência de decréscimo populacional”, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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