A estações ferroviárias da nossa região, tal como a ferrovia, estão a precisar obviamente de investimento depois de anos de abandono. Há uns tempos, li aqui uma notícia no mediotejo.net sobre os investimentos que as Infraestruturas de Portugal IP iriam fazer nas Estações de Vila Nova da Barquinha, Santa Margarida (Constância), Tramagal e Alferrarede (Abrantes) e Alvega-Ortiga (em Mação). Decidi então questionar o Governo sobre o detalhe das intervenções projetadas para perceber melhor o que estava em causa e o que de facto iria ser feito. Não sendo frequentador de todas estas estações sabia perfeitamente quais os problemas daquelas que uso ou usava com mais frequência, a de Alferrarede e a de Ortiga.
Recebi a resposta esta semana (Pergunta e Resposta pode ser consultada em https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalhePerguntaRequerimento.aspx?BID=120319 e são várias as conclusões úteis que posso tirar e que aqui deixo como informação e também com alguma crítica.
Em primeiro lugar, o comunicado da IP e a notícia eram rigorosos e na verdade trata-se apenas de um anúncio da adjudicação dos projetos de execução para as respetivas obras. Projetos esses que só estarão finalizados em outubro deste ano. Não sei qual é esta nova moda de anunciar as mesmas obras várias vezes, talvez porque seja um ano eleitoral ou apenas uma má prática de comunicação.
O Governo atual, à semelhança do que faziam nos tempos de Sócrates, faz um comunicado e uma cerimónia por cada passo de uma obra, seja a adjudicação do estudo, seja a abertura da portaria de execução, seja a adjudicação da obra e finalmente a inauguração. Para os mais distraídos até parece que triplicam as obras feitas.
Na resposta do Governo confirma-se que estão previstas intervenções nas estações de Barquinha, Santa Margarida, Tramagal, Alferrarede e Alvega-Ortiga. Mas ficamos também a saber que a elaboração destes projetos já começou no final de 2020 e que só estará concluída no 3º trimestre de 2021. Ou seja, quase um ano para fazer projetos num valor total de 65 mil euros. Ou esta gente trabalha devagar ou então a complexidade das obras faz-nos esperar algo verdadeiramente inovador e surpreendente.
Confirma-se também que o objetivo dessas intervenções é a melhoria das condições de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. Das diversas intervenções previstas, destacam-se as seguintes:
• Altear as plataformas de passageiros, de modo a facilitar aos passageiros a entrada e saída dos comboios;
• Dotar os percursos pedonais das condições necessárias para garantir a plena acessibilidade desde o exterior das Estações até às plataformas;
• Instalar pavimentos táteis para encaminhamento de pessoas com deficiência visual;
• Adaptar, completar ou substituir integralmente a sinalética de orientação e encaminhamento dos passageiros;
• Instalar abrigos de passageiros nas plataformas;
• Beneficiar os sistemas e equipamentos de iluminação dos espaços; • Instalar de guardas nos topos das plataformas, bem como em todas as zonas onde seja necessário reforçar a proteção contra quedas;
• Pintar o exterior dos edifícios de passageiros e outras construções;
• Requalificar dos espaços intermodais (largos das estações)
• Instalar novo mobiliário urbano, como bancos, papeleiras e porta horários. No seguimento das definições técnicas e das soluções de projeto de execução que vierem a ser apresentadas, serão apurados os valores de investimento respetivos e planeadas as intervenções a implementar no terreno.
Apesar do palavreado, são intervenções simples, mas muito úteis. O problema é que se só os projetos demoram um ano então provavelmente as obras demorarão muito mais, pelo que só estarão prontas dentro de dois ou três anos. Mas, entretanto, interessa é manter a esperança viva e fazer as pessoas pensar nas obras, sobretudo num ano de eleições autárquicas. Por isso nada melhor do que entreter o povo com anúncios de projetos.
