A semana arrancou de forma festiva na Escola Dr. Solano de Abreu, sede do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes. Pela manhã, o Grande Auditório foi palco da cerimónia de abertura de mais uma edição do projeto ERASMUS+ com o tema “TEAMS /Technology Embracing Arts Music and Sustainability”. Na ocasião foi feita receção à comitiva de alunos, com a diretora e a professora coordenadora da escola Zakladna Skola, do município de Haniska, da Eslováquia.
São oito os alunos, acompanhados de duas professoras, que vão estar oito dias em Abrantes, ao abrigo do projeto ERASMUS+, podendo assim contactar com a realidade portuguesa e conhecer de perto a cultura da região, os usos e costumes locais e estabelecer laços com os colegas portugueses, nesta troca por troca proporcionada pela experiência deste programa.

Conforme explicou a diretora do Agrupamento de Escolas nº 1 de Abrantes, o projeto tem novas condições, permitindo ligações e intercâmbios com outros países, sendo que a escola de Abrantes irá ainda ter ligações a escolas da Eslovénia, Turquia, Espanha, Grécia e Alemanha.
Ana Rico disse ainda que a adesão a este projeto “foi muito alta”, com alunos “interessados” o que dá garantia que o projeto “tem pernas para andar” e que terá continuidade. Estão envolvidos nesta edição 35 alunos da escola abrantina, do 9º ao 12º ano.
“Cria laços, e todos eles vêm com outra visão do mundo, e tivemos uma reunião a semana passada a preparar esta receção e realmente o testemunho de todos os alunos que foram em outubro na primeira mobilidade vêm com uma visão e dimensão do mundo completamente diferente. Este é um dos principais objetivos do ERASMUS. Ver novas perspetivas, conhecer novas realidades, culturas, e depois podermos comparar com aquilo que nós temos”, notou.
O próximo passo, após recente candidatura, passa por colocar o ensino profissional com acesso não só à mobilidade, mas também terem a oportunidade de estagiar em empresas no estrangeiro, havendo perspetiva de em 2024 existirem boas notícias.
Numa cerimónia conduzida em inglês, como língua universal que estabelece pontes entre os alunos portugueses e os alunos eslovacos, a coordenadora do projeto Cristina Ruivo deu o mote para o que se seguia, enquadrando o programa ERASMUS e a sua origem, e dizendo esperar que “todos os participantes retirem o máximo partido desta experiência única”.
A equipa responsável pela implementação do projeto, seguindo o lema da União Europeia “Unidos na Diversidade”, da Escola Dr. Solano de Abreu é constituída também pelos docentes Jorge Costa, Ema Calado, Célia Quintela, Sofia Ferreira, Carlota Godinho, Cristina Duarte, Paula Gaio, Maria da Glória de Albuquerque e a diretora do Agrupamento de Escolas Ana Rico.
Foram apresentados os participantes da comitiva eslovaca, tendo a diretora da Zakladna Skola referido que todos estavam muito felizes por estar em Abrantes e pela forma como foram recebidos, referindo que a par da Escola Dr. Solano de Abreu, também a escola eslovaca participa em diversos programas europeus, nomeadamente de ERASMUS. Também o facto de conhecerem o internacional português Cristiano Ronaldo foi notado, e de serem uma nação que também gosta de futebol, mostrando assim algumas semelhanças entre os países enquanto motivo de aproximação.
Na ocasião, a diretora do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes, Ana Rico, disse que espera que o grupo de alunos e professores eslovacos consigam tirar “o melhor proveito” da sua estadia em Abrantes integrados neste programa intercultural.

Com o tema “The Importance of Small Steps”, esta edição do programa ERASMUS+ trará não só “uma semana de trabalho intenso” como também “grandes oportunidades para partilha e descoberta de diferentes culturas e perspetivas de vida”.
“Ações desta natureza devem continuar a acontecer e devem ser incentivadas por todos, não só pelo desenvolvimento das várias modalidades de mobilidade que o programa proporciona, mas também pela tomada de consciência dos valores da União Europeia, junto da comunidade escolar, promotoras do desenvolvimento de competências interculturais, relacionais e pedagógicas”, defendeu Ana Rico, durante a sua alocução de boas-vindas.
“Urge desenvolver a escola como um espaço aberto ao mundo, propiciador deste entre-cruzado de culturas e saberes. Por isso é importante que a escola hoje contribua para o incremento de atitudes e comportamentos, de diálogo e respeito pelos outros, alicerçados em modos de estar em sociedade, que tenham como referência os direitos humanos, nomeadamente os valores da igualdade e diversidade, da democracia e da justiça social”
Ana Rico, diretora do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes
A docente diz acreditar que o ERASMUS “é um dos principais instrumentos de paz na Europa, porque consegue colocar jovens de toda a Europa em contacto uns com os outros, fazendo ver que há riqueza e diversidade que nos complementam uns aos outros, constrói laços, gerando uma identidade europeia, que somos mais iguais do que diferentes”, acrescentando que “o ERASMUS cria pontes, liga pessoas e organizações, convidando-as a viver e a partilhar o melhor de si. Por isso, como nas pontes, o fluxo faz-se em dois sentidos, e as experiências são recíprocas. Creio que estes e todos os jovens europeus sejam capazes de protagonizar com conhecimento, esforço, trabalho e dedicação, um caminho cujo destino seja um mundo cada vez melhor”.
A diretora do AE nº 1 de Abrantes notou ainda que a escola “representa um espaço privilegiado de vivência, onde os alunos devem ser levados a conhecer e discutir além de conhecimentos científicos, também os princípios éticos, políticos, da liberdade, igualdade, diversidade, valores que constituem toda e qualquer ação de cidadania responsável, uma vez que este projeto vai muito mais além do que o currículo e conteúdos disciplinares”.
“O Mundo está nas vossas mãos, mudem-no. Acredito que construam um mundo melhor e continuem a pautar-se por valores morais, princípios éticos, liberdade, responsabilidade e solidariedade, com a convicção que o futuro seja escrito no superior interesse do bem-comum”, concluiu Ana Rico.
Também presente na iniciativa esteve Celeste Simão, vereadora com o pelouro da Educação no Município de Abrantes, que dirigiu palavras de agradecimento a quem se envolveu e participa neste projeto “tão importante para o crescimento dos nossos jovens”.

Falando nos “tempos muito difíceis e de enorme preocupação com as situações de guerra que a todos afeta direta e indiretamente, onde não se têm poupado vidas nomeadamente crianças e jovens que são, ou devem ser, o futuro da nossa humanidade”.
“Abrantes não tem ficado indiferente ao que se passa no Mundo, recebendo todos os que nos escolheram, não só para se refugiarem, como também para refazerem as suas vidas. Recebendo assim da melhor forma crianças e jovens que procuram as nossas escolas para continuarem ou iniciarem os seus percursos educativos”, notou, frisando que “é com muita satisfação e esperança que, hoje, em Abrantes elevamos o ideal de uma Europa próspera, pacífica e unidade”.
“A arma mais forte e mais importante a usar é a Educação. Seja para unir os povos através da concretização dos sonhos de todas as nossas crianças e jovens. Uma população informada e livre é a melhor arma contra a ignorância, a intolerância e o desrespeito pelo próximo”
Celeste Simão, vereadora da Educação no Município de Abrantes
Celeste Simão, frisando a “capacidade notável” de Abrantes em “saber acolher, integrar e respeitar as diferenças”, acrescentou esperar que a comunidade possa contribuir para a formação “enquanto cidadãos europeus” dos jovens eslovacos em ERASMUS, defendendo que “é na diversidade que encontramos o melhor de nós e construímos os alicerces das pontes que ligam e aproximam povos, línguas e culturas, cumprindo o ideal europeu”.
A vereadora sublinhou ainda as mais-valias diversas do projeto ERASMUS+ enquanto ponte que permite a transferência de conhecimentos, a partilha e o estabelecimento de novas amizades.
O Erasmus+ é um programa europeu que apoia a educação, a formação, a juventude e o desporto, que dispõe de um orçamento estimado de 26,2 mil milhões de euros, praticamente o dobro do financiamento do programa anterior. O programa 2021-2027 coloca forte tónica na inclusão social, nas transições ecológica e digital e na promoção da participação dos jovens na vida democrática.
O programa apoia as prioridades e atividades estabelecidas no Espaço Europeu da Educação, no Plano de Ação para a Educação Digital e na Agenda de Competências para a Europ, mas também apoia o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, executa a Estratégia da UE para a Juventude 2019-2027 e desenvolve a dimensão europeia do desporto.
O Erasmus+ oferece oportunidades de mobilidade e cooperação no ensino superior, ensino e formação profissionais, educação escolar (incluindo educação e acolhimento na primeira infância), educação de adultos, juventude e desporto.
Mais informação em https://erasmus-plus.ec.europa.eu/pt-pt
A manhã contou com diversos apontamentos musicais e de dança, onde inclusive foi apresentado um hino do projeto ERASMUS+, composto por e interpretado no auditório por alunas e pela docente de Educação Musical, Carlota Godinho.
Por fim, com toda comunidade escolar a reunir-se na entrada principal da Escola, assistiu-se a um concerto do Carrilhão LVSITANVS, de Constância, com performance de Ana Elias, com muitos jovens alunos curiosos e a recolher vídeo sobre este momento que transpareceu ser surpreendente para muitos.

Ali foi igualmente notada a particularidade de um dos pequenos sinos do maior carrilhão itinerante do Mundo, com uma sonoridade peculiar, conter o brasão da antiga EICA, do qual o fundador do maior e mais pesado carrilhão itinerante do mundo, Alberto Elias, foi aluno.
“Há uma ligação, o pai da Ana e da Sara Elias foi aluno da EICA, e por ter sido aluno tem um dos sinos gravados com o brasão. E daí esta ligação simbólica e relação afetiva”, explicou a diretora do agrupamento de escolas.
Cantaram-se ainda os parabéns, uma vez que se completaram os 70 anos da fundação daquela instituição, celebrados num almoço entre antigos alunos no pretérito sábado, dia 4 de novembro.
Ana Rico abordou, em declarações à comunicação social, os desafios para o futuro sobre o ensino e o projeto educativo do Agrupamento de Escolas do qual a Escola Secundária Dr. Solano de Abreu é sede.
Num balanço da atividade letiva neste novo ano, a docente crê que está estabilizado, ainda que reconheça existirem casos pontuais de horários em falta, por questões de doença.
Quanto ao Centro Tecnológico Especializado (CTE) conseguido pela aprovação de candidatura a programa de âmbito nacional, Ana Rico assume que é um processo moroso e que “não é fácil”, estando a iniciar a fase concursal e de procedimentos. “Pressupõe um processo internacional, e temos de ir com muita calma. É um passo gigante para a escola, na área da Informática, porque não só nesta área como na transição digital que estamos a fazer, o CTE vai dar uma outra oportunidade aos alunos e com outra amplitude”, explicou, mencionando que existem protocolos que permitirão acolher alunos de outros concelhos e estabelecer relações institucionais externas com empresas e instituições da região, numa ótica de conhecimento partilhado. “Esperemos concluir o ano 2024 já com o Centro Tecnológico instalado”, indicou.

Quanto ao projeto educativo, uma vez que Ana Rico tomou recentemente posse enquanto diretora do Agrupamento de Escolas, sucedendo a Jorge Costa, a docente refere que o projeto está a ser construído, mas que continua a desenvolver e tocar áreas que se pretende que os alunos aprendam. “Não só quanto às aprendizagens, mas também em termos dos valores que são todos aqueles que fazem parte do ser humano, valores morais, valores éticos, valores de solidariedade, e isso está muito enraizado também na parte da inclusão. E o projeto ERASMUS+ tem essa vertente e essa abrangência, onde os alunos com menos oportunidades poderem participar e ir nas mobilidades”, indagou.
O projeto educativo, para quatro anos, mantém como um dos indicadores “o envolvimento das pessoas naquilo que é a sua escola, inclusive dos próprios alunos”, e a exemplo disso, são dinamizadas Assembleias de Delegados de Turma, com presença dos representantes da direção do agrupamento escolar e autarcas locais.
“É dar voz aos alunos, perceber o que pretendem para a sua escola e as suas necessidades. E também dar voz aos pais”, frisa, confessando que se mantém como grande desafio a abertura das portas da escola à comunidade, no sentido de aproximar os cidadãos à escola e à participação nas atividades e projetos.
“Estamos a tentar, não só com atividades e iniciativas. A escola é da comunidade, e a comunidade também tem que vir à escola. É um desafio que tem permanecido ao longo dos anos, mas que vamos tentando a pouco e pouco divulgar para o exterior o que a escola faz de muito bom, e que muitas vezes não se projeta para o exterior. E queremos ter os pais sempre connosco, e estamos a tentar chamá-los o máximo possível, para que compareçam”, explica Ana Rico.

Afirmando que os pais estão mais presentes junto dos alunos mais novos, nomeadamente 1º ciclo e 2º ciclo, a diretora deu conta de ser feita sensibilização, via Associação de Pais, para que haja transmissão da mensagem de que “os pais não devem vir à escola só para apontar o que a escola tem de menos bom ou o que não funciona tão bem, mas também vir quando os chamamos e com outros objetivos”.
Notando que recebe muitos pais e que mantém muito contacto via e-mail com os pais, Ana Rico diz que é intenção da direção do agrupamento iniciar Assembleias com os representantes dos pais, não só para os ouvir, mas para “também eles pensarem a escola e terem noção que também é deles e que podem vir quando quiserem, e serem parte ativa na Educação, e nós, professores, sozinhos não fazemos tudo e não conseguimos fazer tudo se não tivermos o lado familiar que nos ajude. É um eixo de três, a escola, os pais/família e os alunos. E tem de haver articulação e temos de andar de mãos dadas para as coisas comungarem pelo melhor”.





















