Foto: mediotejo.net

A Academia dá a possibilidade aos pais e encarregados de educação de crianças do Ensino Básico de frequentar ações de formação promotoras de competências digitais, visando um melhor acompanhamento escolar dos seus educandos. A terceira edição do Programa Academia Digital para Pais integra três cursos na sua oferta formativa, nomeadamente o de Competências digitais básicas, o de Segurança e Cidadania Digital e o de Consumidor Digital, todos com a duração de oito horas.

“É uma iniciativa que potencia uma grande ajuda aos pais para trabalharem com os filhos e que, sobretudo, tem esta virtude extraordinária que é o diálogo intergeracional, ou seja, serem os mais novos que estão a ensinar os mais velhos. E isto torna esta iniciativa, para além de útil, bonita. E bonita porque trabalha a relação, trabalha o respeito entre as diferentes gerações e por isso eu espero que continue por muitos e bons anos e de certeza que vai continuar”, disse o ministro da Educação ao mediotejo.net.

A Academia Digital para Pais, uma iniciativa da E-REDES em parceria com a Direção-Geral da Educação, permite aos pais e encarregados de educação frequentar ações de formação promotoras de competências digitais, as quais têm a duração de oito horas em horário pós-laboral e decorrem nas instalações escolares, podendo participar até duas pessoas por agregado familiar. Cada escola é responsável pelos voluntários formadores, os quais devem ser, preferencialmente, alunos que frequentam o agrupamento.

Em declarações ao nosso jornal, João Costa disse na sexta-feira, à margem da apresentação da 3ª edição da Academia, que esta “é uma iniciativa importantíssima porque não apenas trabalha todas as competências digitais que vão muito para além da mera capacidade de mexer nas ferramentas,  mas sim como pesquisar informação, como nos relacionarmos com esta avalanche de informação de que estamos rodeados”.

João Costa, ministro da Educação.
Foto: mediotejo.net

Certo de que esta é uma iniciativa de “sucesso”, João Costa considera ainda que é também gratificante para os diversos atores envolvidos, sendo que “dá uma expressão muito certa àquilo que falamos quando falamos de uma comunidade educativa, que vai para lá dos muros das escolas, é a parceria com a E-redes, é a parceria com o município, é a parceria com as famílias e é isso que se quer para que a educação aconteça”.

Na sua intervenção, o ministro da educação destacou o percurso que tem sido desenvolvido para permitir  ao modelo de ensino atual uma maior presença digital.

“O que estamos a fazer com a escola digital tem várias dimensões (…) Neste momento já temos mais de um milhão de computadores nas nossas escolas para distribuir a alunos e professores. Vamos ter 1300 laboratórios de educação digital pelas escolas do país e estamos, também, a desenvolver recursos educativos digitais. Não basta ter infraestrutura, é preciso ter conteúdo pedagogicamente interessante e também trabalhar a capacitação digital daqueles que estão nas escolas. Já chegámos a mais de 70 000 professores, no âmbito da formação em competências digitais e este trabalho todo é para continuar ao longo dos próximos anos”, afirmou.

Intervenção de João Costa, ministro da Educação.

Além do ministro da Educação, a sessão contou também com a presença de José Vítor Pedroso (diretor-geral da Educação), José Ferrari Careto (presidente da E-Redes) e Jorge Faria (presidente da Câmara Municipal do Entroncamento).

Na sua intervenção José Vítor Pedroso sublinhou o aumento exponencial de escolas aderentes, que este ano rondam 593 escolas públicas, integradas em cerca de 200 agrupamentos, o que corresponde a cerca de 25% dos agrupamentos do país, apontando ainda a premência desta iniciativa, tendo em conta que esta é uma altura em que a educação está a atravessar um processo de digitalização em que muitos pais sentem que não conseguem acompanhar os filhos, tendo em conta que “muitos nem sabiam enviar um email”, tal como o ensino à distância obrigado pela pandemia veio deixar a olho nu, disse o diretor-geral da Educação.

José Vítor Pedroso foi um dos oradores da sessão. Foto: mediotejo.net

A terceira edição do Programa Academia Digital para Pais integra três cursos na sua oferta formativa, nomeadamente o de Competências digitais básicas, o de Segurança e Cidadania Digital e o de Consumidor Digital, todos com a duração de oito horas.

José Ferrari Careto afirmou no seu testemunho que este projeto é “um grande orgulho” para a empresa e que o mesmo tem tido um impacto visível. O presidente da E-Redes, destacou a “aproximação geracional” e possibilidade de uma “linguagem comum” entre encarregados de educação e educandos, permitida por esta academia.

José Ferrari Careto. Foto:mediotejo.net

“Também tem o mérito de trazer as mães para o digital”, disse José Ferrari Careto, sublinhando a componente de igualdade de género subjacente ao programa, tendo em conta que a parte tecnológica é muitas vezes assumida pelos pais e não pelas mães.

José Ferrari Careto, presidente da E-Redes.

Já o autarca entroncamentense, Jorge Faria, destacou a vertente multicultural do concelho, assinalando que na edição passada deste projeto que considera ser uma “ideia genial”, “necessária” e “premente”, a maioria dos participantes eram encarregados de educação imigrantes, pelo que este é mais um projeto que auxilia na integração destas pessoas.

Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento.
Jorge Faria, Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento. Foto: mediotejo.net

Para Amélia Vitorino, diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento, este projeto é uma “mais valia” para o seu agrupamento que conta atualmente com 2901 alunos, em que 522 são estrangeiros, e em que muitos pais “carecem de ajuda no sentido de acesso às novas tecnologias e este projeto a capacitação digital. A academia digital para pais é um projeto que permite, efetivamente, que pais com ou sem qualquer conhecimento no âmbito da tecnologia e do acesso, quanto mais não seja a fazer um email por exemplo, têm nesta academia a oportunidade de serem ajudados”, explicou a diretora ao nosso jornal.

Amélia Vitorino, diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento

Adiantando que no Entroncamento as formações são dadas por alunos do agrupamento do curso profissional de Gestão e Programação de Sistemas Informático, Amélia Vitorina explicou que o Entroncamento aderiu a este projeto no ano passado e que para esta edição conta com a participação de 25 encarregados de educação e cinco formadores (quatro alunos e uma professora).

Amélia Vitorino, diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento.

“Portanto, temos neste momento duas turmas que estão a dar resposta a estas necessidades, portanto, é uma mais-valia e o Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento ter sido escolhido para esta iniciativa congratulamo-nos também. É porque estamos a fazer um bom trabalho e ligado a esta capacitação, portanto, também da escola segura, da internet segura, a utilização das novas tecnologias com toda a segurança. É uma preocupação nossa desde o pré-escolar, que começa a consubstanciar-se no primeiro ciclo e vai até ao ensino secundário regular e profissional”, disse ainda a diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento.

A apresentação da sessão ficou a cargo de alunos entroncamentos, sendo que a mesma contou também com um painel de testemunhos no qual participaram a professora responsável pela Academia Digital para Pais no Entroncamento, Leonor Afonso, uma encarregada de educação que participou nas duas edições anteriores do projeto, Fernanda Cruz, e dois alunos formadores voluntários, Gonçalo Martins e Diogo Miguel, onde foram amplos os elogios concedidos à realização deste projeto.

O lançamento da mais recente edição da Academia Digital para Pais contou ainda com Margarida Cordo, Psicóloga Clínica e da Saúde, Terapeuta Familiar e Psicoterapeuta, que deu uma palestra sobre a Literacia Digital dos Educadores.

Pode assistir à sessão completa:

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

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