A Central Elétrica do Entroncamento foi construída há 100 anos. Foto: DR

A Central Elétrica do Entroncamento, um edifício com relevante valor arquitetónico e patrimonial, está em vias de ser classificado. O anúncio relativo à abertura do procedimento de classificação daquele edifício, incluindo o património móvel integrado, foi publicado no Diário da República do dia 16.

Todo o processo (fundamentação, despacho, planta da central em vias de classificação e da respetiva zona geral de proteção – 50 metros)  vai estar disponível no site da Direção-Geral do Património Cultural, www.patrimoniocultural.gov.pt e no site da Câmara Municipal do Entroncamento, www.cm-entroncamento.pt.

“É um elemento edificado muito importante daquela época”, afirmou Jorge Faria, que é igualmente vogal do conselho de administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário, em reação à publicação em Diário da República, na quinta-feira, do anúncio de abertura do procedimento de classificação pela Direção Geral do Património Cultural.

A Central Elétrica do Entroncamento, projetada em 1919 e construída entre 1920 e 1923, albergou inicialmente uma central termoelétrica a vapor, tendo sido posteriormente equipada com um grupo gerador a diesel, em 1930, com um Posto de Transformação, cujo funcionamento se manteve até à sua desativação em 1990.

Jorge Faria afirmou que o edifício, que está “em muito boas condições” — parece que “deixou de trabalhar ontem”, mantendo todos os equipamentos, afirmou –, não é, neste momento visitável.

O objetivo é, assegurada a sua classificação e preservação, integrar a central no percurso do Museu Nacional Ferroviário, adiantou.

Além do edifício, onde chegou a funcionar uma “escola de aprendizes” entre 1943 e 1959, o pedido de classificação inclui ainda o património móvel, como o grupo gerador de energia elétrica, composto por um motor de combustão a diesel e um alternador, instalado em 1927, para alimentar de força motriz e iluminação as oficinas do Complexo Ferroviário do Entroncamento.

Há ainda o quadro elétrico de manobra da central, do mesmo ano, e a subestação, que, desde o início da década de 1930, distribuía energia elétrica produzida na central para todo o complexo ferroviário do Entroncamento e também recebia energia da Empresa Hidroeléctrica do Alto Alentejo.

O pedido de classificação inclui igualmente uma das três caldeiras a vapor da central, que antecederam o recurso ao diesel, e que integra o património da Central Elétrica do Entroncamento.

As três caldeiras alimentavam duas máquinas a vapor que trabalhavam em paralelo para acionar quatro dínamos com uma potência de 80 kw. Atualmente existe apenas uma caldeira a vapor, montada, em 1943, para formação da Escola de Aprendizes.

c/LUSA

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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