BE diz que manifestações do 25 de Abril deram sinal de que “está tudo em aberto”. Foto: Paulo Cunha

“A manifestação de ontem [sexta-feira] do 25 de Abril, (…) grande, cheia de energia, com muita gente, muito jovem, que saiu à rua para tornar seu o 25 de Abril (…) mostrou duas coisas. Deu uma lição ao Governo sobre o povo de Portugal, que não aceita adiar o 25 de Abril, respeita o 25 de Abril, quer o 25 de Abril, conhece a importância do 25 de Abril e deu uma lição ao Governo e a Montenegro, e a segunda coisa que mostraram é que nada está fechado”, declarou Mariana Mortágua.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) esteve no sábado no Entroncamento onde participou num almoço convívio que juntou cerca de uma centena de militantes e simpatizantes num restaurante da cidade, onde transmitiu uma mensagem de união na defesa dos “valores da democracia e da igualdade”, que acredita ver expressa nos resultados eleitorais de 18 de maio.

“Não há resultados determinados das eleições, nem do futuro. Está tudo em aberto. Está sempre tudo em aberto. Tudo depende da nossa capacidade como povo, como coletivo, de imaginarmos este futuro melhor, este futuro de igualdade, de mostrarmos a este país que é possível, que não temos que viver em medo, em ódio, em desigualdade e que podemos, em conjunto, fazer o país que Joaquim Alberto imaginou quando fez o 25 de Abril”, afirmou, numa alusão a um combatente da liberdade conquistada em 1974, presente na sala.

“É por esse país de igualdade que lutamos e é isso que vamos fazer nesta campanha. Uma campanha, uma política, uma luta, um combate para mudar de vida”, declarou.

BE diz que manifestações do 25 de Abril deram sinal de que “está tudo em aberto”. Foto: mediotejo.net

Numa referência aos valores da igualdade e por um combate a uma “economia desigual”, em que as grandes fortunas do país “estão concentradas em meia dúzia de famílias”, Mariana Mortágua insistiu hoje na necessidade de impor “tetos às rendas” da habitação e de “taxar os mais ricos”, propondo um imposto progressivo aplicado a fortunas a partir dos três milhões de euros.

BE diz que manifestações do 25 de Abril deram sinal de que “está tudo em aberto”. Foto: Paulo Cunha

ÁUDIO | MARIANA MORTÁGUA, COORDENADORA DO BE:

“Os 10% mais ricos de Portugal têm 60% de toda a riqueza do país”, os 1% mais ricos detêm “um quarto da riqueza nacional” e “há 50 famílias que são donas de 17% do PIB português”, disse, tendo feito notar que, ao mesmo tempo, “há 900 mil trabalhadores que não ganham mil euros” por mês.

“São 900 mil trabalhadores em pobreza absoluta em Portugal. Gente que trabalha todo o dia, de manhã à noite, e não ganha um salário capaz de o tirar da pobreza. A maior parte do país não ganha mil euros. E vem-nos dizer que não podemos pôr um teto às rendas e que temos que deixar que uma renda custe mil ou 1.200, quando a maior parte do país não ganha mil. Não. Não aceitamos. Porque o 25 de Abril foi feito em nome da igualdade e a igualdade só existe com uma economia entre iguais, que não produz desigualdades”, afirmou.

Além dos tetos às rendas, Mortágua insistiu que a distribuição da riqueza é necessária e que passa por taxar os ricos.

“E é por isto que nós temos na rua um outdoor, um cartaz, que diz taxar os ricos. É ou não é justo impor uma taxa sobre as grandes fortunas em Portugal? É ou não é justo distribuir a riqueza por todos, concentrada pela economia? É claro que é justo. É isto a igualdade”, concluiu.

Esta proposta, que consta do manifesto eleitoral do BE para as eleições legislativas antecipadas de 18 de maio, foi aplaudida por todos os presentes, tendo Mariana Mortágua considerado que taxar as grandes fortunas “é uma medida de justiça, igualdade e liberdade”.

No período de intervenções usou ainda da palavra a coordenadora da concelhia do BE no Entroncamento, Júlia Pereira, e o cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Santarém, Bruno Góis, que destacou a importância do partido voltar a eleger um representante do distrito para o parlamento.

Em declarações ao mediotejo.net, Bruno Góis, que começou o dia em Constância, numa ação do movimento pelo Tejo contra a construção de um açude no rio Tejo, entre Constância e Barquinha, falou dos objteivos e das propostas do partido para as eleições legislativas de 18 de maio.

O cabeça de lista do BE pelo círculo eleitoral de Santarém, Bruno Góis, destacou a importância de voltar a eleger um representante do distrito para o parlamento.

ÁUDIO | BRUNO GÓIS, CANDIDATO DO BE POR SANTARÉM:

Nas últimas legislativas, em 2024, o PS ganhou as eleições no distrito de Santarém, com 69.915 votos (27,85%) e elegeu três deputados, a Aliança Democrática (PSD, CDS e PPM) obteve 68.493 votos (27,28%) e elegeu também três deputados. Em terceiro lugar e com três deputados eleitos ficou o Chega, que teve 58.554 votos (23,32%). O BE ficou em quarto lugar com 11.204 votos (4,46%).

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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