Foto ilustrativa: Facebook Intermaché Portugal

A Câmara Municipal do Entroncamento aprovou por maioria um Pedido de Informação Prévia (PIP), relativo à construção de um edifício comercial e um posto de combustíveis Intermarché na rua Dr. Costa Machado, prevendo-se a criação de cerca de 60 postos de trabalho diretos. A vereação do PSD votou contra, uma vez que não concorda com o local de instalação do empreendimento, defendendo que este deve ser instalado na periferia do concelho, junto à A23.

Aquando da explicação do ponto, o socialista Jorge Faria, presidente da autarquia, referiu que, de acordo com informação técnica, o pedido de informação prévia “reúne as condições desde o enquadramento do plano municipal, o enquadramento nas normas do regulamento municipal de urbanização, o enquadramento urbano e paisagístico”.

Ainda nesse sentido Jorge Faria afirmou que a proposta se demonstrou “reveladora de parecer favorável por parte dos serviços, podendo ser aceite, condicionada às menções apresentadas”, as quais passam pela instalação ter de estar condicionada à aprovação por parte de algumas entidades quanto ao abate de alguns sobreiros, sendo que poderá existir uma manutenção de algumas árvores em coabitação com o edificado e parque de estacionamento.

Segundo o autarca será cedida alguma área ao município como contrapartida, nomeadamente no acesso pedonal ao pavilhão e ao viaduto, estando igualmente previsto no projeto que seja feita uma ligação ente a rua Júlio Dinis (sem saída) e a rua Dr. Costa Machado, isto dentro do mesmo projeto.

O local da instalação localiza-se assim junto ao à zona do Pavilhão Municipal e Parque Radical, fator que mereceu amplas críticas (e voto contra) dos três vereadores do Partido Social Democrata.

O vereador Rui Claudino (PSD) defendeu no entanto que a implantação deste estabelecimento comercial perto de uma zona de “excelência”, residencial, verde, de atividades de lazer e desporto não parece ser “a mais aconselhável”, porque “de algum modo vai desvirtuar estas zonas e desvalorizar a qualidade e o bem-estar de quem é proprietário e de quem usufrui destes mesmos espaços”.

“Para além disso, numa altura em que é recomendável retirar e evitar a colocação de postos combustíveis perto de zonas residenciais vai-se aprovar um projeto que contém mais um posto de combustível quando existe outro a 200 metros ou menos de distância e que inclusivamente peca pelos mesmos aspetos”, disse.

Rui Claudino explicou também que no entender do PSD “este tipo de estabelecimentos comerciais deviam ser colocados na periferia do concelho, perto da A23, pois é uma zona de reduzida concentração de edifícios residenciais e afastada da malha urbana do centro da cidade, onde existe uma elevada concentração populacional, evitando a sobrecarga do trânsito”, lembrando ainda que a referida instalação vai acarretar o anulamento dos lugares de estacionamento na rua Júlio Dinis.

Discussão do ponto, que acabou por ser aprovado por maioria.

Para Jorge Faria estas observações são “de quem quer arranjar justificações para tomar uma posição não favorável”, dizendo ainda o autarca que “nos vem habituando esta vossa posição de contra tudo aquilo que é desenvolvimento para a nossa cidade”.

“Desde que cumpram as regras que estão definidas nos regulamentos, não sou eu que este investimento não deve ser feito porque já existe outro igual ou semelhante, chama-se a isso o mercado a funcionar, e nós prezamos o mercado desde que cumpram as regras, que é o que acontece”, disse Jorge Faria, que acrescentou também que a referida entidade comercial que se pretende instalar “tem muita vontade de trabalhar no Entroncamento e isso também é um sinal positivo de interesse na nossa cidade”.

O vereador socialista Carlos Amaro relembrou ainda que não se pode escolher a localização para a instalação de edificados deste género, em risco de se beneficiar um proprietário em detrimento de outro. “Se elas cumprirem aquilo que são os normativos urbanísticos legais e dos regulamentos, nós não podemos proibir estas instalações”, afirmou.

“Nós não estamos contra o desenvolvimento social e económico do Entroncamento. Acho que ninguém pode pensar nesse tipo de possibilidade. Eu sei que nos gosta de colar a essa situação, já não é a primeira vez que isso acontece, agora nós temos o exemplo daquilo que foi o desenvolvimento desordenado do Entroncamento do ponto de vista urbanístico, do ponto de vista da gestão do território ao longo dos anos, sem existência de um plano urbanístico adequado e portanto nós estamos contra essa situação, não queremos que se voltem a cometer esse tipo de decisões que vão de alguma forma condicionar o futuro do desenvolvimento do concelho”, respondeu Rui Claudino a Jorge Faria.

O vereador social democrata disse que o seu partido quer apoiar mas “com visão” para que o Entroncamento não fique “condicionado no futuro naquilo que diz respeito à qualidade de vida e ao bem-estar”.

“Quanto à questão dos empregos, e esse para nós é um aspeto importante, é evidente que estas iniciativas que são feitas por parte de iniciativa privada e dos respetivos promotores, merecem da nossa parte todo o apoio. No entanto também não podemos esquecer que algumas destas iniciativas, e temos de ver isto de uma forma equilibrada, irão constituir-se como um fator de competição relativamente ao pequeno comércio que já existe no Entroncamento e no nosso concelho. E daí mais uma razão para a nossa perspetiva ser a colocação destes investimentos numa zona de que de alguma forma possa mitigar o efeito noutros tipos de comércio”, defendeu Rui Claudino.

O ponto acabou por ser aprovado com os votos favoráveis do PS e do vereador independente Luís Forinho (ex-Chega) e os votos contra do PSD.

Na última reunião camarária de 3 de janeiro, o PSD voltou a incidir sobre este tema, queixando-se de as suas observações na reunião anterior não terem sido registadas em ata.

Na última reunião camarária de 3 de janeiro, o PSD voltou ao tema, queixando-se de as suas observações não terem sido registadas em ata.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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