A atribuição do subsídio municipal no valor de €10.000 para a nova ambulância da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento (AHBVE) gerou acusações de conivência durante a reunião camarária desta segunda-feira, dia 18. Os vereadores da oposição, BE e PSD, estiveram a favor do apoio financeiro, mas contra o mesmo ser pré anunciado no painel dos bombeiros à entrada do Centro Cultural, três dias antes da votação do executivo.
O processo teve início no passado mês de fevereiro e uma das alterações orçamentais feitas entretanto incluiu a atribuição de €10.000 para a aquisição de uma nova ambulância e €5.000 para modernização de equipamento da AHBVE. O anúncio do subsídio associado à viatura consta no painel da campanha que a AHBVE está a realizar durante as festas do concelho com o objetivo de recolher fundos para a aquisição da ambulância e para a qual todos podem contribuir.
Os nomes dos apoiantes surgem no suporte colocado na entrada do Centro Cultural desde a passada sexta-feira, dia em que as Festas de S. João e da Cidade do Entroncamento começaram e o da Câmara Municipal surge entre eles. Facto que não teria gerado desconforto e críticas dos vereadores da oposição, BE e PSD, se o ponto da Ordem de Trabalhos tivesse sido apresentado para ratificação de despacho, como ocorre nas situações em que a decisão é tomada antes da reunião do executivo.

Henrique Leal, do BE, votou a favor neste ponto depois de afirmar que “ficamos com a ideia de que já está tudo apalavrado, fosse qual fosse a circunstância, e vem à reunião apenas porque tem de vir” e questionou sobre quais as “necessidades” que determinaram a compra, assim como se a viatura em questão já tinha sido adquirida, sem resposta. O “acesso diferenciado” à informação sobre o processo entre os vereadores socialistas e os da oposição também foi apontado.
Jaime Ramos, do PSD, interveio de seguida, destacando que o cartaz da AHBVE já anunciava o apoio que estava a ser votado naquele momento. Mais tarde, referiu ao mediotejo.net que participa nas reuniões camarárias para votar e não para “abanar a cabeça”, lembrando que votariam a favor em caso de ratificação. Segundo este vereador, a autarquia teve tempo para concluir o processo e devia ter solicitado à AHBVE para que a informação fosse retirada.

No final da reunião, Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal e presidente do Conselho Fiscal da AHBVE, confirmou que “não foi feito qualquer pagamento aos bombeiros” e o subsídio será agora entregue “em resultado da decisão coletiva” da Câmara Municipal. O autarca identificou ainda a reunião camarária de maio em que foi votada a alteração orçamental como o momento em que o executivo tomou conhecimento da atribuição do subsídio.
A mesma altura em que, segundo o autarca, “possivelmente” os elementos da AHBVE também terão sabido, motivando a colocação do anúncio no painel que “é da inteira responsabilidade dos bombeiros”. Jorge Faria acrescentou que “quando não há mais nada para pegar e, felizmente o nosso trabalho está à vista, os vereadores da oposição só podem pegar em coisas que eu acho sem importância”.
