O Bairro e a Escola Camões, símbolos do legado ferroviário na cidade do Entroncamento, vão estar nas mãos da autarquia durante os próximos 50 anos. O anúncio foi feito pelo presidente, Jorge Faria (PS), em recente reunião do executivo, confirmando que o contrato de concessão e recuperação, a firmar com a IP, está a ser ultimado. Até à data, estão assegurados os arruamentos do bairro e o edifício da escola e, em breve, deverá ficar concluído o processo referente às habitações.
Em abril deste ano noticiámos que a recuperação do Bairro e Escola Camões, projetados pelos arquitetos Luís da Cunha e Cottinelli Telmo em 1926, estava em vias de se concretizar. Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, referia na altura a existência de um acordo base com a IP – Infraestruturas de Portugal, entidade proprietária, que incluía a cedência da escola e que estava a ser desenvolvido um modelo para a revitalização das cerca de 30 habitações do bairro.
Meio ano depois, o assunto teve desenvolvimentos e Jorge Faria referiu na reunião do executivo camarário de segunda-feira, dia 15, que o município e a IP chegaram a acordo pelo que os respetivos processos serão apresentados numa das próximas reuniões. Anúncio confirmado ao mediotejo.net mais tarde, acrescentando que “já existe um acordo substancial da ação final”.

Uma vez resolvidas algumas questões, como a dos “seguros no caso da escola Camões”, fica finalizado o contrato de concessão e recuperação que envolve os arruamentos do Bairro e a Escola Camões, com duração de 50 anos e renovação de mais 10 divididos por dois períodos de cinco.
O autarca avançou que “até ao final desta semana” ficará “fechado o acordo final para aquisição das casas do Bairro Camões”, nas quais também se prevê a reabilitação.
Sem dar certeza se algumas decisões terão de ser tomadas na Assembleia Municipal de novembro, o autarca referiu que “tudo se conjuga para que, num espaço de tempo curto, possamos ter os instrumentos que permitirão assumir a responsabilidade de reabilitar aquele edificado”.
Segundo o autarca, já existe um “modelo concreto” para as casas do Bairro Camões e para os arruamentos “iremos desenvolver um projeto de reabilitação”.
No caso da Escola Camões, a câmara municipal procura entidades públicas ou privadas que queiram investir. A finalidade para o edifício abandonado que albergou a Escola de Aprendizes da CP, entre 1959 e 1970, e o CERE – Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento, entre 1980 a 1997, ainda não está definida.
Jorge Faria defende que a prioridade “é assumir a responsabilidade do edifício e depois procurar parcerias para o reabilitar”.
Em abril, o presidente da autarquia não descartava a hipótese de ser realizar uma consulta pública para definir essa finalidade e, na altura, uma que estava a ser equacionada era um Centro de Inovação e Tecnologia.
Na reunião de executivo onde o tema foi discutido, Jorge Faria reiterou que o município está aberto a sugestões e acrescentou as hipóteses do edifício ser transformado num espaço ligado à cultura ou numa unidade hoteleira “de charme”, uma vez que a exploração comercial está prevista no contrato.
