Entroncamento reuniu especialistas para debater os desafios da inclusão e da acessibilidade. Foto: mediotejo.net

O desafio de construir uma sociedade mais inclusiva, capaz de responder às necessidades das pessoas com deficiência, dos cuidadores informais e de uma população cada vez mais envelhecida, esteve esta quinta-feira, 25 de junho, no centro do debate no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento.

Promovida pelo Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento (CERE), a I Conferência para a Igualdade e Inclusão decorreu em simultâneo com a IV Feira de Produtos de Apoio e Acessibilidade, reunindo dirigentes institucionais, técnicos e profissionais da área social em torno dos desafios da acessibilidade, da vida independente e da igualdade de oportunidades.

A conferência colocou em discussão alguns dos principais desafios que se colocam atualmente às políticas de inclusão, com destaque para a promoção da vida independente, o planeamento centrado na pessoa, os direitos das pessoas com deficiência, a acessibilidade, a institucionalização e os modelos de apoio existentes.

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Os diferentes intervenientes defenderam uma maior articulação entre instituições e políticas públicas, reforçando a necessidade de respostas cada vez mais ajustadas às necessidades individuais e de uma sociedade onde a igualdade de oportunidades se traduza em medidas concretas.

À margem da sessão, em declarações ao mediotejo.net, Paula Carloto de Castro, diretora do Centro Distrital de Santarém do Instituto da Segurança Social, deixou elogios ao trabalho desenvolvido pelo CERE, considerando-o uma das instituições de referência do distrito na área da deficiência.

Foto: mediotejo.net

“Tenho o grato privilégio de ter no distrito de Santarém belíssimas instituições em termos de respostas sociais, e o CERE é uma das minhas instituições de referência. Trabalham muito bem, têm uma proximidade com os seus utentes e uma humanidade na forma como tratam esta resposta absolutamente relevante”, afirmou.

A responsável destacou ainda o caráter pioneiro da conferência, defendendo que momentos de reflexão como este são fundamentais para antecipar os desafios que a sociedade enfrenta.

ÁUDIO | Paula Carloto de Castro, diretora do Centro Distrital de Santarém do Instituto da Segurança Social

“É importante todos os dias falarmos daquilo que são as necessidades futuras. Devemos estar permanentemente a debater aquilo que o futuro nos traz”, sublinhou.

Foto: mediotejo.net

Entre essas prioridades, Paula Carloto de Castro apontou o envelhecimento da população e a necessidade de criar respostas que permitam às pessoas permanecer o máximo de tempo possível nas suas comunidades, sem perder qualidade de vida.

“Temos de falar dos cuidadores informais, pessoas que estão todos os dias a trabalhar discretamente dentro das suas casas, e temos também de pensar no envelhecimento. Há pessoas que vão perdendo capacidades e temos de criar respostas capazes de as manter, sempre que possível, nos locais onde viveram toda a vida e onde provavelmente são mais felizes”, afirmou.

A diretora do Centro Distrital de Santarém revelou que uma das principais prioridades da Segurança Social passa precisamente pelo reforço do apoio aos cuidadores informais.

Entre as medidas em curso está a criação de respostas institucionais que permitam assegurar 30 dias anuais de descanso previstos na lei para estes cuidadores, através da disponibilização de camas de retaguarda.

Paula Carloto de Castro. Foto: mediotejo.net

Em paralelo, estão a ser desenvolvidos dois projetos-piloto, em articulação com municípios, destinados à criação de bolsas de cuidadores que possam substituir temporariamente o cuidador principal durante algumas horas por dia.

“O cuidador também é uma pessoa como qualquer um de nós. Precisa de ir ao dentista, ao supermercado e de tratar da sua vida. É fundamental que exista alguém que o possa substituir nesses momentos”, explicou.

Paula Carloto de Castro destacou igualmente a aposta na integração de requerentes de asilo e de proteção internacional, recordando que o distrito de Santarém foi pioneiro com o projeto FICA.

“O objetivo é que estas pessoas sejam inseridas na nossa sociedade para trabalhar, viver, constituir família e dependerem cada vez menos do sistema, passando a fazer cada vez mais parte da nossa comunidade”, referiu.

A responsável deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao CERE pela organização da iniciativa.

“Estão de parabéns por serem capazes de potenciar iniciativas que nos põem a falar e a pensar sobre estes temas e sobre a forma como, todos os dias, podemos melhorar a inclusão social e profissional das pessoas com deficiência.”

Na abertura da conferência, o presidente da direção do CERE, David Ramos, afirmou que a iniciativa representa “mais do que um evento institucional”, constituindo “um compromisso coletivo com a construção de uma sociedade mais justa, mais humana, mais acessível e verdadeiramente mais inclusiva”.

Perante uma plateia composta por profissionais, representantes de entidades públicas e privadas, famílias e pessoas com deficiência, o dirigente defendeu que falar de inclusão é reconhecer a dignidade de cada pessoa e garantir que ninguém é excluído em função da deficiência, idade, origem ou qualquer outra diferença.

Segundo David Ramos, a conferência nasceu da necessidade de criar um espaço de reflexão, debate e cooperação sobre temas como a acessibilidade, a vida independente e a igualdade de oportunidades, promovendo simultaneamente a divulgação de boas práticas e soluções inovadoras.

David Ramos. Foto: mediotejo.net

O presidente do CERE destacou ainda a importância da IV Feira de Produtos de Apoio e Acessibilidade, considerando que estes recursos representam instrumentos fundamentais para promover a autonomia e a participação ativa das pessoas com deficiência.

Também na sessão de abertura, Sónia Esperto, presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional para os Direitos das Pessoas com Deficiência, destacou o trabalho desenvolvido diariamente pelo CERE, considerando que a instituição atua em plena consonância com os princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Para a responsável, uma comunidade verdadeiramente inclusiva deve reconhecer toda a diversidade humana e garantir que cada pessoa possa exercer os seus direitos, fazer escolhas e construir o seu próprio projeto de vida.

Sónia Esperto defendeu que a concretização desse objetivo depende de uma cooperação efetiva entre organismos públicos, instituições particulares de solidariedade social, profissionais e comunidades, apelando ao reforço da empatia, da humanidade e do trabalho em rede.

Foto: mediotejo.net

A dirigente considerou ainda que as diferentes respostas existentes – dos Centros de Apoio à Vida Independente às respostas sociais das IPSS – não devem ser vistas como concorrentes, mas sim como alternativas complementares capazes de responder às diferentes necessidades e opções de cada cidadão.

Reconhecendo que persistem desafios na aplicação prática das políticas públicas, garantiu total disponibilidade do instituto para continuar a colaborar com as entidades do terreno na promoção dos direitos das pessoas com deficiência.

Em representação da Câmara Municipal do Entroncamento, a vereadora Maria Figueira sublinhou que a igualdade e a inclusão são hoje questões centrais na defesa dos direitos humanos e da cidadania.

A autarca felicitou o CERE pela organização da conferência e agradeceu ao Museu Nacional Ferroviário por acolher a iniciativa, defendendo que, apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, continuam a existir desafios que exigem o compromisso conjunto das instituições públicas, do setor social, das empresas, das escolas e dos cidadãos.

Foto: mediotejo.net

Maria Figueira reafirmou o compromisso do município em continuar a desenvolver políticas promotoras da acessibilidade, da igualdade de oportunidades e da participação ativa de todos os cidadãos, valorizando o papel do CERE enquanto parceiro estratégico na identificação de necessidades e na construção de respostas para uma comunidade mais inclusiva.

A I Conferência para a Igualdade e Inclusão prossegue ao longo do dia de hoje, com diversos painéis dedicados à vida independente, ao planeamento centrado na pessoa, aos direitos das pessoas com deficiência e aos desafios da acessibilidade, enquanto a IV Feira de Produtos de Apoio e Acessibilidade dá a conhecer equipamentos, tecnologias e soluções destinadas a reforçar a autonomia e a qualidade de vida das pessoas.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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