Já está a decorrer o primeiro curso de Português para refugiados ucranianos no Entroncamento. Imagem: CME

Num ponto de situação relativamente à chegada e integração de refugiados da guerra da Ucrânia, o presidente da Câmara do Entroncamento deu conta que há já 14 crianças e jovens a frequentar o ensino no concelho, tendo também esta semana começado um curso de Língua Portuguesa que conta com 28 inscritos. No total, são atualmente 43 os refugiados identificados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que chegaram à cidade.

O próximo passo após a chegada e integração dos refugiados é começar a encontrar ocupações profissionais de acordo com as competências de cada pessoa. Mas o presidente da autarquia sublinha que é preciso ir com calma, porque “é preciso também deixar que estas pessoas possam acomodar-se”.

Entre os que vieram nos autocarros promovidos pela ação conjunta da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e aqueles que vieram através de redes familiares, são 43 os refugiados no concelho devidamente sinalizados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), na sua maioria, mulheres e crianças.

“Dessas 43, nove pessoas estão alojadas numa das casas de função da Câmara, outras na casa da Junta de Freguesia e a grande maioria estão alojadas através da rede familiar”, explana Jorge Faria.

Com uma primeira fase de alojar aqueles que chegaram, a integração prossegue, nomeadamente ao nível escolar, com 14 crianças e jovens a frequentar já o ensino do concelho do pré-escolar ao secundário. “A informação que temos é que estão a ter uma boa integração”, adianta ao edil.

Duas das crianças ucranianas que já estão integradas no sistema escolar na cidade do Entroncamento. Fotografia: CME

Além destes, há ainda 28 pessoas que iniciaram o primeiro curso de Língua Portuguesa promovido na cidade, ministrado pelo Centro de Línguas. Num total de 25 horas de formação, estão desde 5 de abril a funcionar dois grupos: um com sete crianças e outro com 21 adultos. E a previsão é a de que em breve abra um segundo curso, a ser promovido pela Escola Profissional Gustave Eiffel.

Cursos sem “qualquer custo quer para os refugiados quer para a Câmara Municipal” e que têm como objetivo permitir a estas pessoas a aprendizagem da língua e da cultura portuguesa, de forma a facilitar a sua integração na comunidade.

Admitindo que o concelho tudo tem feito para “tentar minimizar o sofrimento destas pessoas”, também a nível de alimentação tem havido uma articulação entre as diversas entidades.

“Os bombeiros conseguiram recolher uma quantidade enorme de produtos alimentares e temos trabalhado com algumas pessoas ucranianas que vivem na nossa cidade, temos feito esta ligação, e a partir dos produtos que os bombeiros recolheram são distribuídos pelas pessoas que têm necessidade”, elucida o presidente da Câmara, entidade que tem ainda adquirido produtos perecíveis como peixe, carne ou pão, para distribuir pelos refugiados.

A nível financeiro, a autarquia aprovou ainda por unanimidade na reunião do executivo camarário de 5 de abril uma proposta de atribuição de 100€ às famílias ucranianas à responsabilidade do município para ajudar a fazer face a despesas que surjam.

Um apoio por agregado familiar a ser disponibilizado aos refugiados que assim o requeiram e ao qual se junta ainda a emissão do passe gratuito para frequência nos TURE – Transportes Urbanos do Entroncamento, uma vez que, por exemplo os jovens que já frequentam o ensino no concelho, precisam de se deslocar para chegar até à escola.

“Pensamos que até ao momento não tem havido falta de nada e que eles têm tido o conforto necessário”, assegurou o edil, que deu ainda conta da passagem pela Estação Ferroviária do Entroncamento de refugiados em trânsito, vindos no comboio que vem de Badajoz e que ali fazem transbordo para outros pontos do país, e que têm recebido apoio por parte dos bombeiros e das Juntas de Freguesia, nomeadamente com o fornecimento de uma refeição quente.

Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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