Foto: FB Rio de Moinhos

No dia 14 de junho Abrantes comemora o 102º aniversário de elevação a Cidade.

Em tempos idos Rio de Moinhos teria o nome de Ribeira dos Moinhos, devido à existência das inúmeras azenhas e moinhos ao longo da ribeira até desaguar no Tejo, num curso de 8Km. Pela localização à beira rio supõe-se que os seus primeiros habitantes tenham sido pescadores.

A freguesia está situada na parte ocidental do concelho, a norte do rio Tejo. Tem como vizinhos o concelho de Constância a oeste, a Aldeia do Mato e Souto a norte, a cidade de Abrantes a leste e Tramagal a sul. É ribeirinha à margem direita do rio Tejo, ao longo do limite com o Tramagal.

Tem a palavra Rui André, 47 anos. Desde 2017, Rui André é presidente da Junta de Freguesia eleito pelo Movimento Independente Freguesia de Rio de Moinhos.

O presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, Rui André, no cais de Rio de Moinhos.

Qual o primeiro espaço ou local da sua freguesia que escolheria para mostrar a um turista?

Escolheria o Cais de Acostagem, em Rio de Moinhos. É um local indissociável da génese desta freguesia e, portanto, é a identidade deste povo.

Ao turista, contar-lhe-ia a nossa história e os feitos deste povo riomoinhense que travou várias lutas com o Tejo ao concretizar o transporte fluvial de mercadorias. Um povo que sempre viveu de mãos dadas com o rio e as ribeiras, em cujas margens se estendiam os moinhos e as azenhas. Mostrar-lhe-ia ainda que neste local, onde outrora também se construíram grandes barcos, podemos hoje envolver-nos numa beleza incomparável em simbiose com a natureza selvagem.

Como é viver na sua freguesia? Que pontos destaca em termos de serviços e qualidade de vida, para alguém que hoje quisesse mudar de Lisboa e viver no interior do país?
Rio de Moinhos é, claramente, o tipo de freguesia onde todos nós queremos viver pelo facto de unir a qualidade de vida do espaço rural ao progresso do espaço urbano. Respiramos a natureza no seu estado mais puro e sentimos a calmaria de uma aldeia lado a lado com existência de vários serviços e comodidades.

A Junta de Freguesia e o Posto de Correios funcionam todos os dias. E no mesmo edifício conta-se também com uma Caixa Multibanco. Um minimercado, uma peixaria, um talho, cafés, restaurantes, pequenas empresas e empresários em nome individual nas mais diversas áreas despertam a economia desta freguesia. O Centro Escolar, inaugurado em 2012, está ao serviço dos mais novos. E para os mais velhos o Centro de Apoio a Idosos trabalha as valências de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, para além de disponibilizar as mais diversas atividades para maiores de 55 anos através do projeto “Escola dos Sorrisos”. Um projeto semelhante é igualmente desenvolvido na localidade da Pucariça. Chama-se “Pucariça Ativa” e é promovido pela Comissão de Melhoramentos local. E também a nível social, há o Gabinete de Apoio da Junta de Freguesia. Na área da saúde, sublinham-se a Extensão de Saúde, com médico e enfermeira, a farmácia e a existência de aparelhos de ginástica ao ar livre. E há ainda a cultura e o desporto. Um Boletim Informativo da responsabilidade da Associação Juvenil, uma Filarmónica centenária, o Rancho Folclórico da Casa do Povo, as manifestações religiosas e as mais diversas atividades das comunidades de Amoreira e Pucariça completam a dinâmica Agenda desta freguesia.

Não temos todos os serviços de uma cidade, mas Abrantes fica apenas a 5 km e pela EN3 vários transportes públicos fazem essa ligação.

Como descreve a sua freguesia? Que investimento sugeriria a um eventual empresário que quisesse investir na sua freguesia?
Geograficamente bem situada e com uma história ímpar, a freguesia de Rio de Moinhos detém um enorme potencial turístico.

São vários os imóveis bem característicos que podem ser recuperados. Falamos, por exemplo, de moinhos, azenhas, quintas ou edifícios dotados de uma traça singular e todos eles envolvidos numa grande beleza natural. Muito há para explorar neste pequeno território que integra diversos locais de pesado cunho histórico não só pelo património físico, mas também pelo peso das personalidades riomoinhenses. O Barão de Rio de Moinhos que nasceu na Quinta da Feia, o generoso Fernando Vieira Ferreira, os irmãos Damas Mora detentores de uma brilhante carreira na área da medicina, o cavaleiro de alternativa Manuel Soares Castelo, o cavaleiro olímpico Coronel Carlos Campos ou o destemido Arrais Vicente que desafiou o Tejo, entre outros.

Turismo rural, de natureza, histórico, cultural ou até gastronómico. Não podemos esquecer as Tigeladas e os Enchidos de Rio de Moinhos que, a par de outros produtos,aliam a tradição ao saber fazer e que ainda hoje são iguarias de eleição de muitos que aqui param propositadamente para levar consigo estes sabores únicos.

Quais os pontos fortes que destaca na freguesia e que debilidades gostaria de resolver?
Rio de Moinhos move-se. Neste momento, considero que a dinâmica que se vêacontecer é a nossa melhor arma para nos continuarmos a mover e, principalmente, para nos movermos cada vez mais. Quem estiver atento ou mantiver alguma ligação percebe há sempre um evento, há sempre uma obra, há sempre um projeto, há sempre uma ideia, há sempre qualquer coisa a ganhar forma… ou não fosse esta uma freguesia de grande potencial.

Mas nada é perfeito e do lado menos perfeito, o foco da questão ainda se mantém: é preciso atrair população jovem. No entanto, para que isso aconteça são necessárias várias condições. Existe centro escolar, extensão de saúde com médico e existe cultura e lazer… mas faltam ofertas de trabalho e, principalmente, habitações disponíveis. É possível ter uma vida confortável, trabalhando na periferia de Rio de Moinhos e vivendo dentro da freguesia, porém, é impossível aqui se fixar sem habitações disponíveis. Esta é, portanto, a maior debilidade desta freguesia que obriga a um sinuoso trabalho de sensibilização dos proprietários porque, na verdade, existem casas. O problema reside no fato de se encontrarem abandonadas ou, quando não é o caso, os custos de compra ou arrendamento serem demasiado elevados.

Como é desempenhar o cargo de presidente de junta? O que o motiva a trabalhar em proximidade?
Ser presidente de Junta é desafiar… a mim, ao poder e ao povo. É a adrenalina diária de querer fazer muito com pouco. É a sensação de dever cumprido quando mais um projeto é bem-sucedido. É o não desistir quando os resultados não são os esperados. É a teimosia de melhorar o que está bem e de insistir nos bons resultados do que está mal. É aprender a viver com o povo.

E é o povo a minha motivação… Sem fregueses, não há freguesia! E a verdade é que me desafiam constantemente. Cada pessoa com a sua especificidade, com o seu caráter, com a sua visão. Mas, regra geral, todas com personalidade forte dificultando, em muito, a minha simples tarefa de agradar a gregos e a troianos.

Abrantes celebra as suas festas anuais de 13 a 17 de junho. O que destaca deste momento festivo?
A troca de sorrisos entre quem já não se vê desde as últimas festas! O certame é um ponto de encontro para os que mal se veem, é uma desculpa para reservar uns momentos para nós próprios e, no final, é o momento ideal para fortalecer as relações existentes e fazer nascer outras. Claro que os encontros de saberes e de sabores, de experiências e de musicalidades são também pontos de destaque, mas nunca tão genuínos como os encontros de sorrisos.

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Retrato da Freguesia

Localidades: Rio de Moinhos; Amoreira; Pucariça; Aldeinha; Arco; Braçal
Área: 20,06 Km2
População: 1.199 habitantes

Ordenação heráldica do brasão: 24 de maio de 2006

Descrição do brasão:
Escudo de azul, barco de ouro mastreado e cordoado do mesmo, realçado de vermelho e vestido de prata, navegando em campanha diminuta de três tiras ondeadas de prata e azul; em chefe, duas mós de moínho de prata, abertas do campo. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “RIO de MOINHOS – ABRANTES”.

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