O Campeonato Nacional de Boccia Individual BC3 regional centro, sul e ilhas, decorreu nos dias 24 e 25 de fevereiro e teve como palco principal o Pavilhão Municipal do Entroncamento. O Boccia é um dos desportos mais praticados por pessoas com paralisia cerebral. É visto por muitos como uma modalidade de grande coragem, mas para outros não passa de um simples desporto. Certo é que mos Jogos Paralímpicos a selecção portuguesa de Boccia trouxe para Portugal 26 medalhas e muitos não sabem deste facto e da importância desta modalidade para os seus praticantes.

O pavilhão onde decorreram os jogos tem capacidade para dois mil pessoas, mas ao entrar ouvia-se sobretudo um silêncio profundo. Nas bancadas contavam-se cinco ou seis pessoas no máximo. Os risos de alegria provinham dos treinadores e dos próprios atletas, que contagiavam o ambiente por conseguirem aquele grande objectivo, mais uma vitória das suas vidas.

A alegria via-se nas caras dos atletas, saíssem vitoriosos ou derrotados. O que interessava era a diversão e a aprendizagem. Elisabete Mourato, representante do Centro de Reabilitação e Integração Torrejano (CRIT), mostra uma enorme tristeza pela fraca participação do público: “É realmente triste vermos as bancadas assim, é sempre a mesma coisa, já nos vamos habituando”, desabafa.

Mas nem tudo é negativo os municípios ajudam financeiramente estas associações, os materiais desportivos são muito caros e o pouco da ajuda monetária serve para esses bens.

Foi a primeira vez que a cidade do Entroncamento acolheu esta competição, não só para divulgar a modalidade mas também por interesse para a região. “É a primeira vez que a cidade do Entroncamento realiza esta actividade”, disse ao mediotejo.net o presidente da Paralisia Cerebral – Associação Nacional do Desporto, Manuel Morão, tendo feito notar que o maior problema é a questão financeira e que são, sobretudo, as associações que ajudam os clubes na sua sustentabilidade.

Manuel Mourão afirmou que “não é fácil comprar estes materiais, porque são muito caros. Basicamente são as pessoas que lutam diariamente para a continuidade deste maravilhoso trabalho”.

Esta modalidade cada vez tem mais atletas, quer a nível nacional quer a nível do desporto-escolar. De certo modo é umas das modalidades que mais pessoas com paralisia cerebral praticam.

Estes atletas são uma enorme inspiração, conseguem mostrar grande capacidade para qualquer área e Elisabete concorda: “é uma alegria contagiante trabalhar todos os dias com eles, mesmo nós próprios apreendemos com eles”.

Em relação à competição, esta foi dividida em dois dias, o primeiro dia decorreram os jogos na Série A e B, compostos por cinco atletas em cada grupo, respectivamente. No segundo dia foi a vez da Série de três grupos. O primeiro grupo continha três elementos e os restantes, quatro atletas. Os dois melhores de cada grupo passavam para a fase eliminar até chegar à grande final.

A competição teve a realização da Paralisia Cerebral Associação Nacional do Desporto, com os apoios da Câmara Municipal do Entroncamento e dos alunos do secundário do curso de Apoio e Gestão de Instalações Desportivas.

A próxima competição terá como local designado Resende e contará para o Campeonato Nacional de Bocia Sénior Individual- Zona Norte no dia 27 de fevereiro.

Texto e Fotos: Tiago Soares

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