Do “entroncamento” de duas linhas de caminhos de ferro (a do norte e a do leste) surgiu o nome deste concelho cujo passado ferroviário permitiu um progressivo desenvolvimento, levando à sua desanexação de Torres Novas e de Vila Nova da Barquinha, tornando-a uma freguesia autónoma no ano de 1926.
Mas foi a 24 de novembro de 1945 que o Entroncamento assistiu à elevação a categoria de vila, tornando-se também um município independente, o que Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal, considera ser um “marco importante“. Anos mais tarde, em junho de 1991, viria a tornar-se uma cidade.
“Hoje comemoram-se 79 anos de elevação a concelho e, de facto, para a nossa comunidade foi um marco importante e um marco que também sustentou o desenvolvimento que temos tido nestes anos todos. E eu lembro que em 1945, infelizmente, tínhamos saído de uma guerra mundial que tinha devastado todo o continente europeu”, sublinhou o edil em declarações ao mediotejo.net.
As comemorações iniciaram-se com o habitual hastear da bandeira, no Largo José Duarte Coelho, junto ao edifício da Câmara Municipal do Entroncamento, a que se seguiu uma sessão solene, onde foram distinguidos os funcionários da autarquia com a Medalha Municipal de Serviço Público pelos 15, 25 e 35 anos ao serviço do município.
Durante a sessão, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o presidente da Assembleia Municipal, Luís Filipe Antunes, destacou “o que de melhor temos no concelho”, nomeadamente os recursos humanos, a qualificação académica, a juventude, a qualidade de vida, o dinamismo das associações e clubes, as potencialidades decorrentes da “posição privilegiada no contexto do país”, os investimentos “significativos” em infraestruturas culturais e desportivas, a educação e ainda o “património e identidade ferroviária que tem valorizado o pequeno espaço que ocupamos”.
No entanto, Luís Antunes sublinhou o facto de “para a comunidade prevalecer a ideia de que o debate político a nível local se tem pautado por alguma falta de moderação, equilíbrio e bom senso, manchado por intervenções excessivamente emocionais (…), que bloqueiam o diálogo e a construção de opções válidas para o desenvolvimento do concelho, defraudando as expectativas dos cidadãos, contribuindo assim para o descrédito em relação às instituições e, no limite à própria democracia”.
O autarca, Jorge Faria, realizou um balanço do concelho a que preside ao longo dos últimos 12 anos, tendo reforçado na sua intervenção que “a nossa ambição foi, desde o início, uma cidade centrada nas pessoas, assente em valores de solidariedade, justiça, igualdade e liberdade. De uma cidade que responda às necessidades das pessoas, de forma sustentável e eficaz, socialmente inclusiva, competitiva, que promova uma utilização mais eficiente dos recursos e que responda aos desafios da transição climática e digital”.
Em resultado do trabalho desenvolvido, o “Entroncamento tem sido alvo de várias distinções”, nomeadamente de Cidade Educadora desde 2021, “Autarquia + Familiarmente Responsável desde 2020, de Município Amigo do Desporto desde 2021, tendo recebido o selo da Qualidade da Água para Consumo Humano em 2023 e em 2024 os prémios de excelência autárquica nas áreas do Desporto, Cultura e Ação Social.


No final da sua intervenção, Jorge Faria afirmou ainda que “apesar de estarmos no último ano do nosso mandato não deixamos de continuar a trabalhar ativamente para o futuro da nossa cidade e o orçamento para 2025 será o maior de sempre e que representa o culminar de um ciclo de desenvolvimento e investimento que visa melhorar a qualidade de vida da população, garantido a sustentabilidade do município no futuro.”
Seguiu-se a entrega de uma ambulância à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, no Largo José Duarte Coelho, que passa agora a contar com um total de seis ambulâncias para prestar o serviço de apoio à população. Trata-se de um investimento do município entroncamentense no valor de 77.915,30 €.
“Nós temos procurado colaborar ativamente com a nossa Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários e hoje temos o gosto, também como prenda dos 75 anos, que eles fazem 75 anos este ano, além dos apoios que já demos, de oferecer uma nova ambulância para reforçar o serviço de apoio às populações”, afirmou Jorge Faria.
A comitiva deslocou-se, em seguida, para a Rua Eng. Ferreira de Mesquita, onde a autarquia procedeu à inauguração do Bairro do Boneco, uma empreitada repleta de “simbolismo” para o concelho.
“Não é só o edifício em si, é o simbolismo que integra, na medida que o nosso trabalho de reabilitação da nossa memória ferroviária está à vista, nós hoje temos grande parte dos bairros ferroviárias reabilitados, mantendo a traça arquitetónica”, sublinhou Jorge Faria.
“Em particular, o Bairro do Boneco foi um bairro reabilitado para a cultura e para a ciência, por isso tem esse valor acrescentado. Reabilitamos um património da nossa cidade e temos novos espaços de cultura e de ciência brevemente ao serviço dos cidadãos. É por isso um momento que nos orgulha muito e que reflete também aquilo que é o nosso trabalho e o pensamento para a cidade”, acrescentou.
O investimento supera os 2 milhões de euros, sendo financiamento misto, com recurso a “financiamento bancário e financiamento próprio”, esperando-se que a empreitada possa obter também financiamento do Portugal 2030.
O espaço irá receber brevemente o Centro Nacional de Documentação Ferroviária, que atualmente se situa no Oriente e, futuramente, acolherá também o Centro de Ciência Viva do Entroncamento.
“Quando chegamos à Câmara, este edifício já não tinha telhado, o destino era ser demolido (…). Como somos, às vezes, um bocado teimosos, insistimos que devíamos manter viva a nossa memória coletiva, aquilo que nos une”, afirmou o edil.
A empreitada de reabilitação teve como principal objetivo “transformar um bairro operário num bairro de cultura e ciência”. De acordo com Jorge Faria, no rés do chão do edifício vai ser instalado o Centro Nacional de Documentação Ferroviária. “Vão ser as instalações definitivas desta unidade orgânica da Fundação Museu Nacional Ferroviário”.
“No primeiro piso, vamos ter uma área expositiva (…). Estamos a trabalhar em várias possibilidades, quer ligada à ferrovia e os militares, quer também ligada à possibilidade de instalação de coleções privadas, de miniaturas”, acrescenta.
O segundo edifício irá acolher o “Centro de Ciência Viva do Entroncamento – A ciência nos carris”. O projeto foi realizado com o objetivo de permitir estas funcionalidades, mas “manter a traça, as janelas, as chaminés e as próprias escadas”.
O espaço integra um painel de azulejos “com muito significado”, sublinha o autarca, da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira, uma oferta feita à cidade. A peça em azulejo Viúva Lamego conta a história do concelho, do cruzamento das linhas, das estradas, das pessoas e do próprio Bairro do Boneco.
“É um painel (…) que muito valoriza este espaço e a nossa cidade. Por isso, hoje é um dia de festa e nada melhor do que esta prenda para a nossa cidade”, concluiu.
No âmbito do programa comemorativo do 79º aniversário de elevação a concelho, será feita a ligação da iluminação de Natal do concelho no período da tarde e o Cineteatro São João acolhe, pelas 18h00, o espetáculo “Celebrar a Vida”… Por Teresa Tapadas.
Até dia 5 de dezembro e no âmbito das celebrações do 79º aniversário, a Galeria Municipal Entroncamento terá patente a exposição “A Chegada do Ensino Técnico ao Entroncamento”.







































































O Entroncamento acolheu-me calorosamente.
Recebi ajuda prática.
E isso, me ajudou a ter uma nova vontade de viver.
Obrigada 😊