Dos 11 concelhos do Médio Tejo, Entroncamento é aquele que lidera no que diz respeito ao valor anual de rendimento líquido por pessoa, com 12.201 euros, de acordo com os dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O Entroncamento surge em 7º lugar no ranking nacional, seguido de Vila Nova da Barquinha (27º), Constância (45º) e Torres Novas (50º), numa listagem que integra ainda a capital de distrito, Santarém, com rendimento superiores à média nacional.
Segundo o INE é no litoral que se situa a grande maioria dos municípios com rendimentos líquidos medianos mais elevados. O concelho com valor de rendimento líquido por pessoa mais elevado (Oeiras) apresenta um valor ligeiramente superior a 15 mil euros, seguido de Lisboa com 13.809 euros, enquanto Resende (Viseu), concelho com o valor mais baixo do País, apresenta um valor anual de 7.505 euros.
Os restantes concelhos apresentam valores abaixo dos 13 mil euros anuais, sendo o Entroncamento o único do Médio Tejo a superar 12 mil euros de rendimento líquido, o que ainda assim, a dividir por 14 meses, resulta num valor pouco acima do salário mínimo nacional, ou seja 871,50 euros mensais, por pessoa.
Em 2022, o valor mediano do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo foi 10.679 euros em Portugal. Setenta municípios apresentaram valores medianos do rendimento superiores à referência nacional, onde se incluem então Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Constância, Torres Novas e a capital de distrito, Santarém. Os restantes concelho do Médio Tejo apresentam valores inferiores à média nacional.

Depois de Entroncamento, na sétima posição nacional, segue-se Vila Nova da Barquinha que, com um valor anual de 11.504 euros, situa-se na 27 posição da lista de 298 concelhos – o INE não tem dados para 10. Depois surge Constância, na posição 45, com 10.867 euros de rendimento médio anual por pessoa em 2022, ano de referência do estudo do INE.
Torres Novas ocupa a posição 50 com 10.893 euros anuais por pessoa. Tomar, que ocupa a 87ª posição na lista, tem um valor de 10.371 euros, seguido de Abrantes, na posição 95, com 10.315 euros líquidos por pessoa, e Ourém, na posição 98, com 10.284 euros. Alcanena (128º) tem 10.060 euros e Mação (168º) 9.870 euros anuais, seguido de Sardoal, com 9.841 euros, estando Ferreira do Zêzere no fim da tabela dos 11 concelhos do Médio Tejo com 9.785 euros.

Ainda assim, de acordo os valores calculados pelo INE, relativamente ao ano anterior, os rendimentos líquidos aumentaram 5,4%. Nestes rendimentos são considerados os do trabalho dependente, empresariais e profissionais, de capitais, prediais, incrementos patrimoniais e pensões.
No que toca a aferir a igualdade social, em 2022, o coeficiente de Gini do rendimento líquido por pessoa era de 35,7% em Portugal, evidenciando uma redução na desigualdade da distribuição do rendimento em relação a 2021 (36,1%).
O coeficiente de Gini é um indicador de desigualdade na distribuição que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição. Assume valores entre 0 (quando todas as pessoas têm igual rendimento) e 100 (caso todo o rendimento se concentre numa única pessoa).

Como referido, este estudo do INE revela que a grande maioria dos municípios onde os rendimentos líquidos medianos são mais elevados situam-se no litoral, em particular junto a grandes cidades, como Lisboa, Porto, Aveiro ou Leiria, salvo algumas exceções, como é o caso do Entroncamento, Évora, Beja ou Castro Verde.
O INE divulga as `Estatísticas do Rendimento ao nível local´ para o ano de 2022, calculadas com base em dados fiscais da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) relativos à Nota de Liquidação do Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS – Modelo 3) e obtidos ao abrigo de um protocolo celebrado entre as duas entidades.
Esta iniciativa insere-se no quadro do desenvolvimento da Infraestrutura Nacional de Dados (IND) no INE, que corresponde ao corolário de um caminho prosseguido nos últimos anos de integração de dados provenientes de fontes diversas.
