A gastronomia é uma das fortes apostas da Feira Mostra de Mação. Foto: DR

A gastronomia é uma das fortes apostas da Feira Mostra, um sucesso comprovado ano após ano com milhares de refeições servidas. Este ano são sete os espaços de restauração, atribuídos a Associações e IPSS do concelho, que voltam este ano a trazer à mesa ementas típicas do município.

Como nos anos anteriores foi solicitada a integração de pratos da Carta Gastronómica do Concelho “À Mesa em Mação” nas ementas. Os visitantes da Feira Mostra podem contar até este domingo com pratos típicos como Maranho, Chanfana, Cabrito no Forno, Javali, Migas, Cabidela, Sopa de Peixe, ou outros, como o Bacalhau Assado, Carnes de Alguidar, Entrecosto grelhado ou o sempre popular Frango na Brasa.

A Chanfana é um dos pratos típicos de Mação

 

Os sete espaços de Restauração  estão a cargo da Associação Santo António; Associação Chão de Lopes; Grupo Desportivo de Carvoeiro; Associação Desportiva de Mação; Centro Social de São José das Matas; Centro de Dia de Aboboreira e Grupo Desportivo e Recreativo de Penhascoso.

Como é referido na introdução da Carta Gastronómica do Concelho “À Mesa em Mação”: “são os animais, a água, o vento, o sol, a noite, o fumeiro ou o frio fatores determinantes para a elaboração dos pratos que sempre se serviram nas mesas dos Maçanicos e que nos distinguem num ou noutro pormenor das outras regiões, do nosso Portugal”.

O livro “À Mesa em Mação – Carta Gastronómica” foi um dos vencedores dos Prémios atribuídos pela Academia Internacional de Gastronomia, que premeia as pessoas ou entidades que mais se distinguiram na área da gastronomia a nível internacional.

O livro, da autoria de Armando Fernandes e com edição da Câmara Municipal de Mação, ganhou em 2014 o Prémio de Literatura Gastronómica – Prix de la Littérature Gastronomique, tendo impressionado “os jurados pela profundidade do estudo gastronómico, social e antropológico de grande valor científico e cultural”, segundo informação da Academia Portuguesa de Gastronomia.

Lançada em julho de 2012, a Carta Gastronómica é um documento que compila, num livro, os sabores e saberes de sempre da gastronomia do concelho de Mação. Resulta de um aturado trabalho de pesquisa, junto da população, sobretudo dos habitantes mais antigos, com o intuito de perceber o que se comia antigamente no dia-a-dia e nos dias de festa, através da recolha de muitas dezenas de receitas de norte a sul do concelho.

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela (PSD) disse, na ocasião, que “o reconhecimento atribuído por um júri independente e prestigiado constituiu uma agradável e reconfortante surpresa”, tendo destacado a aposta da autarquia num documento que pudesse “recuperar, preservar e divulgar os saberes e sabores ancestrais” concelhios.

“O desafio é agora lançado às famílias, aos restaurantes e a todos quantos gostam de comer bem para que utilizem e repliquem os conteúdos deste livro como forma de apreciar aquilo que é nosso e, simultaneamente, dar continuidade à genuinidade da nossa gastronomia, que é tão rica e diversificada”, vincou.

O investigador gastronómico e autor do livro “À Mesa em Mação – Carta Gastronómica”, disse, por sua vez, que o reconhecimento público internacional, assim como que um “Nobel” da Literatura das Artes Culinárias e Gastronómicas, resulta de um” intenso trabalho de pesquisa e de muitas conversas” com os mais antigos.

“A comunidade de Mação sempre teve muitas dificuldades em sobreviver ao longo dos tempos e sempre demonstrou capacidade, argúcia e engenho para transformar produtos secundários em produtos principais de uma refeição”, observou Armando Fernandes, tendo precisado que a cozinheira mais idosa entrevistada tinha 102 anos e a mais nova 58”.

O investigador, que tem dedicado boa parte dos últimos 20 anos à “demanda da gastronomia nacional”, disse que a base das suas investigações estão em “saber porque é que determinada comunidade, em determinada época, comia determinados produtos e não comia outros”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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