Assembleia Municipal do Entroncamento dá primeiro passo para criação de uma assembleia jovem. Foto: Pexels

A Assembleia Municipal do Entroncamento deu o primeiro passo para a criação de uma assembleia jovem, procurando assim aproximar os jovens da vida política e aprofundar o conhecimento dos mesmos. Neste sentido foi aprovada por unanimidade uma proposta de recomendação do PSD para a criação deste organismo.

A proposta foi apresentada por Paula Carloto, deputada municipal do PSD, a qual considera que é “obrigação enquanto autarcas” dos deputados municipais eleitos cumprir também alguma função pedagógica e de incentivo à participação na vida política “e explicar às pessoas o que é isto de ser deputado municipal, ser vereador, ser presidente de junta…Acho que faz sentido que toda a gente saiba e conheça como funcionam as instituições”, defendeu.

“Quanto mais de nós formos informados e quanto mais de nós soubermos mais, mais o resultado final do jogo democrático pode ser interessante, quer para as pessoas quer para os concelhos” disse a eleita do Partido Social Democrata, acrescentando que “todos nós conhecemos o drama de mobilizar gente nova para as juventudes partidárias e se as juventudes partidárias não conseguem com as máquinas de mobilização que têm chamar gente, por maioria de razão, as escolas se calhar ainda conseguem menos”.

Concedendo que não é uma ideia peregrina – e dando o exemplo de sucesso de Ourém – Paula Carloto explicou que o objetivo da proposta passa por “mobilizar as pessoas mais novas para o exercício da atividade política e para o conhecimento daquilo que é a atividade política, não partidária”.

Neste sentido, a proposta visa que “nas escolas tentemos negociar (…) um trabalho junto da nossa comunidade escolar conseguir que seja inserido nos conteúdos curriculares das cadeiras que assim o propiciarem, criar uma lógica que dentro desses conteúdos curriculares, os miúdos se prepararem para a defesa de projetos que depois vinham defender a uma assembleia, uma assembleia jovem”.

O deputado eleito pelo CDS, Pedro Gonçalves, referiu que a ideia é “excelente” e que é de “louvar toda e qualquer iniciativa que traga pessoas para a política porque como podemos até comprovar pela falta de audiência nas nossas assembleias, pela dificuldade que às vezes nós temos para fazer substituir-se, para constituir listas, principalmente entre as pessoas mais novas, acho que é excelente envolver as pessoas e que, para além da envolvência das escolas e do município, se possa também envolver a sociedade civil”.

Já Ricardo Antunes, deputado socialista, saudou a ideia, mas afirmou que também são conhecidos os “riscos reais” de se criar “mais um órgão com défice de participação”, como aconteceu no caso do Conselho Municipal de Juventude que nunca reuniu com quórum, disse o deputado, que defendeu a criação de um grupo para auscultar os jovens nas escolas e depois trazer propostas. 

O deputado Francisco Velez Gaspar (PS), que é também professor, defendeu que atualmente no Entroncamento há assuntos “muito mais importantes” para serem discutidos na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, nomeadamente a multiculturalidade e interculturalidade, entre outros temas, chamando a atenção que a disciplina dispõe de 45 minutos semanais.

“Estarmos a fazer mais, sujeitos a que seja menos, não sei se será boa ideia, mas atenção, tudo o que seja envolvimento das crianças e dos jovens, com certeza que sim, não só para a vida política mas também para a vida social”, assinalou o deputado.

Depois de alguma discussão quanto à forma e formalidades dos trâmites a seguir, a proposta de recomendação acabou por ser aprovada por unanimidade.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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