Foto: mediotejo.net

A Feira Nacional dos Frutos Secos está de volta à Praça 5 de outubro, em Torres Novas, para aquela que é a sua 35ª edição, com a expetativa de conseguir recuperar dois anos perdidos, devido à pandemia de covid-19. O mediotejo.net esteve presente na abertura deste certame, que conta com cerca de 60 expositores distribuídos por 2.500 m².

Para Luís Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, as perspetivas “são sempre boas”, tendo em conta a experiência e prática já adquirida ao longo de 35 edições – que seriam 37 se não fossem os dois anos de pandemia, em que apenas foi realizado um pequeno mercado de frutos secos.

“Já temos experiência, temos o modelo de atuação, o modelo de exposição que funciona, os nossos munícipes gostam, os nossos vendedores também gostam, aqueles que produzem o nosso figo, a nossa amêndoa, a nossa noz, também gostam do espaço e gostam da maneira como se apresenta”, referiu o autarca ao mediotejo.net.

Depois de já ter sido realizada em vários sítios da cidade torrejana, esta iniciativa regressou ao centro da cidade. Assim, “a feira interage com a população de uma forma diferente e tem sido um sucesso muito grande desde que a trouxemos para este espaço. Temos também uma campanha de divulgação muito forte, e portanto não podemos esperar menos do que novamente um grande sucesso”, disse Luís Silva.

Esta é também uma “oportunidade” de valorizar os produtos endógenos e a tradição de Torres Novas, sendo ainda uma forma de os produtores poderem escoar os seus produtos diretamente para o consumidor final, sem terem de passar pelas cadeias intermediárias da transmissão, com vantagens para o consumidor final e para o próprio produtor”, afirmou o autarca torrejano.

Mário Faustino, produtor de Moreiras Pequenas (Torres Novas), que participa desde a primeira edição, espera que a feira este ano tenha uma boa afluência, até porque a última foi “só uma feirinha” e foi “muito inferior”.

Foto: mediotejo.net

Produtor e comerciante de outros produtos da zona, refere que os preços estão mais ou menos idênticos aos dos outros anos, com exceção do figo preto e do figo pingo de mel, cujo preço é “um bocadinho mais elevado”, uma vez que a produção destes frutos ficou um terço abaixo da de outros anos. Já a amêndoa está a ser vendida mais barata, pois a produção deste ano foi maior.

Relembrando a participação em todas as feiras desde a primeira edição, no campo da bola – “onde chegámos a andar com água pelos joelhos” –, Mário Faustino diz que a organização foi sempre evoluindo e que é “excelente” desde que a Câmara tomou conta da mesma.

Também presente desde a primeira edição da feira, Raúl Lopes Faustino, “um dos sobreviventes do primeiro ano da feira”, como se intitula, é produtor de vários frutos secos, como uvas, passas, figos ou noz. “Vamos ver como corre este ano. Bonito está, agora falta virem clientes para nós podermos mexer aqui com os produtos”, disse ao nosso jornal, confirmando que os preços se mantém relativamente iguais e que só o do figo é que oscilou “um bocadinho”, sendo que é este produto – a par da noz – o mais vendido.

Mais recente é a participação da Horta Caramela, de Pinhal Novo, cujo representante, José Canhoto, diz que as contas só se fazem no fim: “Agora que estamos no início esperamos que a feira corra bem para todos, que é o que se deseja. Já bastaram dois anos ou três a penar, esperamos que este seja um ano de liberdade”, disse o comerciante, adiantando que se este ano correr como era nos anos antes da pandemia, “será sempre positivo”.

José Canhoto deixou ainda uma nota de apreço à organização “espetacular” do evento, referindo que a ideia de a feira ser realizada no centro de Torres Novas é “muito boa”.

Sendo um “evento de cariz tradicional, que espelha uma aliança entre a tradição e a inovação, conjugando objetivos de diferenciação e de qualidade, de transmissão de conhecimento e de envolvimento da comunidade torrejana e dos visitantes”, os seus principais objetivos prendem-se com “dinamizar e dignificar o setor dos frutos secos e passados”, refere o município.

O certame pretende igualmente “criar momentos etnográficos representativos da cultura rural local, afirmar o figo preto de Torres Novas enquanto produto diferenciador e de identidade local, preservar os saberes e sabores associados aos frutos secos, com principal destaque para a tradição, cultura e património torrejanos, e afirmar Torres Novas enquanto palco de eventos nacionais de destaque e de qualidade”.

A entrada no evento é gratuita todos os dias, entre 30 de setembro e 9 de outubro. Ao fim de semana a Feira está aberta entre as 11h00 e as 24h00, e durante a semana entre as 17h00 e as 22h00.

Programa

30 de setembro – sexta-feira
17h00 | Banda da Aldeia*
22h00 | Miguel 7 Estacas . standup comedy .
23h00 | Tiroliro e Vladimir (Os Afonsinhos antes dos Afonsinhos). música

1 de outubro – sábado
Tarde | Programa Aqui Portugal – RTP
22h00 | Sónia Mota . música

2 de outubro – domingo
Tarde | Ceirões, Passas e Barrões*
Tarde | Bandinha Mirense*
18h00 | Rancho Folclórico «Os Camponeses» de Riachos . dança
20h00 | José Paiva (acústico) . música

3 de outubro – segunda-feira
20h00 | Ricardo Costa . música

4 de outubro – terça-feira
22h00 | Noite de Fados com Ana Dória, Diogo Ferreira, Catarina Ferreira, Rui Girão, Rui Santos e fadistas convidados: Jorge Pinheiro, Conceição Grancho, Sara Girão e Tomás Estrela

5 de outubro – quarta-feira
Tarde | Bando da Terra Velhinha*
Tarde | Ofícios de Rua*
Tarde | Bandinha Mirense*
18h00 | Rancho Folclórico Recreativo «Os Ceifeiros» de Liteiros . dança
20h00 | Diana Pereira & Hélio Vieira . música

6 de outubro – quinta-feira
20h00 | Dora Oliveira . música

7 de outubro – sexta-feira
22h00 | Pedro Dyonysyo . música

8 de outubro – sábado
Tarde | Xaral´s Dixie*
Tarde | Ceirões, Passas e Barrões*
16h30 | Rancho Folclórico de Torres Novas
22h00 | Manuel João Vieira & Lello Perdido (fado) . música

9 de outubro – domingo
Tarde | Programa Somos Portugal – TVI
Tarde | Ceirões, Passas e Barrões*

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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