O presidente do Chega, André Ventura, esteve no Entroncamento apoio ao candidato à Câmara Municipal. Foto: EOL

A campanha do Chega rumou hoje ao Entroncamento, cidade que o partido “quer acordar”, e onde espera mais um fenómeno no domingo. A caravana nacional do Chega fez hoje a única paragem no distrito de Santarém durante a campanha para as eleições autárquicas de domingo, para uma arruada ao final da tarde, a mais participada até agora.

O líder do partido foi recebido efusivamente, com cornetas e gritos de “Ventura, Ventura”, “Chega, Chega”, “Ventura vai em frente, tens aqui a tua gente”, “vitória, vitória”, ou “salta André, olé, olé”.

“Vamos ganhar”, ia respondendo o líder do partido. Aos jornalistas, André Ventura disse esperar que no domingo aconteça “o fenómeno do Entroncamento”, concelho que o partido venceu nas últimas eleições legislativas, em maio. “Já ganhámos nas legislativas, vamos ganhar agora também nas autárquicas”, defendeu.

A arruada começou perto da Câmara Municipal do Entroncamento, que o Chega espera que passe a ser liderada pelo candidato Nelson Cunha, e terminou junto à estação ferroviária, onde aguardava um autocarro decorado com símbolos do partido.

O veículo estava decorado com fotografias de vários candidatos, ao lado da do líder, e a inscrição “a limpeza necessária”. Pelo caminho, houve uma pausa para tomar um café, que André Ventura fez questão de o adoçar.

Questionado se o açúcar seria para dar a energia necessária para aguentar até ao final da campanha eleitoral, o presidente do Chega disse ter suficiente. “Não, eu não preciso de energia, espero eu, para acabar a campanha. Acho que vai correr bem. Está a correr muito bem e acho que vai correr muito bem”, afirmou.

O candidato explicou a Ventura que se tratava de um negócio recente, de jovens empreendedores, e aproveitou para dizer que o Entroncamento precisa de “malta jovem” e de uma “dinâmica comercial” para “reviver” o concelho.

“O que nós queremos é acordar que esta cidade tem sido uma cidade dormitório”, salientou Nelson Cunha.

Ao longo do percurso, o candidato do Chega à presidência da Câmara Municipal do Entroncamento ia explicando a André Ventura alguns dos problemas do concelho e as soluções que a sua candidatura apresenta, mas ia sendo constantemente interrompido por pessoas que abordavam o líder do partido para o cumprimentar e pedir uma fotografia ou um autógrafo.

Nelson Cunha defendeu que a Polícia Municipal passe a andar armada, como forma de aumentar a segurança no concelho. “O fator primordial para conseguirmos criar mais dinâmica comercial será claramente a segurança. É isto que nós vamos empenhar, vai ser medida bandeira”, indicou.

No final da arruada, líder e candidato subiram ao autocarro para saudar os presentes, deram vivas e cantaram o hino nacional.

Passos mostra que há “renascimento da direita” – André Ventura

O presidente do Chega, André Ventura, considerou hoje no Entroncamento, onde percorreu as ruas da cidade ladeado pelo candidato Nelson Cunha, que as declarações do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho mostram que há um “renascimento da direita” e acusou o PSD de estar adormecido.

À margem de uma iniciativa de campanha autárquica no Entroncamento, que juntou centenas de pessoas, o presidente do Chega foi questionado sobre as palavras do antigo primeiro-ministro social-democrata de que não devem existir linhas vermelhas com o Chega sobre eventuais entendimentos autárquicos.

“A frase é importante porque o que eu acho que mostra é que está a haver um renascimento da direita em Portugal, e esse renascimento da direita significa, como o doutor Pedro Passos Coelho já disse, aliás, noutros momentos, não é uma questão de barreiras partidárias, é uma questão de que a direita tem que se assumir naquilo que é, firme no combate à corrupção, firme no combate à imigração legal, firme pela segurança, mesmo quando isto custa à esquerda, firme na defesa das pessoas que trabalham, contra as minorias que não trabalham”, afirmou.

André Ventura considerou que houve um “reacordar da direita” e afirmou que “houve uma evolução do doutor Pedro Passos Coelho” e “claramente não houve essa evolução do doutor Luís Montenegro”.

“Estas pessoas que vocês veem, este movimento, isto é o reacordar da direita em Portugal, e é importante que este reacordar se materialize agora nas autárquicas, nas presidenciais e nas legislativas, quando elas chegarem, acho que foi isso só”, acrescentou.

O presidente do Chega, André Ventura, esteve no Entroncamento apoio ao candidato à Câmara Municipal. Foto: DR

O líder do Chega criticou também a reação do primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro por ter dito que “é ruído” introduzir na reta final da campanha o tema da governabilidade pós-eleições autárquicas, considerando que essa será uma decisão para os eleitores no próximo domingo.

“Nós quando vemos o professor Cavaco Silva entrar nas campanhas achamos muito bem, porque diz aquilo que a esquerda e que a direita fofinha querem. Quando vemos o doutor Pedro Passos Coelho entrar, aí já não interessa e é ruído, quer dizer, só mostra como o PSD está adormecido”, criticou.

“Hoje só há uma direita em Portugal, essa direita é o Chega, e isso foi no fundo, por outras palavras, o que disse o doutor Pedro Passos Coelho”, sublinhou André Ventura.

O presidente do Chega interpretou igualmente as palavras do antigo primeiro-ministro social-democrata como a necessidade de o país ter “uma mudança profunda nas várias áreas” e que “não devia ter posto egos à frente da importância que havia de fazer reformas na área da segurança, do combate à corrupção, mas do crescimento económico também, da reforma fiscal”.

“O que o doutor Pedro Passos Coelho disse é aquilo que nós temos dito sempre, que é, se o país se tivesse entendido, não tínhamos tido eleições em maio, provavelmente, não tínhamos tido a crise toda que tivemos, e tínhamos um país hoje muito melhor em algumas áreas, no controlo da imigração, nas leis dos estrangeiros, na questão fiscal, na burocracia”, defendeu o líder do Chega.

Questionado se gostava de contar com o apoio do antigo primeiro-ministro na candidatura presidencial, André Ventura respondeu: “Eu quero é que o povo me apoie, é isso que eu quero, eu quero é que o povo português me apoie”.

O presidente do Chega, André Ventura, esteve no Entroncamento apoio ao candidato à Câmara Municipal. Foto: EOL

A Câmara Municipal do Entroncamento é liderada pelo PS, que nas eleições de 2021 obteve três eleitos (32,45%), o mesmo número do que o PSD (31,7%), enquanto o Chega elegeu um (11,2%).

Além de Nelson Cunha, que concorre pelo Chega, os candidatos à Câmara do Entroncamento são Rui Madeira, atual vereador, pela coligação PSD-CDS, Mário Balsa, que concorre pelo PS, João Félix, pela CDU, Júlia Pereira, pelo BE, Rui Simões, pelo Livre, e Carlos Monteiro, pelo movimento “Entroncamento na Linha Certa” .

Nas autárquicas de 2021, estavam inscritos no concelho 17.012 eleitores.

As eleições autárquicas estão marcadas para domingo, 12 de outubro.

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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