Durante cerca de duas horas e meia, os cinco candidatos à presidência da Câmara Municipal do Entroncamento esgrimiram argumentos no debate organizado pelo mediotejo.net no dia 8 de setembro no Centro Cultural do Entroncamento, espaço cedido pela autarquia.

Com transmissão vídeo pelo youtube e facebook e liveblog no site do jornal, o debate atraiu centenas de pessoas que encheram a sala do Centro Cultural.

No palco estavam os moderadores do debate, os jornalistas Mário Rui Fonseca e Sónia Leitão e os cinco candidatos, Henrique Leal (BE), Telma Jorge (CDU) e Jorge Faria (PS) de um lado e, do outro, Jaime Ramos (PSD) e Pedro Gonçalves (CDS-PP).

Depois de uma breve apresentação de cada um dos candidatos e de uma pequena caracterização do concelho, deu-se início ao debate em que os cinco candidatos começaram por apresentar as razões da sua candidatura.

Os temas da segurança e do aumento da criminalidade abriram o debate propriamente dito, com cada um dos candidatos a apresentar a suas propostas para minimizar o problema. Obras profundas da esquadra ou novas instalações para a PSP e mais videovigilância foram algumas das propostas apresentadas. À esquerda garante-se que é seguro andar no Entroncamento e que o problema tem raízes sociais.

O tema resvalou para a questão do realojamento das famílias de etnia cigana com troca de argumentos e críticas mútuas sobretudo entre o atual e o antigo Presidente da Câmara, Jorge Faria (PS) e Jaime Ramos (PSD), respetivamente.

Gestão financeira do Município, regeneração urbana, património ferroviário e acessibilidades foram os assuntos em debate a seguir. Foi unânime a opinião de necessidade de uma intervenção profunda na estação ferroviária que garanta mais segurança e maior funcionalidade, em que as Infraestruturas de Portugal, entidade responsável, deve ser pressionada a tomar medidas urgentes.

Os cinco candidatos apresentaram as suas perspetivas e propostas acerca da identidade do Entroncamento (cidade ferroviária, terra de fenómenos ou outra), o turismo, a cultura, a educação, o emprego e a descentralização de competências.

Por fim, cada um dos cinco deixou uma mensagem de apelo ao voto.

O público encheu a plateia do Centro Cultural (Foto: mediotejo.net)

Henrique Leal (BE) diz que apresenta uma equipa com provas dadas, com muita gente independente, “sempre na primeira linha da defesa do interesse público”. Argumenta com o trabalho feito pelo deputado Carlos Matias, atual vereador e agora candidato à Assembleia Municipal. “É uma candidatura para devolver a confiança aos cidadãos, contra a demagogia”, defende.

Anuncia como prioridade o investimento na cultura e na educação “como pilar fundamental para o desenvolvimento”. Denuncia ainda “o marasmo que nos tem governado”, defendendo uma maior aproximação entre autarcas e cidadãos.

Telma Jorge (CDU) apela à participação cívica e ao voto na CDU, referindo as características dos candidatos e autarcas da CDU, que “prestam contas”, numa ação “pautada pela solidariedade e honestidade”. Realça o “caráter distintivo” da sua candidatura autárquica. Defende maior autonomia do poder local e a uma maior participação dos cidadãos na vida política. Para a candidatura comunista “trabalho, honestidade e competência não é um mero slogan” uma vez que se apresentam às eleições “pessoas com provas dadas, em que se pode confiar”.

Jorge Faria (PS) pretende dar continuidade ao trabalho iniciado há quatro anos. Elogia a sua equipa na dedicação para melhorar a qualidade de vida das populações, trabalhando de forma séria e competente. Prioridade para o PS é garantir o desenvolvimento, a coesão social e a identidade da cidade. “Temos de apanhar o comboio da inovação e o desafio da inteligência, numa cidade que se quer mais atrativa e com mais qualidade de vida para as pessoas”, preconiza Jorge Faria lembrando o slogan “uma cidade para as pessoas”.

Jaime Ramos (PSD) diz que tem visão para uma cidade que se pretende segura, vigiada e vigilante, cuidada e limpa, uma cidade da educação, ensino e formação. Recomenda uma aposta nos serviços de saúde. Defende uma cidade empreendedora e dinâmica, uma zona industrial moderna e atrativa, uma cidade do desporto, de cultura, uma cidade com vida, uma cidade com futuro. Por fim anuncia que se deve aproveitar o potencial do Museu Ferroviário.

“O Entroncamento merece mais” é o slogan da candidatura de Pedro Gonçalves (CDS-PP), par quem a cidade merece mais educação cultura, segurança, etc. O CDS-PP preconiza uma governação com valores e trabalhada com rigor, com espírito de servir, preocupada com os cidadãos. “Não somos alternância, somos alternativa, queremos trazer de volta valores a esta cidade, através de uma equipa para servir o cidadão, queremos o Entroncamento vivo, com mais vida, mais futuro”, concluiu.

À exceção dos três mandatos do social-democrata Jaime Ramos (entre 2001 e 2013), a Câmara Municipal do Entroncamento tem sido gerida pelo PS. Como presidentes socialistas teve António Cardoso (de 1976 a 1979), Afonso Lopes (de 1979 a 1982), Manuel Fanha Vieira (de 1982 a 1985), José Cunha (de 1985 a 2001) e, atualmente, Jorge Faria. Em 2013, votaram 8.555 dos 17.263 eleitores inscritos, ou seja, 49,56% do total, o que representa uma taxa de abstenção a rondar os 50%.

Veja o video completo do debate:

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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