Câmara do Entroncamento consignou por 5.8 ME empreitada para nova biblioteca e reabilitação urbana. Foto: CME

O ponto foi aprovado com os votos favoráveis do PS, a abstenção do PSD, sendo que o vereador ex-CHEGA e agora independente, Luís Forinho, não esteve presente na reunião. Recorde-se que o projeto já havia sido levado a reunião do executivo entroncamentense, em setembro de 2023, tendo sido chumbado com os votos contra dos três vereadores do PSD e pelo vereador eleito pelo Chega, agora independente, Luís Forinho. O projeto envolve um investimento na ordem dos 5 milhões de euros, financiado a 85% e competindo ao município do Entroncamento cerca de 700 mil euros.

Após um entendimento entre os eleitos socialistas e os sociais democratas, o projeto regressou a reunião camarária, tendo agora visto a sua aprovação. Em declarações ao mediotejo.net, Jorge Faria, presidente da Câmara, falou da importância do mesmo para o município a que preside.

“É um projeto (…) estruturante para a cidade e para aquela zona em concreto”, afirmou o autarca, tendo apontado a outros objetivos no âmbito da regeneração urbana e da habitação, com quatro bairros com projetos de requalificação, três dos quais em fase de obra.

Bairro da Vila Verde já tem 24 moradias prontas a habitar com rendas que oscilam entre os 294 e os 350 euros. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | JORGE FARIA, PRESIDENTE CM ENTRONCAMENTO:

Com uma nova previsão em termos de execução financeira, as expectativas para a nova centralidade e a nova biblioteca são de uma concretização de 10% em 2024, 75% em 2025 e 15% em 2026.

Para além da construção da nova Biblioteca Municipal do Entroncamento, num edifício que seja moderno e funcional, com diversas salas e equipamentos multiusos, o projeto acompanha a requalificação urbana da Rua Ferreira Mesquita, do Bairro Camões, das habitações do Bairro Vila Verde (em curso) e do Bairro do Boneco (em curso) para implementação do centro de documentação Nacional Ferroviário, do núcleo Museológico e do Centro de Ciência Viva (em curso).

O projeto da Nova Centralidade Zona Norte (ARU 1) inclui ainda requalificação urbana com a ligação pedonal entre a Rua Elias Garcia com áreas verdes de lazer, a criação de uma praça digna em frente ao Museu Nacional Ferroviário e um parque de estacionamento subterrâneo livre, libertando outros estacionamentos da cidade.

Um dos projetos de regeneração urbana propostos pelo executivo PS do Entroncamento. Imagem: CME

Após a abstenção que deu agora “luz verde” ao projeto, Rui Claudino, vereador eleito pelo PSD, afirmou “não ser contra os equipamentos culturais”, sublinhado que a biblioteca será um equipamento que “irá valorizar o concelho e contribuir para cimentar o desenvolvimento dos aspetos culturais do nosso concelho”.

No entanto, o vereador sublinhou que o equipamento descrito no projeto inicial “não tem as funcionalidades que nós gostaríamos que tivesse”, apontou.

“Sendo que é um equipamento de futuro e que terá (…) um período de vida muito grande e
sabendo nós qual é o ritmo de desenvolvimento e de mudança que assistimos hoje na nossa vida, gostaríamos de ver este equipamento com outro tipo de funcionalidades precisamente para fazer face a este ritmo de desenvolvimento que até nos aspetos culturais assistimos”, explicou Rui Claudino.

Neste sentido, os eleitos pelo PSD apresentaram uma proposta para o desenvolvimento de um edifício complementar, com um conjunto de aspetos e de novas valências, no sentido de vir a ser desenvolvido um estudo para o projeto para o desenvolvimento das competências que também Jorge Faria considerou serem “importantes”.

“Algumas funcionalidades não poderiam estar presentes neste equipamento sob pena de não terem esse parecer favorável da DGLAB. Por isso, foi entendido que poderá fazer sentido um equipamento complementar ou a existência de espaços complementares para outras valências”, explicou o edil.

A nova Biblioteca Municipal do Entroncamento terá, num edifício adjacente à área principal, um conjunto de espaços e atividades, propostas pelo PSD, para que seja “valorizada” e “garanta a prazo um enriquecimento deste tipo de atividades”.

“São questões muito orientadas para uma componente tecnológica que achamos muito importante nos dias de hoje e dar a possibilidade de os mais jovens poderem, juntamente com as escolas, usufruir deste tipo de possibilidades”, afirmou Rui Claudino.

Rui Madeira Claudino. Vereador eleito pelo PSD. Foto: DR

Estará presente um espaço de videomaping, para a criação de realidades imersivas e que permita realizar projeções num espaço. “Esse é um outro espaço que propomos, são projeções no teto, projeções em todas as paredes, no chão, para simular um espaço imersivo que pode ser acompanhado também com a parte áudio, com a parte musical e é hoje uma realidade em muitos eventos e em muitos acontecimentos”, acrescentou.

O projeto terá também um espaço de edição de vídeo, para que os interessados em desenvolver algumas competências nesta área e que não tenham os recursos necessários o possam fazer. Para além da edição de vídeo, existirá também um espaço de edição áudio e que permite a gravação de podcasts. “Hoje sabemos que a produção de podcast é um aspeto muito importante, para poderem ser transmitidos ou reproduzidos em vários meios”, explicou o vereador.

O espaço complementar será também dotado de instrumentos musicais que poderão ser utilizados na produção musical e um espaço de karaoke, onde poderão vir a ser desenvolvidas atividades. O “espaço de transcrição de vídeo” terá a possibilidade de passar para digital um conjunto de formatos mais antigos, desde VHS aos minidiscs e outros tipos de equipamentos.

“Também um espaço de música eletrónica, que nós associamos aos DJ’s e que é hoje uma realidade que motiva muitos jovens e portanto é também uma forma de levar as pessoas a aproximarem-se das atividades artísticas, culturais e também deste espaço de Biblioteca”.

Foto: CME

A BME contará com um espaço de multimédia para animações e um espaço de gaming, que procura aproximar os mais jovens da Biblioteca. Além disso, terá também um para a edição e realização de fotografia.

“Depois um espaço de programação robótica e de inteligência artificial que requer um conjunto de equipamentos de computação com alguma exigência e capacidade. Os space makers, aquilo podemos entender por uma oficina criativa, que está mais ligada a questões tradicionais, de joalharia, de artesanato, costura e que terá os equipamentos adequados a este tipo de atividades”.

Para além de um espaço comum destinado a atividades de formação reuniões e sessões de trabalho de grupo e equipas, a Biblioteca terá disponível, para os seus utilizadores, um espaço com impressoras laser de grande formato, impressoras 3D e ainda cortadores a laser, que “permitam cortar e gravar utensílios, jóias e outro tipo de elementos decorativos”.

Nesse sentido, os vereadores presentes nesta reunião, aprovaram por unanimidade a proposta para adquirir um imóvel, pelo valor de 47.000 euros, adjacente à área onde será desenvolvido o projeto da Nova Centralidade e da nova Biblioteca Municipal.

Na última reunião do executivo, que decorreu a 6 de fevereiro, Luís Forinho, eleito pelo Chega e agora independente, afirmou ter sido avisado com dois dias de antecedência o que não lhe permitiu estar presente na reunião anterior.

“Eu entendo que os senhores não queriam que eu viesse, até entendo isso, mas a partir do momento em que as duas forças políticas se aliaram, o meu voto deixou de ter interesse”, afirmou.

Luís Forinho Foto: YouTube

“Nessa reunião foi votada a nossa famosa biblioteca que, como já deixei bem claro, temos uma que está às moscas, mas claro, o PS 1 e o PS 2 decidiram juntar-se e lá fizeram o acordo”, acrescentou.

O vereador independente lembrou as dificuldades da população no acesso aos cuidados primários, considerando ser “uma vergonha para este executivo”.

“Num concelho que não tem médico de família para todos, em que as nossas crianças têm de ser transportadas para fora do concelho porque não temos mais espaço, vamos investir fortemente numa segunda biblioteca (…). Vamos gastar mais de 5 ME numa segunda biblioteca. Parabéns para todos vocês”, sublinhou.

Referindo-se aos encargos mensais com o novo equipamento, no que diz respeito ao pagamento do salário dos funcionários, Luís Forinho afirmou que o valor “daria para pagar mais dois médicos e enfermeiros para podermos fazer face à falta de assistência de saúde para esta população”, concluiu.


Discover more from Médio Tejo

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Deixe um comentário

Leave a Reply