Críticas do PSD a casos nacionais do Chega marcam reunião da Câmara do Entroncamento. Foto arquivo: mediotejo.net

A reunião da Câmara do Entroncamento ficou marcada por um debate político centrado em questões de âmbito nacional. O vereador do PSD, Rui Madeira, criticou a atuação do partido Chega, apontando contradições entre o discurso e a prática e referindo casos associados a dirigentes e eleitos.

Em resposta, o presidente da Câmara, Nelson Cunha, eleito pelo Chega, destacou o trabalho do executivo e a necessidade de focar a discussão na gestão do concelho, sublinhando a prioridade dada à qualidade e ao planeamento das decisões.

O vereador eleito pelo PSD, Rui Madeira, criticou o partido que, de acordo com a sua intervenção, se apresenta como “antissistema”, apontando contradições entre o discurso e a prática. O social-democrata sublinhou que o partido Chega tem denunciado “50 anos de corrupção” e defendido a necessidade de “secar o pântano”, mas considerou que, desde a sua criação, “os escândalos […] sucedem-se”.

Rui Madeira afirmou ainda que, dos 58 deputados eleitos por esse partido, “23 aparentemente já tiveram problemas com a justiça”, sustentando que, apesar de recente, já revela “os mesmos vícios […] de uma forma muito mais superlativa do que qualquer um dos partidos”.

O vereador criticou igualmente o recurso a ataques pessoais na luta política, defendendo que “não devemos denegrir a vida de pessoas decentes e generalizar”, tendo ainda considerado que “a luta política não se pode fazer de qualquer maneira” e classificou a situação como “degradante” e “uma vergonha”.

Rui Madeira, vereador do PSD, eleito pela coligação Viva o Entroncamento. Foto arquivo: DR
ÁUDIO | Rui Madeira, vereador eleito pelo PSD

“Nos últimos anos, elementos variados deste partido têm denegrido pessoas decentes apenas na luta pelo poder. Não é assim que se faz, não devemos denegrir a vida de pessoas decentes e generalizar para todas. A luta política não se pode fazer de qualquer maneira, muito menos quando não olhamos para dentro da nossa casa. E, portanto, aquilo a que temos assistido tem sido uma situação degradante”, afirmou.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha, considerou que a intervenção incidiu sobretudo numa análise de âmbito nacional, sublinhando que “todos os partidos políticos têm casos a nível nacional”.

Nelson Cunha rejeitou a associação entre esses casos e o trabalho do executivo local.

“A tentativa de denegrir aqui o nosso trabalho com os casos que são reportados a nível nacional não nos vai influenciar e vou-lhe dizer que nós temos uma equipa espetacular no Entroncamento e este executivo, pelo menos da parte do Chega, vai ser um exemplo a nível nacional. É esse o meu empenho, é essa a minha visão e é para isso que trabalho todos os dias”, afirmou.

Nelson Cunha foi eleito presidente da Câmara Municipal do Entroncamento pelo Chega. Créditos: DR
ÁUDIO | Nelson Cunha, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento

O presidente sublinhou ainda o compromisso com o trabalho no concelho. “A mim interessa-me o Entroncamento”, referiu, apontando projetos em curso e a necessidade de uma gestão “ponderada” face ao que descreveu como um “ónus muito pesado” herdado.

Concluiu defendendo que a avaliação do executivo deve basear-se na qualidade das decisões. “Não é a quantidade de pontos que define um bom trabalho, é a qualidade dos mesmos”, afirmando preferir um ritmo mais lento, mas com maior planeamento e consistência nos resultados.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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