O acordo inicial previa a demolição da escola das Tílias (Foto: mediotejo.net)

A Câmara Municipal do Entroncamento chegou a acordo com os herdeiros de João Henriques no processo de permuta que permitiu a construção da escola do Bonito. O assunto foi analisado na reunião de Câmara do dia 13, onde foi aprovada por unanimidade a minuta do acordo.

O caso remonta a 2012 quando se iniciou a construção da escola num terreno de um particular com o qual o Executivo da altura, presidido por Jaime Ramos, estabeleceu um acordo de permuta de terrenos.

A contrapartida desse acordo era de que a Câmara teria de demolir a escola das Tílias, loteava o terreno para permitir a construção de 47 apartamentos e quatro áreas comerciais, entregando ao privado os cinco lotes em condições de serem registados.

O atual Executivo presidido por Jorge Faria entendeu que esse acordo não salvaguardava os interesses da cidade sobretudo pela forte pressão urbanística que representava. Eram vários prédios que estavam previstos para o terreno da escola das Tílias, “sem espaço para as pessoas, sem estacionamento suficiente” e que “afogava de vez” a igreja de Nª Srª de Fátima, conforme explica o autarca.

Para resolver este imbróglio e porque “é sempre preferível um acordo do que um processo de litigância”, a Câmara encetou conversações com a família e conseguiu reduzir a cláusula de indemnização inicial, que era de 800 mil euros, para 500 mil euros, bem como a área de construção que baixou dos 7 mil m2 previstos no acordo inicial para 2.400 m2. Jorge Faria destaca ainda a construção de uma nova praça junto à igreja que será, na sua previsão, um espaço de referência naquela zona da cidade.

A preservação da escola das Tílias é outro aspeto realçado pelo edil dado tratar-se de um edifício emblemático do Entroncamento por onde passaram várias gerações de crianças e jovens.

Em duas salas do imóvel funciona atualmente a sede do CLDS – Contrato Local de Desenvolvimento Social.

Quanto ao destino a dar à escola das Tílias, Jorge Faria tenciona “devolver o edifício à cidade” e avança com a hipótese de criar ali espaços para a juventude e para o associativismo cultural.

Na reunião de Câmara, a Vereadora Isilda Aguincha (PSD) criticou os encargos que o acordo implica para o futuro, meio milhão de euros a pagar nos próximos três anos. O Vereador Carlos Matias (BE) também questionou a indemnização a dar ao privado.

Para o Presidente da Câmara, o acordo aprovado representa “uma decisão importante e uma grande vitória para a cidade”.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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