Críticas aos 12 anos de gestão social democrata (2001 a 2013) no Município do Entroncamento, balanço do mandato que está a terminar e propostas para o próximo mandato marcaram as várias intervenções durante a apresentação dos candidatos do PS para as próximas eleições autárquicas, no dia 1 de setembro, numa sessão que encheu o Centro Cultural da cidade.
A equipa que o PS apresenta para a Câmara mantém-se no essencial. O atual Presidente Jorge Faria, é secundado por Ilda Maria Pinto Rodrigues, Carlos Manuel Amaro, Tília Santos Nunes (estes três atuais vereadores), José Francisco Leote, Joana Luísa Ribeiro, João Miguel Lopes, David Coelho Ramos, Fernanda Vieira, Francisco Velez Gaspar, Rosa Maria Alves.
Na sua intervenção o candidato e atual Presidente da Câmara começou por fazer um balanço do mandato afirmando “com orgulho”, que cumpriram a grande maioria dos compromissos a que se propuseram.
A par da correção da “grave situação financeira” que afirma terem herdado, foi possível reduzir o IMI e outras taxas. Além disso, “investimos na educação na cultura, na atividade económica, no ambiente, nas acessibilidades, na mobilidade, no saneamento, no espaço publico, na coesão social aproveitando ao máximo os fundos comunitários disponíveis”, realçou.
Jorge Faria disse que a Câmara enfrentou os problemas de segurança na cidade e que está a resolve-lo.

“O Entroncamento continua a crescer. É o único em que a população continua a aumentar e é o concelho com maior taxa de população jovem”, sublinhou.
A dinamização da atividade económica com a instalação de novas empresas na zona industrial onde todos os lotes estão vendidos, foi outro aspeto realçado pelo candidato que anuncia querer continuar a promover a captação de novas empresas.
Ao longo do mandato que agora termina, o número de desempregados no Entroncamento reduziu cerca de 40 por cento, facto para o qual a câmara deu o seu contributo, conforme frisou Jorge Faria.
“Temos a ambição de construir uma cidade que procure responder às necessidades das pessoas de forma sustentável e eficaz, garantir o seu desenvolvimento e a coesão social, ao mesmo tempo que promova uma utilização mais eficiente dos seus recursos”, afirmou.
Num discurso marcado pelo apelo à mobilização, anunciou querer continuar o trabalho iniciado para que o Entroncamento “seja uma referência a nível regional e nacional”, que seja “uma cidade mais atrativa e competitiva”.
Jorge Faria apontou os cinco grandes eixos estratégicos onde se centram as prioridades da sua equipa: consolidar uma cidade para as pessoas; desenvolvimento económico, emprego e inovação; coesão social e cidadania; educação, cultura e juventude; cidade sustentável e inteligente.

Concretizando cada um destes pontos, referiu a necessidade de reforço da valência residencial, aumentar a capacidade de atração da população, continuar a regeneração urbana com destaque para a consolidação dos núcleos urbanos centrais. As obras de modernização do mercado e a requalificação dos bairros ferroviários são exemplos apontados para este desiderato.
“Vamos construir uma nova biblioteca”
O candidato destacou a importância da futura ligação rodoviária das zonas industriais do Entroncamento e Riachos à A23, uma vez que “vai potenciar a captação de novas empresas”. É intenção tirar partido das acessibilidades rodo e ferroviários e potenciar o comboio para meio de promoção da região em termos turísticos.
A vertente social, sobretudo a promoção de políticas sociais para os mais vulneráveis é outro objetivo da candidatura socialista.
Jorge Faria destacou o início das obras de recuperação do cine-teatro, “um equipamento de qualidade”. Continuar a promover agentes culturais, aprofundar a autonomia das escolas, concluir a carta educativa e disponibilizar-se a receber mais competências na área da educação foram outros aspetos focados.

Na área da cultura anunciou a construção de uma nova biblioteca.
Para criar uma cidade sustentável e inteligente, a candidatura pretende apostar na melhoria da qualidade do ambiente urbano, racionalizar os consumos energéticos e redes de equipamentos públicos e coletivos e promover a eficiência energética.
Quanto ao problema das acessibilidades à estação do Entroncamento, Jorge Faria diz que a autarquia vai continuar a insistir junto das Infraestruturas de Portugal e do Governo central na “construção de uma passagem inferior pedonal e ciclável ou outra que seja adequada” que ligue as duas parte das cidade, que facilite o acesso direto às plataformas de forma cómoda e segura e que melhore condições de segurança. Reconhece que a solução atual “não serve as pessoas, não serve a cidade”.
Por fim, prometeu manter o rigor e transparência na gestão do Município e apelou ao envolvimento de todos.
Uma estreia na Assembleia Municipal
Luís Filipe Antunes, professor aposentado, é o cabeça de lista do PS para a Assembleia Municipal, sendo esta a primeira vez que se envolve na política. Aliás, no seu discurso começou por dizer que, na sua estreia na política, se sente “como um miúdo que vai para a escola pela primeira vez”.

Um a um foram chamados ao palco, os elementos da sua equipa: Mário Balsa, Maria Fernanda Alves, Ricardo Antunes, Manuel Martins, Lúcia Dias Abelha, Carlos Alfaia, António Manuel Miguel, Liliana Rodrigues, Fernando Maurício, António Rodrigues, Marta Isabel Antunes, Paulo Emídio Alves, João Fernando Coelho, Margarida Rosa Alfaia, entre outros.
O cabeça de lista disse que aceitou “sair do anonimato como imperativo de consciência e com sentido cívico”, uma vez que está em causa “continuar a confiar no projeto iniciado há quatro anos ou voltar atrás”.
Fez duras críticas aos 12 anos de gestão do PSD, na altura em que a Câmara era gerida por Jaime Ramos. Questionou como se pode confiar “em quem levanta tantas dúvidas, a quem promete futuro mas que o hipotecou no passado”. “Onde sobra presunção, vaidade e amadorismo, faltam certezas e ideias claras”, criticou, falando numa “gestão precipitada, sem visão e irresponsável” de Jaime Ramos.
Em contraponto, elogiou “a gestão rigorosa, competente, séria e sem malabarismos” de Jorge Faria, sempre com a preocupação “pelo bem-estar das pessoas”.
“Só com cidadãos envolvidos se constrói uma cidade”, afirmou Luís Filipe Antunes que apelou ao combate ao desinteresse, ao abstencionismo.
Deixou palavras de mobilização e empenhamento no sentido de “reforçar o projeto por uma cidade mais coesa e dinâmica, mais sustentável e ambiciosa, com rostos, aberta e integradora, trabalhadora justa e solidaria, assente na sua identidade ferroviária, mas inovadora e moderna, uma cidade para as pessoas”.

Igualmente crítico em relação à gestão social-democrata entre 2001 a 2013 e à atual lista para a Câmara, Carlos Amaro, Vereador e Presidente da Comissão Política Concelhia do PS, acusou Jaime Ramos de ser um candidato escolhido “por mero expediente administrativo”.
Lembrou que Jaime Ramos, o candidato do PSD à Assembleia Municipal há quatro anos, “nem sequer tomou posse, demonstrando falta de respeito pelos eleitores”.
Duras críticas ao PSD
“Onde estão as ideias para a cidade, para as pessoas? Como vão responder aos problemas da segurança? Como pode alguém que a justiça já condenou em primeira instância tratar dos problemas de segurança da cidade?” perguntou Carlos Amaro. As críticas estenderam-se ao número 2 na lista do PSD, “alguém que não sabe sequer o que é pagar faturas de uma casa”.

O líder concelhio do PS elogiou a postura leal e coerente de Jorge Faria, baseada num “programa sério e credível” e colocando “sempre os interesses do Entroncamento acima de qualquer interesse pessoal”. Na sua opinião o combate político do PS deve assentar no “compromisso, memória e responsabilidade”.
António Gameiro, Deputado e Presidente da Comissão Política Distrital, destacou o trabalho de recuperação financeira da autarquia, que se traduziu numa redução da dívida superior a 35 por cento.
“Até o Jorge entrar foi o regabofe, foi gastar sem critério e deixar as finanças municipais no estado em que se encontravam”, denunciou. Com a atual gestão de Jorge Faria “temos rigor nas contas e na gestão, temos projetos e execução de obras”.
Apresentou o Entroncamento como um bom exemplo do aproveitamento dos fundos comunitários e de boa execução dos fundos.
Acessibilidades, segurança e apoios sociais foram outros temas abordados pelo líder distrital do PS, num discurso onde procurou mobilizar e apelar ao reforço na votação.
Intervieram ainda os atuais Presidentes e novamente candidatos às Juntas de Freguesia de São João Baptista e Nossa Senhora de Fátima, Rui Maurício e Ezequiel Estrada, respetivamente.
Nas suas intervenções fizeram o balanço do mandato, realçaram as suas preocupações e prioridades e apresentaram os principais projetos que tencionam concretizar no próximo mandato.
Na Freguesia de São João Baptista, Rui Maurício tem nos lugares seguintes da lista os nomes de Alice Duarte, Maria da Conceição Faustino, José Lopes Leitão, Pedro Miguel Gomes e Cristina Lopes, só para referir os primeiros.
Na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, Ezequiel Estrada é acompanhado nos lugares a seguir na lista por João Manuel Fernandes, Isabel Maria Campaniço, André filipe dos Santos, Joaquim Alfaiate, Paula Cristina Pinto e Manuel Augusto Gonçalves, entre outros.

Nesta apresentação, o primeiro a intervir foi o Presidente da JS Entroncamento. Pedro Gomes apelou à participação dos jovens nas eleições e elogiou a abertura da Câmara e da candidatura à juventude. Exemplo disso é a existência pela primeira vez de mandatários para a juventude, Ricardo Costa e Joana Ribeiro.
Entre as centenas de pessoas presentes na sala referência para a participação dos Presidentes das Câmaras de Torres Novas e de Vila Nova da Barquinha, Pedro Ferreira e Fernando Freire, respetivamente e dos deputados Hugo Costa e António Gameiro.
A animação da sessão esteve a cargo dos músicos do Entroncamento Walter Alexandre, Ricardo Costa e Ricardo Monteiro.
